Conto ♥ A Vida Passa Muito Rápido

Em 07.03.2017   Arquivado em Contando Histórias, Contos, Projetos

Estou novamente na beirada, quase caindo. Olho para meus pés e estou calçando aquelas botas coloridas que eu tanto adoro. Papai me empurra e vou cada vez mais alto no balanço. Minha voz infantil continua a pedir “Mais alto, papai! Mais alto”. E ele me empurra e ri, vou mais alto, tão alto quanto é possível, até ver toda a cidade aos meus pés, os prédios parecendo peças acinzentadas de Lego. Tão alto e tão distante que, quando me solto do balanço, voo livre por muito tempo até começar a cair.

Não estou mais usando minhas botas coloridas ou confortavelmente ouvindo o sorriso de papai. Estou sozinha, caindo, me aproximando do concreto, cada vez mais perto do chão. Do impacto. Meu corpo irá se partir em milhares de pedaços.

– Lu? Luiza, acorde!

Abro meus olhos e vejo Camila com o olhar preocupado em minha direção. Suas mãos seguram meus ombros com força e meu corpo todo treme. Estou gelada e um suor frio escorre por minha pele. (mais…)

Conto ♥ Carnis Levale

Em 28.02.2017   Arquivado em Contando Histórias, Contos

Atenção: conto com indicação 16+

A despeito da vida, a dança é o tipo de coisa que, invariavelmente, não funciona quando duas pessoas tentam conduzi-la concomitantemente.

Em vários outros aspectos essas duas se encontram: precisam de sincronia, ritmo e sentimento para serem boas, bem feitas, bem executadas, bem relacionadas, bem escutadas e bem sentidas, por assim dizer.

Por mais que possa parecer que a vida e a dança são tão similares, já que possuem tantos aspectos em comum, não, elas não o são.

Dançar exige algo que a vida não exige, o parceiro certo. E, nesse caso, a dança de assemelha bem mais do sexo do que da vida. Não dá para que os dois os conduzam.

Afivelo meus sapatos e me encaro por alguns instantes no espelho. Meus lábios rubros dão destaque ao tom de minha pele e representam a única cor forte em todo meu reflexo. Impecável. Posso ficar impressionada com meu próprio reflexo? Bem, é uma época de luxúria, não vejo porque não ficar. (mais…)

O Diário de Patt – Mais Amor Por Favor – Renan Merlin ♥ Primeiras Impressões

Em 26.02.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

É a primeira vez que vou fazer uma ‘primeiras impressões‘ sobre um livro aqui no blog, então, no fim de tudo, quem tiver sugestões, estou sempre aberta para elas!

A obra da vez é o conto O Diário de Patt, que faz parte da antologia Mais Amor Por Favor, a convite do autor parceiro aqui do blog, Renan Merlin, autor do conto e também do livro Não Tão Primos (que em breve terá primeiras impressões aqui no blog também!).

E, apesar de não ser a primeira postagem de parceria aqui do blog, o Renan foi o primeiro autor a depositar sua confiança aqui no Retipatia e me aceitar como parceria! Renan, serei eternamente grata! (mais…)

Resenha – Conto ♥ Um Pássaro na Gaiola – Victor Pacheco

Em 23.02.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

A resenha de hoje é um pouco diferente dos padrões aqui do blog. Isso porque o objeto de análise de hoje é um conto e não um livro. Fui convidada pelo autor Victor Pacheco a conhecer o conto ‘Um Pássaro na Gaiola’ e resenhar aqui no blog. Fiquei super empolgada e, agradeço a ele pela confiança!

Sobre o Autor

Victor é autor do blog Espaço Pra Qualquer Um (Fanpage) e publica suas histórias através da plataforma do Wattpad (para quem não conhece, o Wattpad é uma plataforma de publicação e compartilhamento de textos), que é onde você pode ler Um Pássaro na Gaiola e as outras histórias do autor. (mais…)

Conto ♥ Lucidez

Em 14.02.2017   Arquivado em Contando Histórias, Contos

Sugestão de música para ouvir enquanto lê: Skinny Love – Birdy

O amor é uma distração. Uma muito boa. Uma distração muito boa para tudo que aconteceu, de tudo que você quer esconder. Ainda assim, não passa de uma distração.

As pessoas costumam insistir que há algo belo e irremediavelmente apaixonante no amor. Bem, se estiverem falando em certos tipos de amor, como aquele que temos por cachorros e gatos ou aquele que a gente aprende do berço para com os parentes mais próximos, mas a questão é que nunca estão. Sempre se referem ao amor hollywoodiano, ao amor que Jane Austen descreve, ao amor de Bentinho e Capitu, até, ou mesmo àquele amor de todo dia que esperam encontrar na esquina do trajeto ao trabalho, na cafeteria, no próprio trabalho, na balada. Talvez tenha me esquecido dos amores salvadores, que aparecem logo antes de alguém morrer. Porque, obviamente, morrer sem ter amado – este tipo de amor, fique claro – é absurdo e inimaginável.

Não, talvez eu não esteja sendo sincera e verdadeira. Qualquer tipo de amor é distração. Se ama muito, se vive pouco, apesar do que dizem. A questão toda é, o quanto se é capaz de fazer por amor? (mais…)

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