Resenhas

Razão & Sentimento ♥ Jane Austen

Razão & Sentimento
Jane Austen
Editora Nova Fronteira
“Não são o tempo nem a oportunidade que determinam a confiança; só a índole o faz. Para algumas pessoas, sete anos não seriam suficientes para solidificar uma amizade, ao passo que, para outras, bastam apenas sete dias.”

Sobre a Autora

Romancista britânica nascida em Steventon, Hampshire, Inglaterra, cuja obra literária deu ao romance inglês o primeiro impulso para a modernidade, ao tratar do cotidiano de pessoas comuns com aguda percepção psicológica e um estilo de uma ironia sutil, dissimulada pela leveza da narrativa. Filha de um pastor anglicano, toda a sua vida transcorreu no seio de um pequeno grupo social, formado pela aristocracia rural inglesa. Aos 17 anos, escreveu seu primeiro romance, Lady Susan, uma paródia do estilo sentimental de Samuel Richardson. Seu segundo livro, Pride and Prejudice (1797), tornou-se sua obra mais conhecida, embora, inicialmente, tenha sido malvisto pelos editores, o que levou por algum tempo ser descriminada no meio editorial. Depois conseguiu publicar o romance Sense and Sensibility (1811), cujo sucesso levou à publicação, ainda que sob pseudônimo, de obras anteriormente recusadas. Vieram ainda outros grandes sucessos como Mansfield Park (1814) e Emma (1816) em um estilo menos ágil e humorístico, porém ganhando em serenidade e sabedoria, sem perda de sua típica ironia. Morreu em Winchester, um ano antes de serem publicadas as obras Persuasion e Northanger Abbey, uma deliciosa sátira, escrita na juventude, ao gênero truculento da novela gótica. Seu poder de observação do cotidiano forneceu-lhe material suficiente para dar vida aos personagens de suas obras, e a crítica considerou-a a primeira romancista moderna da literatura inglesa.

Sinopse

Publicado originalmente em 1811, Razão e sentimento é considerado o primeiro grande romance inglês do século XIX e é uma das principais obras de Jane Austen. O livro narra a história das irmãs Dashwood, que, após a morte do pai, precisam deixar o conforto da mansão onde moram para vivem em um chalé em Barton Park. Nesta nova fase da vida, terão que lidar com as convenções de uma sociedade extremamente rígida, em que sofrerão as desilusões e os desafios da busca pelo amor.

Razão & Sentimento

A família Dashwood acaba de perder o patriarca e, como se o fato não fosse significante o bastante, a Senhora Dashwood e suas filhas, Elinor, Marianne e Margaret, precisam deixar Norland Park, a propriedade na qual viveram, já que as mulheres não possuem direito de herdá-la, tendo sido então passada para o parente homem mais próximo: Henry Dashwood.

Alguns meses de convivência com o novo proprietário e sua esposa são suficientes para que Elinor consiga convencer a mãe de que a oferta de a oferta de Sir John Midletton, de um cottage em Devonshire, soe a melhor das propostas.

“Ainda não consegui distinguir a estima do amor.”

A mudança de casa traz o ambiente para o desenvolvimento de Razão e Sentimento, tão bem balanceado com as duas protagonistas da trama: a austera e sensata Elinor, a mais velha das irmãs Dashwood e Marianne, jovem, inocente, impulsiva e, ao mesmo tempo, tão parecida com a mãe.

As irmãs funcionam durante toda a trama como dois lados da mesma moeda, dois contrapontos que trarão desfechos e desenlaces para a trama das Dashwood. São extremamente diferentes em conceitos, crenças e prioridades. Enquanto uma preza pelo balanço da razão, pela sensatez, pelo controle das suas ações e até mesmo de seus sentimentos, a outra é efusiva, quer viver-sentir-ser tudo que pode e tudo que está ao seu alcance, sem medir consequências.

“Não são o tempo nem a oportunidade que determinam a confiança; só a índole o faz. Para algumas pessoas, sete anos não seriam suficientes para solidificar uma amizade, ao passo que, para outras, bastam apenas sete dias.”

Apesar da obviedade da relação do título do livro com as irmãs Dashwood, a história não se prende apenas à essa mescla. Junto à personagens intrigantes, cativantes e, por vezes, que trazem revolta diante de suas ações, as vidas de Elinor e Marianne ganha destaque à medida que alguns cavalheiros começam a fazer parte da trama. São eles Coronel Brandon, John Willoughby e Edward Ferrars. Três para dois e o resultado é um triângulo amoroso envolvendo a mais extasiante das irmãs, e, de outro lado, um condão de um amor que nasce e é regado pelo sentimento forte, mas arraigado, que precisa da cautela para deixar-se vencer as dificuldades.

Uma das características de escrita de Austen que mais me agrada é o modo como seus personagens são capazes de falarem por si só, enquanto a trama se desenrola. Uma ou outra descrição norteia o leitor, a princípio, mas, de fato, conhecer, seja Elinor, Marianne ou qualquer dos outros, ocorre mesmo quando falam com suas palavras e atos. Sem dúvidas, construções que cativam, surpreendem e que mantém uma fidelidade incrível ao longo de toda a história.

“Às vezes somos levados pelo que as pessoas dizem de si próprias, e muito frequentemente pelo que as outras dizem delas, sem nos darmos tempo para deliberar e julgar por nós mesmos.”

Como toda trama de Austen, Razão e Sensibilidade não se resume em um romance romântico, em que belas jovens de repente caem em amores e tudo que acontece se resume aos desejos de matrimônio. A história fala muito sobre diferenças econômicas e sociais, sobre o papel da mulher na sociedade da época, tanto quanto de jogos de poder feitos por debaixo dos panos pelos mais diversos motivos e interesses. Aliás, o interesse aqui, jamais será medido puramente por paixão, mas o dinheiro, a posição social, estes são ainda mais audíveis que o cantarolar de uma jovem recém-apaixonada. Aliás, importante dizer que os jogos, em sua maioria, são jogados pelas próprias mulheres, são elas o foco do romance e conduzem aqueles ao seu redor (inclusive seus maridos), como peças a alcançar seus desejos e objetivos.

Sem dúvidas, Jane Austen estava além de seu tempo. A crítica social que ela estampa na história, aparece de diversas formas, sob cada personagem que fora criado e inserido na trama. É impossível não ler e pensar o quanto da época ainda surte seus efeitos nos tempos atuais e tanto quanto algumas coisas parecem imutáveis, mesmo tanto tempo depois.

Inclusive, apesar do furor que as obras da autora costumam causar contemporaneamente por causa de seus romances bem elaborados, o espírito literário que a alçou à época do lançamento de seus livros, fora bem mais pelas críticas à sociedade intrínsecas às histórias. Essa visão de que os livros se tratam apenas de romances românticos (com o perdão da aparente redundância), leva ainda ao fato de que as obras costumam ser relacionados à uma leitura que tende apenas ao público feminino. O que, de modo algum, está perto de ser uma verdade. Em primeiro lugar, por não crer que exista, de fato, uma leitura para mulheres e, de outro, que é um preconceito para com o tipo de literatura que tende apenas a colocar as obras supostamente ‘femininas’, como inferiores e menos importantes que as demais. Jane Austen é, sem dúvidas, uma leitura enriquecedora para qualquer leitor.

“Não necessito de palavras quando as ações falam por si mesmas.”

Aleatoriedades
  • A edição que aparece nas fotos da Editora Nova Fronteira, intitulada de Razão e Sentimento, é de tradução de Ivo Barroso, e é das poucas no Brasil que não segue a tradicional versão do título de Razão e Sensibilidade (fora as edições da Nova Fronteira, encontrei apenas uma, da L&PM Pocket, que leva Sentimento no título). A edição também faz parte do primeiro volume do box de obras de Jane Austen, que acompanha também Orgulho e Preconceito e Persuasão.
  • Razão e Sensibilidade já teve algumas adaptações em seriados de tevê, mas talvez a obra mais conhecida seja a adaptação para o cinema de 1995 com direção de Ang Lee e roteiro adaptado de Emma Thompson, e que tem Emma Thompson no papel de Elinor, Kate Winslet como Marianne, Hugh Grant como Edward Ferris e Alan Rickman como Coronel Brandom. A versão é romântica e tem enfoque nos enlaces e desenlaces amoroso dos personagens, mas ainda assim, mantém parte do espírito da obra de Austen e é uma boa adaptação (inclusive, premiada com o Oscar de melhor roteiro adaptado).
  • Razão e Sentimento e outras versões de Razão e Sensibilidade estão disponíveis na Amazon em versão física e em e-book!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia
Ouvindo: Shake It Out – Florence and the Machine (only in my mind…)

8 Comments

  1. Boa noite, cara mia…

    Não é o meu favorito, mas gosto imenso dos desenhos que se seguem… embora não tenha gostado nada desse box, do qual já me livrei. Dei de presente e fiquei com o meu livrinho antigo. Gosto imenso (você sabe) da maneira como Jane Austen descreve as cenas e dá vida próprias as suas personagens… deixando no ar algumas considerações, como as idades de uns e outros. Sempre achei curioso como o Coronel Brandon se interessa pela caçula ingênua e tola que quer viver tudo, atitude própria da juventude e seus rompantes. Ele não se interessa pela matriarca (velha para amar, viver um nova paixão, coisa que segue-se aos dias de hoje. Madona que o diga…
    De qualquer maneira, discordo do final, não deixaria a birrenta Marianne com o Brandon, ele merecia mais… acho que merecia a Lionor com quem se entende e consegue dialogar. A jovem é bonita, talentosa… mas, não consigo imaginar qualquer diálogo com entre eles. rs
    Ah, sim, naquele tempo acreditava-se que o casamento mudava as pessoas, rá

    bacio

    Ps. é café na xícara?

    1. Oi Lunna!
      ahaha Eu gosto muito desse box, adoro as capas e gosto da versão da Nova Fronteira, apesar de no título preferir a tradução como Sensibilidade e não Sentimento.
      Também gosto disso na Jane Austen, ela traça os personagens de um modo que são eles a contarem a narrativa através de seus atos, gosto como cada um se revela aos poucos. Acho interessante também o interesse do Coronel Brandon, mas acho que a singularidade da situação está exatamente aí. E sim, eu deixaria Marianne com Brandon, porque não suporto Willoughby e tenho Marianne em mais alta estima que você (você também sabe disso ahahah).
      E sim, casamento não muda ninguém… rsrsrs
      Obrigada pela visita!
      xoxo

      p.s.: sim, café. Café cinematográfico. O restinho que fica na garrafa de café quando minha mãe faz pela manhã, vira objeto de cena na hora das fotos… ahaha Continuo sem beber café.

  2. Que belíssimas fotos que vc fez, uma delicadeza que combina com as histórias. Esse box é um dos meus desejados para colocar no cantinho Jane Austen, especial na minha estante com as edições da Martin Claret. Conhecia Jane Austen por filmes e esse ano estou lendo esses clássicos e me encantando com a escrita dela,uma mulher tão atual naqueles tempos. Até agora li Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, mas pretendo ler o restante até final do não.

    1. Oi Tatiane!
      Ah feliz que tenha gostado das fotos, sempre tento passar um clima que combine com a leitura! <3 Adoro esse box e ele merece mesmo estar junto das edições da Martin Claret, eu também adoro todas elas! Sem dúvidas uma autora incrível e além de seu tempo! Leia os outros sim, a experiência é incrível. Amo Persuasão e estou lendo Emma e curtindo bastante! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  3. Gisele Thais says:

    Dentre todas as resenhas que já vi sobre as obras da Jane Austen, me fizeram desejar ler Emma, e todas as edições que vejo são maravilhosas.. eu acho todas lindas!! Um dia eu leio Emma, aí se gostar leio o restante rsrs

    1. Oi Gisele!
      Ah bem legal que seu interesse seja pela Emma, acho que é das obras menos queridas da Jane Austen, mas estou lendo e gostando também. E acho que deveria dar uma chance para todos os livros dela, inclusive Razão e Sensibilidade! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  4. Samara Alves says:

    Gostei do seu artigo, sempre com dicas e informações importantes. Seu site é um dos meus sites favoritos que estou sempre visitando..

    Parabéns!

    Meu Blog: Apostando em Loterias

    1. Oi Samara!
      Feliz em saber, obrigada pela visita!
      xoxo

Repense, renove, rediscuta...