Resenhas

A Garota que Lia as Estrelas ♥ Kiran Millwood Hargrave

A Garota que Lia as Estrelas
Kiran Millwood Hargrave
Editora Jangada
“Cada um de nós carrega o mapa de nossa vida impresso na pele, na maneira como caminhamos, até mesmo na maneira como crescemos, dizia papai.”

Sobre a Autora

Kiran Millwood Hargrave nasceu em Londres, em 1990. Estudou nas Universidades de Cambridge e Oxford, e é poetisa e dramaturga premiada. Seus escritos a levaram das florestas do Canadá às montanhas do Japão. Foi vencedora em 2017 da categoria livro infantil dos prêmios Waterstones e British Book; finalista do prêmio Jhalak de livro do ano por Writer of Colour; finalista do prêmio Branford Boase de 2017; finalista do Little Rebels de 2017 e indicada para a Carnegie Medal de 2017. A Garota que Lia as Estrelas é seu primeiro romance.

Sinopse

Isabella mora numa ilha cercada de lendas e sonha em visitar as terras distantes que seu pai, um cartógrafo, um dia mapeou. Quando sua melhor amiga desaparece, ela decide fazer parte da equipe de busca e, guiada por mapas antigos e o conhecimento que tem das estrelas, viaja pelos Territórios Esquecidos da ilha, repletos de perigos e criaturas horríveis. Mas sob os rios secos e florestas mortas, uma lenda está despertando de seu sono…

A Garota que Lia as Estrelas

Isabella mora na ilha de Joya cercada em sua casa pelos mapas que seu pai, Riosse, o único cartógrafo de toda a ilha, ainda preserva. Isso porque o novo Governador não quer saber de ninguém explorando outras terras, sejam elas no além-mar, sejam os territórios proibidos da própria Joya.

Os dias pacatos na vida de Isabella cessam quando um evento aterrador ocorre na ilha e um caos digno de guerra civil esgueira por cada esquina de Joya. Como se tudo isso não bastasse, eventos estranhos acontecem e sua melhor amiga, Lupe, filha do Governador, desaparece. Uma comitiva de busca é montada e Isabella usa seus conhecimentos em cartografia para conseguir fazer parte da expedição. A aventura está apenas começando.

“As estrelas são os mapas mais antigos, os mais precisos. Elas podem dizer onde você está melhor do que uma bússola – afinal, têm uma visão panorâmica. Se você aprender a ler as estrelas, jamais se perderá.”

Talvez seja difícil explicar como uma história tão pequena pode ser tão completa e que, claro, entrou para a lista de favoritos do ano. Obra da autora, sem dúvidas, que tem uma narrativa ágil, balanceada, bonita e capaz de prender o leitor em todas as páginas da trajetória de Isabella. É exatamente assim que o livro se mostra: personagens complexos, reais, um enredo fascinante, uma aventura fantástica e ensinamentos profundos e necessários.

Em A Garota que Lia as Estrelas, Isabella é nossa heroína. Não apenas por ter em suas veias o sangue de uma cartógrafa decidida a desvendar novas terras, mas por ser alguém que se preocupa com o outro e, especialmente com Joya, a ilha que é seu lar.

“Todas as coisas têm um ciclo, Isabella, um hábito de retornar ao lugar de onde vieram. As estações, a água, as vidas, talvez até mesmo as árvores. Nem sempre você precisa de um mapa para encontrar seu caminho de volta. Embora muitas vezes isso ajude. E então, no que você acredita?”

Uma das coisas mais bonitas que a personagem consegue demonstrar é a força que suas crenças podem ter. Mesmo quando criticada, questionada e desacreditada, ela sabe o que é real e pelo que vale a pena lutar. Não desiste daquilo ao qual foi ensinada e tem um espírito capaz de ver além do que está escrito nas linhas dos mapas aos quais fora ensinada a ler e confeccionar.

E, falando em mapas, o livro traz ainda uma relação pai e filha linda de se ler, o cartógrafo nutre um amor pelos mapas tão grande que foi passado para a filha, a nossa leitora de estrelas. E, sem dúvidas, é uma relação natural, cheia de nuances, que traz muita riqueza para a história, tanto quanto as relações de amizade que são apresentadas, com os personagens de Lupe e Pablo. E não podemos esquecer que a história contada tem sua própria história, com pesos do passado que reverberam nos personagens, especialmente na família de Isa e do Governador.

“Papai não acreditava no destino, mas em cada decisão afetando a próxima, como um grito iniciando um deslizamento de terra.”

É incrível como, através de Isa, desbravamos as lendas que permeiam as terras de Joya ao mesmo tempo que encontramos debates e questionamentos tão similares aos das terras menos míticas nas quais vivemos. São pontos que vão desde o papel das mulheres na sociedade à regimes totalitários. É impossível ler e ficar alheio aos dramas e dificuldades dos personagens, tanto quanto não se pegar imaginando que cada uma das lendas, são verdadeiras. Afinal, toda lenda vem de algo verdadeiro, mas que aconteceu há muito tempo…

A jornada de Isa é a jornada de Joya, é o desabrochar de uma menina e de uma ilha inteira. É aprender que forças maiores do que nós regem a terra que pisamos, mas que cada passo que damos, é capaz de definir para onde iremos a seguir. É saber que toda luta tem seu preço e que continuar em frente, é a melhor maneira de se lembrar de tudo que lhe foi cobrado.

Com A Garota que Lia as Estrelas, é possível se apaixonar por cartografia, desejar poder desbravar terras desconhecidas, saber se guiar por labirintos e ter a certeza de que a garra de uma garota jamais será sobrepujada por qualquer perigo, seja ele dos homens que comandam a terra, seja ele proveniente de seres lendários.

Aleatoriedades
  • Sem palavras para descrever essa edição recebida em parceria com a Editora Jangada! Além da capa linda, temos mapas nas guardas e também, várias ilustrações e outros mapas que remetem à história, nas páginas do miolo. O papel é amarelado e de ótima gramatura e a diagramação boa para a leitura.

  • A classificação do livro é infanto-juvenil, mas esse é daqueles casos que a história sem dúvidas é sutil o suficiente para as mentes jovens e madura o suficiente para adultos. Recomendo muito para quem curte fantasia, histórias inspiradoras e que sejam leituras rápidas. Esse dá pra devorar em um dia!

A Garota que Lia as Estrelas está disponível na Amazon em versão física e e-book e, comprando pelo link do blog, você contribui com o Retipatia, sem gastar nada a mais com isso!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia
Ouvindo: Grow Old With Me – Tom Odell

2 Comments

  1. Estou de olho nesse livro faz um tempo, e sua resenha me deu mais vontade de ler, ficou poética, mais uma vez amei suas fotos principalmente quando descobri que nosso cartografo andou conhecendo Prythian minha amada terra dos feéricos rsrs.

    1. Oi Tatiane!
      Ahhh leiaaaa! Feliz que a resenha tenha te chamado ainda mais para a leitura, eu gostei tanto que, às vezes, não sei se a resenha é capaz de expresar. Feliz que gostou das fotos também! ahahah Siiiim, reconheceu direitnho! Também amo Prythian! 🙂 <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

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