Resenhas

Leah Fora de Sintonia ♥ Becky Albertalli

Leah Fora de Sintonia
Becky Albertalli
Intrínseca
“Imagine passar cada minuto do dia com a certeza de que alguém está pensando em você. Essa deve ser a melhor parte de estar apaixonado — a sensação de ter um lar na mente de outra pessoa.”

Sobre a Autora

Becky Albertalli é psicóloga, o que lhe proporcionou o privilégio de trabalhar com muitos adolescentes inteligentes, estranhos e irresistíveis, e por sete anos foi orientadora de um grupo de apoio em Washington para crianças com não conformidade de gênero. Mora em Atlanta com o marido e os dois filhos. Simon vs. a agenda Homo Sapiens é seu primeiro livro.

Sinopse

Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça.

Nesta sequência do sucesso Com Amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos.

Em Leah fora de sintonia, Becky Albertalli mostra por que é uma das vozes mais importantes e necessárias de sua geração. Sem nunca soar didática, a escritora lança mão dos mesmos ingredientes que tornaram Com Amor, Simon um sucesso mundial: a leveza, o senso de humor, a representatividade e a certeza de que vale a pena contar histórias sobre jovens que podem até estar perdidos, mas estão determinados a encontrar seu caminho.

Leah Fora de Sintonia

As batidas da vida de Leah estão totalmente fora de sintonia. Não interessa que ela toque numa banda como baterista e que seus desenhos no Tumblr sejam sempre elogiados. Tudo está fora do ritmo, é o último ano de escola e ela odeia despedidas. Tem o namorado da mãe, Wells, que ela não suporta. Tem também o fato de ela não saber se gosta ou não do garoto que aparentemente gosta dela. Ah, e tem também o fato de que seu coração deu pra reviver sentimentos que ela jurava estarem bem enterrados. Ou que ela preferiria negar já terem existido. Isso tudo, é claro, sem deixar de lembrar que ela odeia todo e qualquer tipo de clichê. São tão desnecessários quanto a necessidade de reafirmar seus sentimentos para qualquer pessoa que a conheça.

Essa é Leah. Ou, por assim dizer, parte da confusão que é essa adolescente que nos foi apresentada em Com Amor, Simon (ou Simon vs. A Agenda Homo Sapiens), o livro de estreia da Becky Albertalli. Leah é uma das amigas de Simon e, em Leah Fora de Sintonia, o leitor entra na mente da garota que é um mistério confuso ambulante. Mas, afinal, qual adolescente não é!?

Uma das partes mais interessantes da história de Leah é que não há um elemento de mistério que seja o fio condutor da trama, como temos no livro do Simon. Aqui, o que temos é a profusão de sentimentos que o último ano escolar pode gerar, com o fim de um ciclo e as expectativas para o ingresso na faculdade e todas as mudanças que estão por vir, unidos aos sentimentos conflituosos sobre amor que surgem ao longo dos dias da personagem.

Ainda assim, a história cativa e prende, e, por aqui, ainda mais que o primeiro. Leah tem a sensação de ser impostora em sua própria vida, em sua pele, no seu círculo de amizades, na sua família, na escola e em qualquer lugar que ela esteja. Claro que não é um sentimento onipresente que a domina o tempo inteiro, mas está lá, dando conselhos errados e fazendo-a se sentir inferior e menos importante que as outras pessoas, com frequência.

Isso a leva não apenas a ter essa constante ideia de fora de sintonia, mas também de estar sempre se autossabotando. Nada do que ela faz é bom o bastante. Ela não é boa o bastante e, assim, querendo não errar, não passar ridículo, ela não arrisca. Seu perfeccionismo a emperra, a deixa estagnada na maior parte das coisas que deseja ou sonha fazer. Então, ela simplesmente não tenta, não faz, deixa de lado. Finge que não se importa, quando, na verdade, só queria que as coisas se encaixassem, uma vez sequer, com harmonia em sua vida.

Além disso, ela tem que lidar com questões que lhe são de difícil assimilação, nem tudo são rosas no último ano. Defender uma ideia que ela julga correta pode custar amizades de toda uma vida e nem sempre é possível seguir o seu coração sem que outras pessoas fiquem magoadas pelo caminho (ela, inclusive).

Apesar de ela ter certeza de ser bisexual, esse é um assunto que ela guarda a sete chaves dos seus amigos. Não que ela não queira contar, mas, às vezes, é tudo bem mais difícil do que ela esperava que fosse. Os sentimentos nem sempre são fáceis de lidar e ela sempre acha que perdeu o compasso, o timing. E agora, a melodia só segue descompassada.

Uma das coisas mais legais da história é que, mesmo que estejamos na mente de Leah, além de ser uma delícia rever a galera que conhecemos em Com Amor, Simon, as referências adolescentes rendem boas risadas e detalhes que já passaram pela mente de boa parte de quem já foi ou é adolescente. Desde a relação com o álcool à uma simples – não tão pequena – obsessão por Harry Potter, Leah tenta se manter fora dos típicos clichês adolescentes, sendo que, ao tentar fazer isso, torna-se o próprio “clichê anti-clichês” que já se viu antes. É bom alguém lembrar pra ela que a maior parte da vida é feita de clichês.

A narrativa da história, que segue os pensamentos de Leah, é fluida e leve, como a autora já mostrou que é seu domínio no seu primeiro livro. Neste, ela consegue dar tom à personagem, desenvolver os dramas adolescentes e deixar mensagens inspiradoras e importantes, trazendo temas como racismo (especialmente aquele institucionalizado, que muitas vezes passa despercebido pelas pessoas) e sexualidade.

Com a Leah Fora de Sintonia, vamos ver mais de Simon e Bram, Nick e Abby, Garret e ainda muito mais de outros personagens que conseguem cativar pela simples existência. Iremos ver relacionamentos se aperfeiçoarem, alguns nem tanto assim, e, especialmente, vamos ver o abrir de olhos de Leah para o mundo ao seu redor, para aqueles que a cercam, já que, mais importante de tudo, amar a si, respeitar seu tempo, seus defeitos e qualidades, é uma das coisas mais importantes que podemos fazer por nós mesmos. E, ainda por cima, sem deixar de lado uma boa dose de romance.

Um único detalhe que a história deixou foi a sensação de que tudo se “encaixou” um pouco bem demais no fim das contas. Sabe quando todas as coincidências acabam por ser favoráveis à personagem no fim do dia!? Foi mais ou menos a sensação que ficou, ainda que eu possa e deva dizer que gostei ainda mais desse livro do que de Simon. Talvez isso seja porque eu, apesar de já não ser adolescente há algumas eras, continuamente me encontro fora de sintonia, tanto quanto a protagonista.

“… esse não é o final feliz que imaginei. Não é um final de jeito nenhum. Mas é meu. Todo esse momento é meu.”

Leah Fora de Sintonia é, sem dúvidas, um romance fofo, leve e divertido. Uma batida perfeita para um rearranjo musical capaz de fazer qualquer leitor querer ver a vida de um modo diferente: com muito mais sintonia!

Evento Intrínseca Fãs da Becky Albertalli

Esse é o segundo post da semana para falar dos livros da Becky Albertalli: Com Amor, SimonLeah Fora de SintoniaOs 27 Crushes de Molly e E Se Fosse A Gente?, o livro mais recente e escrito com o autor Adam Silveira.

O motivo dessa mini maratona é porque a Intrínseca preparou um fim de semana cheio de eventos para os Fãs da Becky Albertalli, nos dias 27 e 28 de julho! Aqui em Beagá irei mediar o evento junto ao blog Coisas de Mineira e em parceria com a Livraria Leitura Shopping Cidade. Dá pra conferir mais clicando no banner:

Leah Fora de Sintonia e outros títulos da autora podem ser adquiridos na Amazon! E comprando pelo link do blog, você ajuda o Retipatia, sem gastar mais nada com isso!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia
Ouvindo: Oh Wonder – Without You (pra não assumir pra Leah que é Don’t Stop Believing que está na minha cabeça…)

9 Comments

  1. Gisele Thais says:

    Parece ser um livro tão fofo, qual o adolescente que não vive a fase de estar fora de sintonia né?! Até hoje às vezes ainda me sinto assim, não li nenhum livro da autora ainda mas vontade não falta.. ainda mais depois da sua resenha que é tão explicadinha e deliciosa de lê!!

    1. Oi Gisele!
      Ah pode ter certeza que é super fofo! E acho que a vida inteira a gente pode cair nessa de perder a sintonia, na adolescência então, nem se fala! ehehe Vale a pena ler se você gosta de leituras leves, fofas, divertidas e cheias de mensagens importantes! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  2. Bruna Lopes says:

    Leah, não dá pra confiar ou gostar de quem não gosta de Harry ! Já quero ser sua amiga sem nem ter lido seu livro ainda

    1. Oi Bruna!
      ahahah eu também acho que não dá pra confiar em quem não gosta de HP! Vale a pena conhecer a Leah! 😉
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  3. Gisele Thais says:

    As tuas resenhas são maravilhosas e suas fotos então!! Deve ser uma história muito fofa..

    1. Oi Gisele!
      Ah feliz que goste das resenhas e dos cliques! <3 E sim, o livro é muito fofo!
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  4. […] dos livros da Becky (a autora já lançou Com Amor, Simon, Leah Fora de Sintonia e E Se Fosse A Gente?, este último com o autor Adam Silvera), Os 27 Crushes de Molly seja o mais […]

  5. Eu AMO essa conclusão geral de que ser anti clichê acaba se tornando também um grande clichê! Acho que é uma das partes legais de personagens como a Leah, o fato de que mesmo querendo ser diferente de todo mundo elas acabam aparecendo na vida real, aqui e ali. Também acho bacana a autora escrever sobre uma menina bissexual, que ainda é um tabu muito grande pra nossa sociedade de um modo geral, mesmo pessoas com a mente menos fechadas para a sexualidade dos outros acaba virando o nariz pra pessoas que não são monossexuais. Depois do evento da Leitura foi o que fiquei com mais vontade de ler!

    1. Oi Luly!
      Ahhh eu também! Eu acho que a vida em si é um grande balde de clichê, é impossível não recair nisso, por mais que se tente, como a Leah faz constantemente. E super concordo sobre a questão da Leah ser bissexual e a opção da Becky em retratar isso. Ainda mais com essa questão já sendo consolidada para a personagem, que está em crise em outros departamentos da vida dela, por assim dizer. Super recomendo que leia sim, acho que você vai curtir! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

Repense, renove, rediscuta...