A Paciente Silenciosa ♥ Alex Michaelides

A Paciente Silenciosa
Alex Michaelides
Record
“E por que razão Alceste, rediviva, permanece muda e imóvel?” (Alceste, de Eurípedes)

Sobre o Autor

Nascido no Chipre e filho de um pai greco-cipriota e uma mãe inglesa, ALEX MICHAELIDES estudou Literatura inglesa na Universidade de Cambridge e fez uma pós em Roteiro de Cinema no American Film Institute, em Los Angeles.

Sinopse

Um assassinato, uma verdade oculta. As raízes do silêncio são muito mais profundas do que se pode imaginar.

Alicia Berenson escreve um diário para colocar suas ideias em ordem. Ele é tanto uma válvula de escape quanto uma forma de provar ao seu adorado marido que está bem. Ela não consegue suportar conviver com a ideia de que está deixando Gabriel preocupado, de que está lhe causando algum mal.

Alicia Berenson tinha 33 anos quando matou seu marido com cinco tiros. E nunca mais disse uma palavra. O psicoterapeuta forense Theo Faber está convencido de que é capaz de tratar Alicia, depois de tantos outros falharem. E, se ela falar, ele será capaz de ouvir a verdade?

A Paciente Silenciosa

Alicia Berenson. Talvez você se lembre desse nome, afinal, esteve em muitas manchetes há alguns anos. Hoje, poucos se lembram dela. Isolada e muda em um hospital psiquiátrico. É fácil perder o interesse assim, ainda que ela tenha matado o marido com cinco tiros na cabeça…

Alicia Berenson ama seu marido. Alicia Berenson matou seu marido.

Algo nas duas sentenças não se encaixa para o leitor que pega o exemplar de A Paciente Silenciosa para desbravar as páginas. Afinal, quem ama não é capaz de matar. Não é mesmo?

O caso de Alicia desperta curiosidade não apenas no leitor, mas também no psicoterapeuta Theo Faber, que consegue um emprego no hospital psiquiátrico Grove para ter a oportunidade de tratá-la. Theo quer conseguir chegar até Alicia, quer que ela volte a falar. Que enfrente a verdade, seja ela qual for.

Nesse panorama, vamos conhecendo tanto a história de Theo, assim como o acompanhamos na busca por conhecer Alicia. Afinal, se ela não fala, ele vai buscar quem fale por ela. Quase que numa investigação policial, ele revira o passado de sua paciente. Mas, o que Theo descobre e todos os acontecimentos da trama, muitas vezes, não podem ser descritos como nada menos que surpreendentes: um verdadeiro quebra-cabeça que parece ter peças faltantes.

A história segue intercalando relatos de Theo sobre sua vida, a investigação que ele desbrava sobre Alicia e partes do diário da própria paciente. Caminhando juntas, essas narrativas instigam não apenas a prosseguir na leitura, mas também a formar mil e uma suposições sobre o que aconteceu e o que está por acontecer. Dizer que foi possível criar mil e uma teorias é tarefa fácil, o detalhe maior é que dificilmente o leitor irá acertar o que realmente aconteceu e o que está prestes a acontecer. Particularmente, eu diria que o Dr. Faber já assinou meu atestado de papel de trouxa.

Além do desfecho incrível, o livro prende por vários outros fatores. Temos referências à tragédia grega Alceste, de Eurípedes e descrições sobre a arte da própria personagem Alicia que fazem pintar telas em nossas mentes. Na tragédia, Admeto é condenado a morte e sua esposa Alceste aceita dar sua vida em troca da dele. Ele então, vai até o Hades e consegue trazê-la de volta à vida. A questão é que quando ela retorna, não fala. Tal como Alicia. E, nesse ponto, não vou me alongar para não trazer spoilers da história, mas o silêncio é um dos pontos mais significativos da história e o modo como ele é desenvolvido, não pode ser melhor dito do que espetacular.

As interpretações possíveis acerca da relação entre a tragédia e o caso de assassinato são bem interessantes e o autor ainda consegue trabalhar vários níveis de possibilidades que vão sendo apresentadas e descritas, formando um emaranhado de linhas imaginárias que levam o leitor à crer estar, por vezes, no caminho certo mesma estando completamente errado.

O mais provável é que, em se tratando da psiquê humana, não haja um único caminho, quiçá, apenas um correto a ser trilhado. Tudo que acontece, quem somos, a quem e o quê nos submetemos, tudo está relacionado ao nosso passado, ao que fomos criados e programados para ser. Alguns detalhes, algumas marcas que podem ser desconhecidas para outros, são, muitas vezes, as razões que nos levam a atos extremos, a comportamentos inesperados, ainda que sejamos capazes de diferir certo do errado.

É exatamente nesse trabalho que está um dos maiores enigmas do livro: quem realmente somos? Somos bons ou ruins? Há mesmo uma linha tênue que separa uma coisa da outra? O quanto podemos ser influenciados por outras pessoas ou, pelo nosso passado? Ou, acima de tudo, o quanto é possível que sejamos capazes de deixar que nossas cicatrizes não conduzam nossos passos?

Outro ponto alto da trama, são os personagens. E aqui, não apenas Theo Faber, o protagonista, mas tanto quanto aqueles ligados à sua vida pessoal, tanto quanto a própria Alicia Berenson e todos aqueles ligados à ela de alguma maneira: os presentes em seu passado e aqueles que agora fazem parte do seu dia a dia no Grove. Os personagens são como as peças do quebra-cabeça que é a própria história de Alicia, que é Alicia, que é o silêncio de Alicia.

Com uma narrativa fluida, fácil de compreender, acompanhar e instigar, o autor consegue prender o leitor pela história inicialmente simples, mas que vai se intensificando e mostra que, ao passar das páginas, todas as migalhas deixadas o foram por alguma razão. É o encaixar das peças que forma o panorama: é o quebra-cabeça finalmente completo como a formar uma das pinturas de Alicia.

A elaboração da história, a inserção dos personagens, tudo funciona como uma elaborada corrente a quebrar os elos por ser esticada demais. É difícil manter-se inteiro dentro do Grove, ou diante do silêncio de Alicia, disso, não se tem dúvidas. A história é como a obra-prima de Alicia Berenson, o caso mais importante da carreira de Theo Faber. E isso diz muito mais do que o próprio silêncio da personagem que dá título à história.

A Paciente Silenciosa é um suspense inteligente e perspicaz, feito para questionar a razão e a loucura do ser humano e despertar no leitor os sentimentos mais conflitantes possíveis. É também um livro de sutilezas, em que uma tela, o silêncio e um diário podem ser as falas mais importantes a seres interpretadas.

Uma das melhores leituras do ano de 2019 do gênero suspense e dos melhores que já li na vida. Uma leitura que tiro o chapéu, mesmo que tivesse sido capaz de desvendar o mistério, não teria ficado menos surpresa ou impressionada com a leitura. As partes mais importantes, permanecem sendo aquelas em que não se é necessário emitir som algum.

Aleatoriedades
  • Uma das alegrias de 2019 foi ter conseguido parceria com o Grupo Editorial Record e o livro A Paciente Silenciosa foi o primeiro recebido através do VIB: Very Importan Book. Se trata de uma caixinha especial, que vem com o livro e alguns elementos para aguçar a leitura. O exemplar é uma prova exclusiva e não revisada para leitura antecipada, já que o lançamento é apenas em 29/04. Além disso, a proposta era uma leitura às cegas, já que não há sinopse do livro na edição ou no material enviado. Bem no estilo que gosto, já que ler as sinopses não é mesmo meu hábito. Além do livro, recebemos um informativo com uma apresentação, um mini caderninho, tipo Moleskine e uma mini tela de pintura. Claro que tudo isso só serviu para despertar ainda mais a curiosidade por aqui. O caderninho é o que está aberto e com anotações nas fotos e a mini tela é a que recebeu uma sugestiva pincelada. Um mega obrigada à Record por tudo!
  • As fotos da vez seguiram a linha da de apresentação do livro no IG e com alguns elementos a mais, agora já ciente da história, é sempre possível imaginar um detalhe ou outro diferente. Dessa vez, deixo a pergunta: o vermelho no dedo, é tinta ou sangue?
A Paciente Silenciosa está em pré-venda no site da Amazon e com o cupom SILENCIO10 você tem 10% off na compra!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...

  1. Oi Reh

    Desculpa dizer ,mas as suas fotos estão atrapalhando a resenha kkkkk.Porque um olho estava lendo a resenha e outra admirando essas fotos lindíssimas.

    Você ja leu “A. Mulher na janela”?Eu acho que esse livro tem uma vibe parecida com ele.

    Beijos

    • Oi Babi!
      Ahahaha eu tô rindo aqui, vou dar um jeito das fotos não atrapalharem da próxima vez, ok!? kkk <3
      Ainda não li Mulher na Janela, mas vi muitos elogios sobre ele e tô bem curiosa, tá na lista de desejos, é bom saber que é na vibe desse que eu amei tanto! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  2. Ah que sinopse maravilhosa, não sou muito de ler livros desse gênero porém a curiosidade bateu forte agora, vou adicionar a listinha haha

  3. Oie!!
    Que fotos maravilhosas!!!
    Quero muito ler esse, pelas resenhas já vi que vai entrar para os melhores!!
    A mente humana é um mistério. Esse silêncio da paciente, o suspense todo e o que é loucura, ou o que está dentro da razão ainda. Imagino que trama intrigante é essa.
    Estou muito ansiosa!!
    Resenha perfeita!!

    bjs

    • Oi Fê!
      Ah feliz em saber que curtiu os cliques! Esse livro está realmente incrível e eu recomendo pra quem gosta do gênero e pra quem não tem o hábito também! É muito intrigante a história e o modo de construção dela é excelente, espero que consiga ler em breve! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  4. Adorei as resenhas, esses livros não fazem muito o “meu tipo” mas acho que um dia vou ler alguns do gênero! ❤

  5. Estou muito curioso para ler esse livro desde que li sua sinopse pela primeira vez, espero poder estar lendo logo e a cada resenha lida, minha curiosidade fica mais aguçada.

  6. Que fotos lindas! ❤ Resenha linda! ❤ Livro lindo! ❤ Ficou tudo perfeito! Fiquei encucado com as fotos, parecia sangue kkkkkkkk acredito até que seja mesmo, quem sabe ❤ Só tô esperando mesmo esse livro virar filme ❤❤❤❤❤

    • Oie!
      Ah feliz que tenha gostado! <3 ahaha Será que é sangue? Assim que li imaginei que esse livro daria um filme incrível, bora torcer pra Netflix querer ele! ehehe
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  7. Fiquei super interessada nesse livro, tramas com boas doses de suspense psicológico são as minhas preferidas. Essa sinopse me lembrou um pouco a primeira temporada da série The Sinner, que aliás recomendo. As fotos como sempre estão um primor, emolduraram lindamente a resenha!

    • Oi Patricia!
      Ah se você curte esse estilo, o livro é para você, sem dúvidas! Eu não assisti The Sinner, mas já vi boas recomendações, vai pra lista dos desejos de assistir! 🙂 Feliz que gostou das fotos! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  8. Nossa, fiquei super curiosa para ler esse livro, mais uma vez parabéns pelas fotografias, e por essas resenhas maravilhosas, A Paciente Silenciosa já está na minha lista

  9. Quando lido o primeiro parágrafo… Ela tem um diário como válvula de escape e não quer preocupar o marido e logo em seguida leio… Ela matou o marido.
    Juro que voltei pra ler novamente, achei que tinha lido errado.
    Eu adooooro esse tipo de leitura. Mas cada vez que venho aqui, vejo como estou atrasada nessa vida, faz tempo que não leio nada de novidade, tô por fora dos lançamentos na verdade. Lembro da minha câmera novinha que está guardada e eu não tiro as prometidas fotos… rs. Essa vida de gente grande não me cai bem rs. Ela come meu tempo.

    • Oi Cilene!
      Ahhh dá aquela bugada na mente da gente, né!? Eu fiquei de cara quando li e acho que foi um dos motivos de eu devorar esse livro, precisava descobrir o desfecho! Ahhh e se está por fora, eu recomendo que coloque a casa em dia começando por esse, Ci. Se gosta de suspense, vai com esse que não tem erro! E bora sair fotografando tudo de tudo por aí! ahaha Eu entendo a parte da vida de gente grande! Tempo não existe! rsrsrs
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  10. Adorei a ideia do livro. Sou amante de Psicologia e também gosto de histórias de investigação.

    Essas reflexões sobre bondade e maldade também são muito enriquecedoras. Todos nós somos bons e maus. A maldade é necessária para um bom equilíbrio.

    Gostei da resenha e das fotos.

    Obrigado pela recomendação <3

    • Oie!
      Ah pelo que você falou essa história é uma que você irá amar ler, analisar os personagens e tentar desvendar o mistério! E realmente, não há equilíbrio sem o outro lado, não acredito que exista equilíbrio sem as dicotomias. Feliz que tenha gostado, espero que possa ler em breve! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo