Resenhas

Areia Movediça ♥ Malin Persson Giolito

Areia Movediça
Malin Persson Giolito
Intrínseca
“Você sabia disso: que o sangue jorra com muita força? Que é impossível detê-lo com as mãos?”

Sobre a Autora

Malin Persson Giolito nasceu em Estocolmo, na Suécia em 1969, e cresceu em Djursholm. Trabalhou como advogada para o maior escritório de advocacia da região nórdica e como funcionária da Comissão Europeia em Bruxelas. Areia Movediça é seu mais recente romance, vendido para 29 países e adaptado como série pela Netflix. Malin mora em Bruxelas, Bélgica, com o marido e as três filhas.

Sinopse

Toda história tem mais de um lado. Em qual deles você vai acreditar?

A vida de Maja Norberg parecia incrível: ela era jovem, bonita, inteligente e popular. Nada iria dar errado. Até que houve o tiroteio na escola: seu namorado e sua melhor amiga estão mortos e ela é a única acusada dos crimes. Maja não consegue refazer mentalmente os caminhos que a colocaram nessa situação, mas uma coisa é certa: ela é a adolescente mais odiada da Suécia.

Após nove meses na prisão, é hora do julgamento. Os advogados estão usando todos os recursos possíveis para provar sua inocência, mas a promotoria, a mídia e os olhares de todos à sua volta nitidamente desejam o oposto.

Narrado do ponto de vista de Maja, que trata o leitor como um confidente, Areia movediça entrelaça as memórias da garota a um cenário de tensão racial e econômica que, aos poucos, ajuda a revelar as peças de um surpreendente quebra-cabeças. Panorama perspicaz de uma juventude desmoronando, o livro toca em temas como imigração, conflito de classes e o isolamento adolescente, embalados por uma ótima narrativa de crime e tribunal.

Areia Movediça

O primeiro relato é esse: a sala de aula. O caos. Os corpos estirados. Sangue. O odor de sangue e pólvora. Mas uma alma permanece viva em meio ao caos: Maja. Ou Maria Norberg, conforme consta na Denúncia do Caso B 147/66.

É assim que somos introduzidos à narrativa confidente de Maja, uma garota presa há nove meses, prestes a ser julgada. Os procedimentos legais lhe parecem confusos, contraditórios e tudo à sua volta parece que está prestes a desmoronar e a sufocar-lhe. Agora, no primeiro dia do julgamento, as memórias que ela preferia não ter, são reavivadas nas palavras da acusação e de sua defesa.

Seja como for, o véu que cobre os acontecimentos do fatídico dia em que várias pessoas foram assassinadas na antiga escola de Maja, incluindo sua melhor amiga, Amanda e seu namorado, Sebastian, está prestes a ser revelado. As perguntas vão desde quem é Maja e se, afinal, ela participou de tudo aquilo. Ela tramou junto à Sebastian para a execução em massa? Afinal de contas, quem é culpado de quê nesse história sangrenta?

O júri pode até ser composto apenas por juízes na Suécia, mas a mídia já é a voz do povo, Maja é uma assassina cruel, de sangue frio, que tramou uma vingança. O que ela ou Sebastian pretendiam não importa muito, a única coisa que importa é que alguém pague por isso, que alguém seja punido.

“O réu é inocente até que o tribunal decida o contrário. Que tipo de afirmação estranha é essa? Ou você é inocente o tempo todo, ou então é culpado desde o início.”

As areias começam a engolir parte por parte de Maja enquanto seguimos seu relato. A cada pedaço vamos descobrindo uma pista do que aconteceu sob seu ponto de vista e, ao mesmo tempo, os relatos que são feitos pela acusação, que está certa de sua participação nos crimes e na execução de alguns deles.

Na verdade, é quase como se a areia movediça funcionasse de efeito revés, vai regurgitando Maja aos poucos, grão por grão a descobrindo. A ela e, claro, a todos que já foram enterrados à sete palmos do chão. Se são todos inocentes ou culpados, é sempre difícil dizer, mas uma certeza há: nada é exatamente tão simples ou claro como parece à primeira vista.

Areia Movediça tem uma narrativa separada em partes, mas que mantém a linha narrativa de modo a deixar o leitor curioso e interessado. Não apenas pela sentença de Maja, mas também, para o que exatamente aconteceu antes do assassinato em massa.

Esse tipo de história geralmente têm outro ponto de vista, são as vítimas que têm vozes, aquelas que foram caladas pelas balas. Mas, de todo modo, aqui, não se sabe exatamente quanto começa e quando termina o papel de vítima e culpado. A responsabilidade de cada um, com o que acontece com seu futuro, de fato, até onde vai?

“Li em algum lugar que ‘a verdade é aquilo em que escolhemos acreditar’ – o que parece ainda mais insano, se é que isso é possível. Como alguém pode simplesmente decidir o que é verdade e o que é mentira? Quer dizer que as coisas podem ser tanto reais quanto inventadas, dependendo de a quem se pergunta? Se alguém em quem confiamos diz algo, então nesse caso podemos concluir que é verdade, podemos ‘decidir que isso é verdade’. Como alguém pode ter pensando em algo tão idiota: Se alguém me dissesse que ‘escolheu acreditar em mim’, na mesma hora eu saberia que essa pessoa está convencida de que estou mentindo, mas prefere fingir o contrário.”

O livro ainda retrata uma juventude corrompida. Corrupção essa que não vem com a desculpa de ‘pobres meninos ricos‘, mas está ligada à família, ao dinheiro, poder, relacionamentos e drogas. A violência não é simples sintoma, é também resultado de todo o ambiente no qual os jovens estão inseridos.

É ainda interessante notar o desenrolar dos fatos com a própria protagonista. Ela é incógnita por boa parte da narrativa, junto aos acontecimentos. Se mostra pouco a pouco e deixa claro que, seja lá quem você for, vivo ou morto, as aparências sempre podem enganar…

Uma leitura instigante e inteligente, que vai falar tanto sobre a espera de um julgamento de um crime ainda não muito claro, tanto quanto sobre as capacidades do ser humano, sejam elas para o bem ou para o mal.

Aleatoriedades
  • Areia Movediça foi recebido em parceria com a Editora Intrínseca (obrigada por essa parceria do amor!)!
  • O livro deu origem à uma série sueca da Netflix, que estreou em abril deste ano e conta com seis episódios na sua primeira temporada. Alguém aqui está ansiosa para assistir depois de ter terminado essa leitura incrível!
  • As fotos com cacos de vidro foram uma coincidência, já que eles deveriam ter sido descartados depois de um porta-retratos quebrado e, acabou que ficaram numa caixinha guardados, indo parar nos cliques desse livro…
Areia Movediça da Malin Persson Giolito está disponível na Amazon!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia
Ouvindo: nothing but my thoughts…

8 Comments

  1. Lendo sua resenha lembrei de uma série da Netflix pouco falada e que já foi cancelada pela própria Netflix, porém ainda está no site, a série chamasse American Vandal e trata sobre crimes menores, envolvendo alunos também, e quando eu li ” Toda a história tem mais de um lado. Em qual deles você vai ficar?” Lembrei muito dela pelo fato de que a vítima nem sempre era toa inocente assim, e o culpado nem sempre é tão culpado assim. Eu sei que pelo o jeito que eu expliquei não deu para entender muito porém se você gostou desse livro, te indico essa série que é perfeita demais ( eu sou a @girljolarim do insta, a que está particando do seu projeito(?))

    1. Oi Helza!
      Ah já me recomendaram esse série, parece mesmo fantástica! Não havia pensado nela quando li o livro, mas agora que você falou, tem mesmo uma relação, olhando pelo lado da juventude dos alunos. Valeu a dica!
      Ah e valeu por falar de qual ig, assim é mais fácil de eu identificar! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  2. Eu nunca tinha reparado essa série na Netflix , agora vou procurar, e o livro parece ser também bem instigante, me parece aquelas histórias que você passa o tempo todo em dúvida se ela é culpada ou não, e o porque dela estar envolvida nessa tragédia.Mais uma dica a ser anotada e adorei as fotos com essa composição do coração azul e os cacos de vidro.

    1. Oi Tatiane!
      Ahh que bom que você agora descobriu a leitura e a série! Ela realmente ficou um pouco escondida no catálogo, sem muito foco pro lançamento. Agora que acabei o livro, estou me programando para assistir aos episódios! Feliz que tenha gostado das fotos também!
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  3. lendoemnarnia says:

    já me ganhou no “em qual deles você vai acreditar?” hahah eu tenho me aventurado em histórias de suspense e não me arrependi um pingo, adoro a sensação de ter um mistério na sua frente e a cada página que vira ou você ganha respostas ou mais perguntas…
    adorei a resenha, e com toda certeza esse livro já ficou marcado pra uma compra futura (só no futuro mesmo, a grana tá pouca heheh)
    bj, Rê.

    1. Oi Livia!
      ahahah Eu também adoro essas histórias que você tem que pensar em quem acreditar (eu geralmente duvido de todo mundo ahahah)! E essa é bem interessante a construção que a autora faz, aos poucos você vai descobrindo o que aconteceu e como era cada pessoa. Feliz que tenha gostado da resenha, quando puder, garante a leitura sim! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  4. Gisele Thais says:

    Que resenha fantástica, já tinha lido outras desse livro e me encantei por essa história. Mas a tua resenha é tão explicadinha que fiquei mais encantada ainda, quero logo fazer essa leitura!!!

    1. Oi Gisele!
      Ah feliz que tenha gostado! Espero que possa logo ler e aproveitar a história! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

Repense, renove, rediscuta...