Corte de Névoa e Fúria ♥ Sarah J. Maas

Corte de Névoa e Fúria
Sarah J. Maas
Editora Galera Record
“Quando o Caldeirão foi feito – interrompeu o entalhador -, o artesão sombrio usou o restante do minério derretido para forjar um livro. O Livro dos Sopros. Nele, escritos entre as palavras entalhadas, estão os feitiços para negar o poder do Caldeirão, ou controlá-lo por completo. Mas, depois da Guerra, ele foi dividido em dois. Um pedaço foi para os feéricos, e o outro, para as seis rainhas humanas.”

Sobre a Autora

Sarah J. Maas é autora da série Trono de Vidro, publicada pela Galera, best-seller do New York Times e sucesso internacional. Ela adora contos de fadas, filmes da Disney e música pop ruim; bebe café demais e vê muito lixo na TV. Sarah nasceu em Nova York, mas atualmente mora em Bucks County, Pennsylvania, com seu marido, o filho e seu cachorro.

Sinopse

Feyre Archeron morreu Sob a Montanha. Nas garras de Amarantha, a jovem humana que ansiava por amor e proteção deixou de existir. Das cinzas de seu velho eu, Feyre Quebradora da Maldição foi Feita – com os poderes de sete Grãos-Feéricos… e uma vontade tão férrea quanto o metal temido por eles.

Seu coração, no entanto, permanece humano, vulnerável. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin…. e o pacto firmado com Rhysand, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, Feyre se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que ela se sente mais plena?

Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. E curar sua alma partida. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte… um que ameaça não apenas os feéricos, mas o mundo humana e a muralha também.

Enquanto navega por uma teia de intrigas políticas, paixões e poder, sufocada por Tamlin, Feyre precisa decidir o que deseja: amor ou liberdade?

Corte de Névoa e Fúria

Corte de Névoa e Fúria é a aclamada continuação do livro Corte de Espinhos e Rosas, saga da autora Sarah J. Maas, que conta a história de Feyre Archeron, uma humana que, após matar um lobo feérico, é obrigada a viver nas terras imortais para pagar sua dívida. O que ela descobre lá vai desde o primeiro amor até uma maldição intransponível que a leva a uma batalha além de suas capacidades mortais. Para ler mais sobre o primeiro volume da saga ACOTAR, é só conferir a resenha de Corte de Espinhos e Rosas e, fica o aviso, esta resenha pode conter spoilers sobre o primeiro livro!

“Reúna as duas metades do Livro dos Sopros e conseguirá anular os poderes do Caldeirão. Com sorte, antes que retorne à força total e destrua aquela muralha.”

A primeira coisa que vem à mente ao pensar em Corte de Névoa e Fúria é o que acontece depois do felizes para sempre? Ainda que o primeiro livro deixe brechas para sua continuação, ele é como um ciclo inteiro, que se fecha e deixa as expectativas pelo que está por vir direcionadas para essas partes faltantes do quebra-cabeça. Mas, o que temos nesse segundo volume vai bem além da mera continuidade de vilanias pela conquista de terras e poder.

Dividido em três partes: A Casa das Bestas, A Casa do Vento e A Casa da Névoa, que casam com os momentos da história, nesse segundo volume, continuamos a ver o desenvolvimento do arco de personagens principais, e, em especial, as consequências de Sob a Montanha. A questão é que a situação, que deveria abrandar-se em vários aspectos transforma-se num cárcere privado para a protagonista quando Tamlin, ao recupera-la dos braços da morte, se transforma no carcereiro que tememos (assim como a própria Feyre) que ele seria no primeiro livro.

“E diante daquela roca antiga, de costas para mim, estava a Tecelã. Os cabelos espessos eram do mais exuberante tom de ônix, descendo em cascata até a cintura fina conforme ela trabalhava na roca, e mãos brancas como neve alimentavam o aparelho e puxavam o fio ao redor de um fuso afiado como um espinho.”

E esse é um dos pontos mais bem trabalhados pela autora em toda a história, o desenvolvimento segue de modo bem delineado e não se tem a sensação de que mocinhos viraram vilões do dia para a noite e vice e versa. Ou melhor, é um ótimo lembrete de que os papéis de todos os personagens dificilmente se resumem a essa dicotomia de bem versus mal.

Em Névoa e Fúria, o que era o desabrochar do primeiro amor, se torna pequeno e insignificante diante da situação abusiva que Tamlin impõe a Feyre. O cárcere, o controle excessivo, características claras no primeiro livro mas que são extremadas agora, fazem com que a nova feérica queira se livrar de todas essas amarras. É uma ótima alusão a comportamentos e relacionamentos abusivos que estamos cansados de ver no mundo real. Todos os personagens estão marcados pelos acontecimentos do primeiro livro e suas reações são ecos disso e de suas personalidades. O problema é que Tamlin, incapaz de lidar com seus traumas e os de Feyre, transforma-se na besta de atitudes irracionais e controladoras que  pode colocar toda sua história a perder.

“Um anel de fios entrelaçados de ouro e prata, adornado com pérolas e encrustado com uma pedra do mais profundo e sólido azul. Safira… mas diferente. Eu jamais vira uma safira como aquela, nem mesmo nos escritórios de meu pai. Aquele… Eu podia jurar que à luz pálida, as linhas de uma estrela de seis pontas irradiavam pela superfície redonda e opaca. Rhys… aquilo tinha a marca de Rhysand.”

Ao mesmo tempo que a autora trabalha essa ideia, nos lembra do acordo que Feyre fez com Rhys no primeiro livro e é interessante observar como ela recorre ao conto de fadas que já inspirou a história, a Bela e a Fera, para trabalhar novamente a ideia de amor, cárcere e liberdade (e isso se mistura entre os três personagens que ganham foco: Feyre, Tamlin e Feyre). Alguns outros contos de fadas também servem de inspiração para outros momentos e personagens, mas citá-los um a um seria o mesmo que contar segredos que valem a pena conhecer na hora da leitura (os famigerados spoilers… rs).

A história então se desbrava em um mundo de novidades, tanto quanto conhecer a Corte Primaveril em Espinhos e Rosas, desbravamos agora a temida Corte Noturna e vamos conhecendo novos personagens, locais e, junto de Freyre, passando por um novo processo de autodescoberta e crescimento. Laços são estreitados, outros rompidos e a nova feérica descobre que algumas coisas o Caldeirão forjou antes mesmo de sua existência, mas que a capacidade de escolha é algo o qual pertence unicamente a ela.

“- Às pessoas que olham para as estrelas e desejam, Rhys.
[…]
– Às estrelas que ouvem e aos sonhos que são atendidos.”

Com os novos personagens apresentados à Feyre e, assim, ao leitor através da narrativa em primeira pessoa, é impossível não sentir um misto de desconfiança e curiosidade. E, nesse meio, é também impossível não adorar uma das mais queridas que surgem: Morrigan, ou, para os íntimos, apenas Mor. Um sopro de estrela da Corte Noturna que dá mais um bocado de lições sobre mulheres de garra e tenacidade (e, falando em tenacidade, temos também a enigmática Amren).

Um dos pontos altos de Névoa e Fúria é a figura chave que Feyre se torna após os acontecimentos de Sob a Montanha, e como a trama que fora iniciada no primeiro livro é desenvolvida e ganha a forma de uma batalha que envolve poder, controle e o destino das Terras Mortais e das Feéricas. Essa parte, o jogo de poder, é bem delineado e é impossível não ver-se especulando sobre os possíveis desdobramentos e manobras que serão seguidas.

“Éramos uma canção cantada desde a primeira brasa de luz do mundo.”

Recheado de cenas empolgantes e traços fluidos de desenvolvimento do enredo, Corte de Névoa e Fúria é um perfeito livro meio da trilogia de ACOTAR que se inicia com os desdobramentos das ações do primeiro livro e fundamenta-se em desenvolver os personagens e seus papeis para o que se espera ser uma grande batalha no último livro, Corte de Asas e Ruínas.

De uma maneira encorajadora, desbravando sentimentos, lugares e aqueles que se impõem contra sua liberdade, Feyre é uma personagem que inspira, que consegue adaptar-se às tempestades, desbravar mares e ainda sonhar com dias melhores. É, sem dúvidas, alguém que não pensa duas vezes em dar sua vida por aquilo que acredita e por aqueles a quem ama. Feyre é mais que Quebradora da Maldição, é descobridora e redescobridora de si e daqueles que a cercam.

“Verdade é mortal. Verdade é liberdade. Verdade pode quebrar e consertar e unir.”

Talvez as palavras anteriores já bastem para mostrar o turbilhão de sentimentos que essa leitura trouxe. Maas consegue mesclar a fantasia de seu mundo imaginário absorver inúmeros pontos de discussão intrínsecos ao nosso mundo real: uma perfeita sintonia entre magia e realidade.

Aleatoriedades
  • A série de livros, conhecida como ACOTAR (A Court of Tonrs and Roses, no original) é composta dos livros Corte de Rosas e Espinhos, Corte de Névoa e Fúria e Corte de Asas e Ruínas. Um spin-off intitulado Corte de Gelo e Estrelas foi lançado no fim do ano passado e é um bônus dos acontecimentos do último livro, já que a saga em si se fecha com os três livros.
  • A leitura de Corte de Névoa e Fúria foi feita com a Kaká dO Reino das Páginas e é só clicar aqui para conferir a resenha dela.
  • Pensei muito sobre as fotos para esse livro, mas tentei seguir algo um pouco diferente das fotos do primeiro volume, e então, fiz algo com menos elementos na foto e dei destaque pro livro em si e pro anel, que achei muito a cara do anel que é bem significativo nessa história. Essa pedra me lembra muito a Corte Noturna!
  • Fiquei devendo um post de influências do primeiro livro, mas revolvi fazê-lo depois que terminar a saga. Quero falar disso sobre os outros livros também, então, ele sai depois que eu finalizar a leitura dos quatro livros.

Que a Força esteja com vocês!

Ouvindo: only the deepest thing inside myself…