Mundo Literário

A Pequena Sereia de Andersen e de Loiuse O’Neill

O livro A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões, da autora Loiuse O’Neill foi recentemente publicado no Brasil pela DarkSide Books. E esse é daquele tipo de livro que faz pensar muito sobre inúmeros assuntos e, vários deles foram todos para a resenha que você pode conferir clicando aqui (não preocupa, não tem spoiler na resenha).

As influências do conto original de Hans Christian Andersen à obra de O’Neill merecem destaque, contudo, seria difícil adentrar em algumas durante a resenha sob o risco de termos vários spoilers. Então, fica o aviso aos navegantes: neste post, haverá sim spoilers sobre o livro A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões e, para quem não conhece a versão da Pequena Sereia de Andersen, também.

Serão levantados alguns pontos sobre as duas obras e que, em especial, podem vir a contribuir para a leitura do livro de O’Neill. Conforme explica Ana Lúcia Merege, no prefácio de Contos de Fadas em suas versões originais da Editora Wish, saber a origem e as versões as quais os contos se originaram influencia muito na interpretação que temos deles e, consequentemente, traz um vislumbre diferente para as adaptações que surgem ao longo do tempo.

Primeiro, esqueça a alegre e cantante versão Disney com Ariel a pentear seus cabelos com uma bruguzumba e o som das músicas mais acalentadoras enquanto torcemos para que o príncipe Eric também se apaixone. Aqui, temos um pagamento pelo feitiço que arranca a língua da sereia para lhe tirar a voz, um preço alto de pés que doem mais que a morte sempre que pisam no chão e um final longe de ser considerado dos mais felizes.

A começar pelo enredo, em ambas as histórias, seguimos a linha clássica: a pequena sereia, das profundezas do mar, tem a chance de ver o mundo terreno no seu aniversário de quinze anos. É quando ela tem certeza de que aquele mundo em que as pessoas caminham sobre duas pernas é o seu verdadeiro lugar, especialmente ao avistar um jovem rapaz. É claro que estamos falando de um amor à primeira vista e, para completar, a pequena sereia age como salvadora ao resgatá-lo de um naufrágio.

Movida por esse novo amor, ela é levada a dar sua voz para a bruxa do mar e ganha a recompensa: pernas no lugar de cauda. Mas, toda magia tem seu preço e há um prazo para que ela consiga que o jovem demonstre seu amor por ela.

A partir daí, a pequena sereia renega o lugar em que nascera e segue para terra firme para conquistar aquele a quem ela deu seu coração sem, de fato, o conhecer. E aqui, ela descobre a verdade: sem sua voz, a tarefa de conquistar o amado é difícil, já que ele não faz ideia de que ela fora sua salvadora e, em ambas as histórias, o coração do jovem já pertence à outra.

O tempo se esvai como areia perdida em ampulheta quebrada e ela se vê diante de um impasse: graças ao sacrifício de suas irmãs, tem a chance de retornar ao mar e voltar a viver como uma sereia. Mas, para isso, precisa matar aquele a quem entregou seu coração.

Mas isso é algo que a pequena sereia não conseguiria fazer e assim, ela encontra sua redenção ao se jogar no mar para virar espuma e ao ser aceita entre as filhas do ar para pagar sua dívida e conquistar uma alma humana e poder viver na eternidade. Esse é o final de Andersen. Na história de O’Neill, temos uma versão um pouco menos celestial em que a sereia tem a chance de ceifar a própria vida e tornar-se uma das salkas. As mulheres que tiveram desilusões em vida e que também tiraram a sua própria, agora vivendo sob a água para devorar os homens prestes a naufragar e que elas julgam que devem pagar por seus pecados.

De maneira geral, é este o patamar, sem final feliz dos dois lados, nenhum romance que dá certo e uma pequena sereia que abriu mão de tudo que tinha para realizar seus mais profundos desejos. Nesse ponto, em específico, vemos a situação ganhar outra justificativa em O Reino das Ilusões. A motivação da pequena sereia não mais se resume ao fascínio com o mundo terreno e ao amor recém descoberto.

No livro de O’Neill são adicionados dois elementos chaves que contribuem para essa fuga: o suposto sequestro de sua mãe, que, segundo o Rei Tritão, fora levada por humanos e o ambiente no qual ela vive, uma sociedade na qual mulheres não tem voz, poder e se resumem a objetos aptos a atender os desejos dos homens. A própria pequena sereia fora prometida em casamento à um tritão que lhe dá, em palavra mínima, asco.

A fuga de Gaia, a pequena sereia de O’Neill, então, ganha uma motivação mais encorpada, apesar dos aspectos principais do conto original de Andersen permanecerem presentes na trama.

Sem opções de como transformar seu desejo em realidade, ela recorre à bruxa do mar. E, em ambas as histórias, ainda que considerada a alcunha que ganha a personagem, ela dificilmente reveste-se como mera vilã, já que em ambas as histórias, suas palavras ressoam como claro aviso:

“- Eu sei exatamente o que você deseja – disse a feiticeira do mar. – Como você é estúpida! Mas você deve seguir seu caminho, que vai lhe trazer infortúnio, minha linda princesa. Você quer se livrar de sua cauda de peixe e no lugar ter um par de tocos para andar como um ser humano, a fim de que o jovem príncipe se apaixone por você e lhe dê uma alma imortal.” Trecho de A Pequena Sereia de Hans Crhistian Andersen do livro Contos de Fadas em suas versões originais
“‘Você não vai encontrar nenhuma resposta lá em cima, pequena sereia.’ Ceto* encolhe os ombros. ‘Nenhuma que você queira ouvir, de qualquer forma.” A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões de Louise O’Neill (*Ceto é o nome da bruxa do mar nessa versão)

Não que o jogo que a bruxa do mar propõe à pequena sereia seja dos mais justos, mas se trata também da escolha da protagonista. Mesmo sem a possibilidade de falar, já que sua língua seria arrancada, tanto quanto ciente de que seus pés flamejariam de dor ao andar, ela crê tanto num mundo melhor sob o sol que qualquer pena parece aceitável.

A fuga mostra, em ambos os casos, com todas as motivações e a decisão da pequena sereia, não apenas a sua crença no desconhecido, a bem da verdade, é uma fé cega. Mas também se trata da ingenuidade de alguém jovem e criada, bem destacada na obra de O’Neill, sob grossas correntes comportamentais. Livrar-se delas não é tarefa fácil.

Gaia o tempo todo se questiona e questiona o mundo ao seu redor, mas tudo isso morre enclausurado em seus próprios pensamentos e abafado por tudo que lhe fora ensinado: sereias precisam seguir a etiqueta, comer pouco, ser sempre magras e de beleza natural. Obedientes. Silenciosas. Os padrões estão todos aqui, de comportamento, de aparência, de submissão e inferioridade perante os homens.

Apesar do que se possa imaginar, os padrões estéticos também são ressaltados no conto de Andersen. Temos uma pequena sereia sofrendo ao ter adornos presos à sua cauda para demonstrar seu status de realeza e beleza, tanto quanto no engodo da bruxa do mar que lhe diz que, sem sua voz, o que lhe resta é, claro, é a sua beleza. Aqui, temos dois pontos: a famigerada ideia de que a beleza vem com seu preço, que deve, por óbvio, ser suportado pelas mulheres; assim como que a beleza é a única coisa que realmente importa para/em uma mulher.

Ao mesmo tempo, a busca por um amor não correspondido mostra à sereiazinha como o mundo é realmente. O jovem já entregou seu coração à outra e a sereia não passa de uma presença silenciosa, tal qual ela era quando no reino do mar, ainda que tivesse uma língua para falar.

Essa busca, esse amor que ela alimenta e busca justificar, é infrutífero. Não é tão diferente da submissão à qual ela era colocada sob as águas profundas e, ao mesmo tempo, consegue calá-la de modo ainda mais enfático. É o ruir dos sonhos, é ver como os mundos da água e da terra, no fim, não eram tão distintos assim.

Na versão de Andersen, a sereia vê isso de forma resignada e, de certa maneira, também submissa. Ela aceita que outra pessoa leve o posto de salvadora, que seus sentimentos sejam sempre colocados abaixo dos do príncipe, afinal, ele é o amor da sua vida, não é mesmo?! Com Gaia, de O’Neill, vemos um outro lado da mesma moeda, uma realidade que não é mais florida aos olhos da sereia e que, mesmo assim, mantém o tempo todo o mesmo comportamento adestrado, submisso, afinal, é tudo que se espera dela, não é mesmo?! Novamente, precisamos lembrar o que é crescer cercada de padrões impositivos, restritivos e discriminatórios.

Em ambas as histórias, as irmãs da pequena sereia intercedem em seu favor, abrem mão de seus cabelos à bruxa do mar em troca de um feitiço que salvaria a irmã. No conto de Andersen temos versões das outras sereias conhecidas superficialmente, até mesmo pela característica de um conto, que não costuma se aprofundar muito em personagens secundários. Em O’Neill, a história ganha mais corpo, com vislumbres diferenciados sobre as irmãs, e é como se, apesar do tamanho, O Reino das Ilusões também possa ser considerado como um conto de releitura bem mais do que um romance fantástico, como alguns esperavam.

Voltando à história, a pequena sereia tem a chance de recuperar sua cauda, mas para isso, precisa matar seu amado. Não é um ato que ela consegue executar e, por isso, de certa forma, é “recompensada” no conto de Andersen. E as aspas estão aí não é à toa. Após a sereia se atirar ao mar para a morte certa, ela se transforma em uma das criaturas do ar, que estão presas em 300 anos de servidão para fazer coisas boas, para que consigam ter uma alma e acender ao reino dos céus. Sim, exatamente, 300 anos. Como ela sofreu em vida, suportou e se manteve ‘boa‘ (quase incluí um bela, recatada e do lar, aqui), ela tem a ‘chance’ de prestar boas ações por esse período para ter uma alma imortal e elevar-se então ao reino dos céus.

Aqui, a presença religiosa no conto de Andersen é forte, como tantos outros contos da época, que exaltavam características e comportamentos segundo os ditames religiosos. A mulher que sofreu por um amor não correspondido, que abriu mão de tudo que tinha por esse amor, que foi submissa, é ‘premiada’ com a chance de ir para o céu dos humanos. Afinal, que outro comportamento poderia assegurar-lhe a entrada no paraíso? Os estereótipos comportamentais da mulher são reforçados mais uma vez e especialmente sob os ditames religiosos.

Em O Reino das Ilusões, temos uma versão alterada do acender aos céus. A pequena sereia, ao não aceitar tirar a vida de seu – ainda – amado, tem a escolha de realmente virar espuma do mar ao se jogar contra as ondas ou tirar a própria vida antes que seu prazo termine e se tornar uma salka. Tais criaturas, vistas como subversivas e maléficas aos olhos da sereia em primeiro momento, são agora a sua versão de ‘salvação’. São a chance de fazer com que a voz que ela descobriu ter, seja ouvida.

Aliás, a partir do final, espero que haja uma revolução nas profundezas do mar, tal qual toda sereia merece, para se ver livre e em pé de igualdade a todos os tritões.

Por esses pontos, é possível ver como os aspectos centrais da trama dO Reino das Ilusões nasceram e foram moldados a partir do conto original da Pequena Sereia de Andersen. Uma versão que incluiu em todos os momentos um discurso feminista, explícito e que serve de pauta para muitas discussões. Sim, muitas mais. A ideia do post era levantar algumas similaridades entre as duas obras, creio que elencar todas elas resultaria em algo mais próximo de uma tese de doutorado… que passaria profundamente pelas origens do conto, pelas transformações culturais e, até mesmo, uma possível comparação com a versão Disney.

Acredito que realizar a leitura de A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões sob o prisma do conto original da Pequena Sereia de Hans Christian Andersen, ajuda – e muito! – a compreender não apenas a pretensão da autora, mas também o final que não necessariamente dá respostas ou resoluções, mas que faz, antes de tudo, pensar a respeito do papel de cada sereia e tritão, homem ou mulher, no silêncio feminino que reverbera há tempo demais na humanidade quando resolveram que tapar nossas bocas era mais aconselhável.

Aleatoriedades
  • O livro que acompanha o exemplar de A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões da DarkSide Books é o também lindo Contos de Fadas em suas versões originais publicado pela Editora Wish e que contém a versão de Hans Christian Andersen do conto da Pequena Sereia.
  • A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões foi recebido da DarkSide Books (obrigada novamente, Caveirinha!) e pode ser adquirido na loja oficial da Editora, que acompanha o sketchbook, na Dark Experience.
  • Contos de Fadas em suas versões originais foi recebido em parceria com a Editora Wish (obrigada por esse livro incrível, Wish!) e pode ser adquirido na Loja oficial da Editora.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

18 Comments

  1. Oi Renata… confesso que eu ri no inicio, porque você citou a Disney e adivinha. Claro que eu não vi. Já ouvi falar, mas não tenho paciência com os desenhos da Disney. De lá só vi Mary Poppins na versão original e Duas vidas, mas foi por causa do Bruce. rá
    De resto não gosto nem do Mickey e eu devo ser a única criança que ao ser perguntada se queria ir para a Disney, fechei a cara e disse preferir visitar um vulcão em atividade. Meu pai quase caiu da cadeira de tanto que ria.
    Enfim, não sou fã de contos de fadas, embora as versões diabólicas da nonna me fizessem prestar uma grama de atenção.
    Acho que o meu problema com contos de fadas é a mentira justificada. Adoça o café e estraga o sabor, mas há quem acredite que melhora, como na música de Mary Poppins em que diz as crianças ‘com um pouco de açúcar, até remédio é um prazer”. rá
    E Hans Christian Andersen era um especialista em açúcar, como os Irmãos Grimm também.
    Nas sua fotos faltou aqueles quadradinhos de açúcar…
    Lunna = a louca!

    bacio

    1. Oi Lunna!
      Ah adoro essas suas viagens por memórias, mas acho que já te disse isso. E fiquei rindo demais sobre o torrão de açúcar, apesar de achar que eles condizem mais com as versões da Disney e nem tanto com os contos originais. Há algumas morais bem controversas e “desaçucaradas” nesses contos.
      E você já sabe que por aqui, sou fanzoca da Disney, já perdoei ela por me iludir com essas histórias lindas durante minha infância, adolescência, ou devo dizer, a vida toda!? rsrs
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  2. Rê, eu amei demais essa sua comparação. É bom a gente ler com as referências certas, ao invés de achar que esse é um livro que reconta a história da Disney com toques feministas. A capa até nos engana um pouco, pois toda a trajetória da Gaia é angustiante até!
    Mesmo com a leve impressão de que a autora mais quis criar reflexão do que contar uma história nova, eu gostei do livro, achei bem necessário e, em certo nível, real. Seria muito legal ter uma continuação, pois tem muita coisa pra contar ainda.
    Preciso ler logo o conto original. Esse livro da Wis está maravilhoso <3 ah, e eu amei muito suas fotos e todos os elementos que você colocou nelas.

    1. Oi Lu!
      Sim, acho importante falarmos disso, porque sabemos que a visão do conto da maioria das pessoas é bem mais ligado à ideia que a Disney passa do que ao conto original. E sim, a capa tem uma beleza e um glamour que não está nem perto do que há na história… eheheh
      Também tenho essa sensação de que a preocupação maior foi com a reflexão e não com a história, dá pra notar pelo modo narrativo que ela optou. E, querendo ou não, se engana quem acha que os acontecimentos de lá são exagerados. E eu também adoraria uma continuação, acho até que falei no post que aguardo uma revolução depois da volta de Gaia para o mar.
      E leia o conto sim, esse livro da Wish vale muito a pena! Feliz que gostou das fotos e obrigada pela visita!
      xoxo

  3. Confesso que quando li que teremos espolie parei de ler. Estou com o livro em mãos, e teremos um clube do livro da Darke aqui em São Paulo, e esse foi o livro escolhido…Então vou iniciar a leitura e depois volto aqui para ler e comentar novamente…
    Abraços

    1. Oi Ale!
      Se o que te interessa é a resenha, ela também está no blog e não tem spoiler. Esse texto é comparativo entre as obras, então dificilmente não teria spoiler sobre as histórias. 🙂
      Boa leitura!
      xoxo

  4. Que fotos LINDAS!!!! Você fez algum curso de fotografia ou foi aprendendo a fotografar por conta própria mesmo?
    Adorei o livro! Quero muito comprar (ainda mais por conta do caderninho que acompanha a edição :P)

    1. Oi Nanda!
      Ah obrigada, feliz que gostou das fotos! Eu não fiz curso, gostaria, mas não tenho câmera, uso o celular pra fotografar.
      Vale muita conhecer o livro e o caderninho vem na Dark Experience do no site da DarkSide Books! 🙂
      Obrigada pela visita!
      xoxo

      1. Você tira foto com o celular? Que incrível! Me deu até uma animada, pois também não tenho câmera. Bom saber que dá para tirar fotos tão boas só com o celular mesmo =D

        1. Oi Nanda!
          Sim, também não tenho câmera, sempre com celular, tanto aqui pro blog quanto para o IG! Dá pra fazer muita coisa legal com o celular sim! 🙂
          Obrigada pela visita!
          xoxo

  5. Bruna Lopes says:

    Não li toda a resenha pq morro de medo de Spoiler, e quero muito ler o livro .
    Achei a capa uma coisa de linda, mas os pontos que li fiquei ainda mais ansiosa pra ler.
    Vc arrasa nas dicas, nas fotos e nas resenhas (com ou sem Spoiler )

    1. Oi Bruna!
      Esse texto é um comparativo dos contos da pequena sereia, por isso tem spoilers, seria impossível fazer uma comparação sem analisar isso. A resenha (que tem o link no começo do texto), não tem spoiler. 🙂
      Essa capa é realmente incrível e vale muito a leitura! Feliz que tenha gostado! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  6. Carolina says:

    Ai esse livro é perfeito! Quero muito ! Ninguém ama mais sereia ‍♀️ do que eu !

    1. Oi Carolina!
      Ah muito incrível mesmo esse livro! E como não amar sereias!? <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  7. Adoro o conto da Pequena Sereia, é bem triste. Já tinha lido uma resenha sobre esse livro e fiquei encantado, por isso eu já coloquei ele na minha lista de desejos do site da Amazon. Além de a capa ser muito linda! Obrigado pela dica <3

    1. Oie!
      Ah sim, o conto tem um quê de tristeza, sem dúvidas! Espero que possa ler em breve! Obrigada pela visita! 🙂
      xoxo

  8. Glaucie Mendes de Souza says:

    Uau, que texto maravilhoso, essa questão da reflexão sobre o papel que a mulher tem dentro da sociedade realmente foi de tirar o fôlego, leva-me a pensar, quantas mulheres são silenciadas e são “ensinadas” desde criança a como se portar a ser induzida a ter um papel submisso dentro da sociedade onde ela só é bem vista se for bela, recatada e do lar.
    Vou elogiar mais uma vez o texto e o paradoxo construído em relação a comparação as duas verões. Esse é aquele texto que vou mandar pra todo mundo, minha mãe, minha tia, minha prima, escrito por favor leia, é importante. Gostaria de pontuar sobre essa edição da Darkside, que perfeição, amei a combinação das cores, a escolha da fonte para a grafia, os objetos que compõem a capa, são maravilhosos.
    Amei as fotos Rê.

    1. Oi Glaucie!
      Nossa, essa reflexão tem muitos pontos que podem ser aprofundados e discutidos ainda. Gosto de pelo menos levantar a poeira e trazer ideias de possíveis interpretações. A história traz muitos temas e achei muito interessante a forma com que algumas abordagens surgiram do próprio conto original.
      Feliz que tenha gostado das fotos e do texto também! E essa edição da DarkSide vale demais conhecer, é linda e rica em todos os detalhes!
      Obrigada pela visita!
      xoxo

Repense, renove, rediscuta...