Uma Mulher na Escuridão ♥ Charlie Donlea

Uma Mulher na Escuridão
Charlie Donlea
Faro Editorial
“O público começara a entender a situação. Os artigos de jornais começaram a aflorar. As autoridades emitiram alertas, e o medo vinha aumentando mais do que o calor do verão. Com a conscientização do público, ele passou a espreitar com mais cuidado, planejar com mais detalhes e encobrir os rastros com mais perfeição. Encontrara o local perfeito para ocultar os corpos.”

Sobre o Autor

Charlie Donlea vive em Chicago com sua esposa e dois filhos. Um de seus hobbies é pescar em lugares praticamente desertos do Canadá. Essas viagens por estradas paradisíacas inspiraram o cenário para o seu livro de estreia. Ávido leitor, é também apaixonado. Quando decidiu escrever seu primeiro livro, ele se preparou para produzir algo como tudo o que gosta de encontrar nos seus filmes e livros prediletos: uma história capaz de deixar o leitor refletindo sobre ela por muito tempo.

Seus títulos já lançados no Brasil pela Faro Editorial incluem, além da Uma Mulher na Escuridão: A Garota do Lago, Deixada para Trás e Não Confie em Ninguém.

Sinopse

Ao limpar o escritório de seu pai, falecido há uma semana, a investigadora forense Rory encontra pistas e documentos ocultados da justiça que a fazem mergulhar num caso sem solução ocorrido 40 anos atrás. No verão de 1979, cinco mulheres de Chicago desapareceram. O predador, apelidado de Ladrão, não deixou nenhum corpo ou pista — até que a polícia recebeu um pacote enviado por uma mulher misteriosa chamada Angela Mitchell, cujas habilidades não-ortodoxas de investigação levaram à sua identidade. Mas antes que a polícia pudesse interrogá-la, Angela desapareceu. Agora, Rory descobre que o Ladrão está prestes ser posto em liberdade condicional pelo assassinato de Angela: o único crime pelo qual foi possível prendê-lo. Sendo um ex-cliente de seu pai, Rory reluta em representar o assassino, que continua afirmando não ser o assassino de Angela. Agora o acusado deseja que Rory faça o que seu pai prometeu: provar que Angela ainda está viva. Enquanto Rory começa a reconstruir os últimos dias de Angela, outro assassino emerge das sombras, replicando o mesmo modus operandi daqueles assassinatos. A cada descoberta, Rory se enreda mais no enigma de Angela Mitchell, e na mente atormentada do Ladrão.Traçar conexões entre passado e presente é a única maneira de colocar um ponto final naquele pesadelo, mas até Rory pode não estar preparada para a verdade…

Alguns Escolhem a Escuridão…

Após a morte de seu pai, a investigadora forense Rory Moore precisa se livrar dos casos pendentes do seu escritório de advocacia. O que ela não imagina é que um dos casos é daqueles que ela mesma terá que dar andamento. E não poderia ser nada menos que o caso do notório Ladrão.

O assassino em série que no ano de 1979 foi acusado do assassinato de várias mulheres, incluindo Angela Mitchell, responsável pelas provas entregues à polícia que o incriminaram. O detalhe é que Angela desapareceu. O Ladrão sempre alegou que ela ainda estava viva.

“Perto da uma da manhã, Rory encostou o carro na frente da casa do pai. Insalubremente, ela estava ficando obcecada pela mulher de 1979. De alguma forma, Angela Mitchell voltara do passado e se apossara de alguma parte da consciência de Rory. Como um diapasão que tivesse levado uma pancadinha, a vibração relativa ao mistério em torno da mulher era pouco audível, mas impossível de ignorar.”

Trinta anos depois, prestes a ser solto, o Ladrão requer que a agora sua advogada, Rory Moore, continue o trabalho de seu pai: encontre Angela.

Como se não apenas isso bastasse, Rory está envolvida com o caso de assassinato não resolvido de um ano atrás, com pistas que parecem levar aos crimes cometidos pelo Ladrão há tanto tempo.

A investigação segue caminhos obscuros e pistas que remontam à vida de Angela em 1979 através da narrativa que nos dá vislumbres de quem ela foi enquanto intercala-se com o ano de 2019, com Rory seguindo pistas enigmáticas, becos sem saída e fato que parecem não fazer sentido.

“Ela leu a análise de Lane sobre o motivo pelo qual alguém decide tirar a vida de outra pessoa: a racionalização que ocorria, o bloqueio da emoção, o despejo das normas sociais e das obrigações morais em um buraco negro da mente. Esse conceito voltava ao cerne da sua tese: em algum momento da existência de todo assassino, uma escolha é feita. Alguns escolhem a escuridão; outros são escolhidos por ela.”

A história é bem desenvolvida, segue em detalhes e, se não for um leitor atencioso, eles irão passar despercebidos. Mas em Uma Mulher na Escuridão, todos os pontos irão se encaixar, todas as tramas têm razão de existirem e cada passo dos personagens é trabalhado de maneira a contribuir com o desenrolar do suspense.

Confesso que, a princípio, a trama não cativou. Claro que Donlea tem uma escrita excelente e que constrói bem os elementos principais, mas o ponto é que, com um primeiro capítulo de tirar o fôlego, a introdução da história e dos personagens não era suficiente para suprir a sede investigativa da leitora aqui. Aos poucos, capítulo a capítulo, o autor me cativou. Com inteligência, desenvolveu o mistério, deu pistas sem deixa-las escancaradas ao leitor e trouxe um caso e tanto para a história, que fala não apenas sobre um assassino em série, mas sobre uma gama de relações interpessoais.

“Você se torna próxima das pessoas cujas mortes reconstitui. Sempre. É assim que descobre coisas que ninguém mais consegue descobrir. E você também resolve os seus próprios enigmas. Todas as respostas para as coisas que a estão perturbando se encontram na sua frente. Tudo aquilo que não faz sentido… É fácil deixar a verdade escapar mesmo quando está debaixo do nosso nariz.”

As reviravoltas da trama, os personagens, o suspense, todos são bem trabalhados. O fio condutor que liga o passado e o presente é bem elaborado, e, indispensavelmente, boa parte da beleza da história está em suas personagens principais: Rory, em 2019 e Angela em 1979. São duas personagens repletas de semelhanças claras ao leitor, e, em ambos os casos, autistas e mostradas em suas realidades em dois extremos.

Ainda assim Rory é o prato cheio. É impossível não se afeiçoar à personagem ou mesmo querer entender sua complexidade, seguir sua linha de raciocínio e aprender a desvendar mistérios tão bem quanto ela. Ela é uma personagem capaz de inspirar qualquer um com estômago suficiente a se tornar um investigador forense.

“Nada pode te assustar, a menos que você deixe que a assuste.”

Uma Mulher na Escuridão é um suspense inteligente, crítico e cheio de detalhes intrínsecos à trama que irão levar a história à um desfecho surpreendente, inquietante e que deixa com uma única certeza: Rory Moore merece mais livros!

Aleatoriedades
  • Uma Mulher na Escuridão foi recebido em parceria do Resenhando por Marina com a Faro Editorial, onde foi originalmente postada.
  • Um dos pontos interessantes que observei durante a leitura do livro é o título original, Some Choose Darkness (alguns escolhem a escuridão, em tradução no próprio texto do livro). A menção do título é explícita na história e, ainda, faz relação com todo o momento em que os personagens estão inseridos. A versão do título brasileira, Uma Mulher na Escuridão, apesar de não literal, traz uma consideração diferenciada à trama, um enfoque novo e mais subjetivo e que, ainda assim, consegue cair bem à história que é contada.
  • Das capas dos títulos lançados do autor pela Faro, essa foi minha favorita e, com o destaque que ele têm tido no meio literário nacional, e pela leitura desse livro, quero conhecer os outros do autor também, que são: Deixada para Trás; A Garota no Gelo e Não Confie em Ninguém.
  • A edição conta com a qualidade que já é marca da Editora: folhas em papel amarelado de alta gramatura, acabamento incrível e folhas com ilustrações e colorido diferenciado para cada uma das partes que compõe a história!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...

  1. Oi Renata, boa noite!
    Sabe de que me dei conta? De que faz algum tempo que não leio um bom romance policial. E eram os meus favoritos. Li Agatha, entre outros… mas, recentemente, nada li. Apenas romances mais próximos da minha realidade.
    Mas eu gosto desses mistérios… ainda mais quando o passado “afronta” o presente, numa espécie de assombração. Acho delicioso essa tentativa de compreensão na literatura, é claro. Na realidade e a coisa mais enfadonha.
    Mas, confesso que a proposta dessa trama não me seduziu. Eu fui lendo e algo ficou pelo caminho. Me lembrei de cenas de filmes, de outros livros lidos. Me lembrei de um punhado de coisas.
    Mas, confesso que o que mais me incomodou foi o sentimento de livro certinho, bem construído-arquitetado, as coisas todas no seu devido lugar. Ando com preguiça dessa literatura que parece presa em uma forma conhecida, usada por muitos. Acredite, até as suas fotos deram ao mistério esse ar de forma-fôrma… gostei das fotos e desse crepitar duplo.

    bacio

    • Oi Lunna!
      Eu não tinha muito hábito desse gênero literário, mas tô feliz em agora ler mais. Tenho descoberto muitas histórias incríveis e que me rendem leituras incríveis.
      Acho que a trama tem um quê de filme policial sim, mas apesar de eu não ter grandes surpresas com ele, a personagem principal me cativou tanto que eu queria saber tudo dela e me fez querer mais livros com ela. ehehe
      Mas entendo o que quer dizer com a forma-fôrma. Esse livro segue bem um esquema e, talvez, por isso, consegui prever o que estava prestes a acontecer. Mas a narrativa do autor é muito boa e ele me cativou por outros aspectos.
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  2. Tenho a garota do lago dele , mas ainda não li. Esse livro parece ser tb bem instigante, preciso animar para começar essa leitura e ler os outros dele como esse, sua resenha me animou e suas fotos como sempre ficam lindas.

    • Oi Tatiane!
      Ah já vi muitos comentários positivos sobre A Garota do Lago, quando puder leia! Espero que consiga ler Uma Mulher na Escuridão também, vale a pena! Feliz que tenha gostado das fotos! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  3. O suspense que envolve toda essa história me deixou muito curiosa para descobrir as reviravoltas do caso. Saber se Rory conseguiu desvendar alho que aconteceu 30 anos atrás. Acredito que todo mundo tem que ler um bom romance policial uma vez na vida.

    • Oi Glaucie!
      Ah esse livro tem um viés muito interessante, especialmente em relação à protagonista! Ela virou uma das personagens que mais gostei de ter acompanhado a jornada num livro, sem dúvidas! Além do quê fiquei querendo mais livros com ela! ehehe
      Obrigada pela visita!
      xoxo