Resenhas

Até Onde o Amor Alcança ♥ Júlio Hermann

Até Onde o Amor Alcança
Júlio Hermann
Faro Editorial
“Me parece que o mais difícil no processo de esquecer alguém talvez seja lembrar-se de si.”

Sobre o Autor

Júlio Hermann não tem medo de colocar o dedo na garganta e vomitar cada uma das coisas que sente e pensa. Conversa sobre amor e comportamento com veemência, separando cada umas das coisas que sente em fragmentos que são capazes de o expor de peito aberto a quem o lê. Gaúcho, escritor e jornalista, escreve sobre cada pequena coisa que a gente sente e não diz, todo pequeno detalhe que guardamos no peito com medo de se expor demais para as pessoas lá fora.

Sinopse

Talvez estar apaixonado seja uma das melhores sensações da vida. Saber que existe alguém que faz seu coração bater tão forte alegra o nosso dia, mas abrir o coração e deixar tudo para trás quando o amor acaba pode ser difícil. Mostrar vulnerabilidade, raiva, tristeza, perdão e reconhecer erros é o melhor caminho para crescer de verdade.

Até Onde o Amor Alcança?

Tive um pensamento por esses dias, sobre o começo e o fim e não tive grandes conclusões. Se um se emenda no outro, se o que acaba é porque nunca existiu e se uma outra coisa pode substituir o buraco que acabou de aparecer quando algo alguém vai embora…

Não sei, talvez seja invenção da minha cabeça essa falta tão grande que ainda reverbera em mim, mas de outro lado dizem que leva apenas um mês para nos livrarmos de um hábito. Será que esse tempo é suficiente para tirar você de mim? Será que você era um hábito? Será que o amor é um hábito?

“Talvez o amor seja um coração bêbado que não espera pela manhã de ressaca.”

Parece que não. No fim das contas, ao menos não você, que parece impressa nos móveis da sala e no ar que chega junto do frio que faz meu corpo tremer. Eu tento não pensar em várias coisas e do nada quem bate é a ausência. Até… Até aquele segundo esbarrão no trem. Será que existe amor à segunda vista? Bem, se existe de primeira, por quê não? Imagino se que seja assim, as dores do meu estômago diminuindo enquanto as suas também.

Parece que o mundo inteiro voltou a florir, enquanto eu e você damos as mãos e rimos enquanto não deixamos que a cerveja esquente no copo mesmo nesse frio enregelado que ainda faz do lado de fora. É, o lado de dentro, você já aqueceu.

“Você não tem direito nenhum de tomar posse do meu coração se não for para me amar direito.”

Parece que a operação tapa-buracos funcionou e, apesar de não ter durado só aqueles trinta dias milagrosamente prometidos, você agora é meu hábito, alcançando todas as partes da minha vida e parece estranho não contar com você, seja lá para o que for.

E conto tanto e tanto e tanto, mas não até depois de amanhã. Eu penso no agora, porque é nele que eu vivo, e, de todo jeito, acho que você pensa bem mais no futuro do que eu. Talvez seja a razão pela qual você goste tanto dos filmes do Exterminador do Futuro enquanto eu, de Star Wars. É provável que não tenha absolutamente nada a ver com isso também, mas prefiro pensar que essa é toda a razão.

“…às vezes, os meus silêncios inesperados são uma tentativa de não te ferir. Desculpa se te machuco por isso.”

Aquela que nos fez ficar cada vez mais em casa e preparar uma macarronada qualquer porque a grana estava apertada no fim do mês. Mas isso não tinha importância, fato era que a gente eu me acomodei a você. Acomodei aos seus cômodos enquanto você ao meu sofá e o desconforto bateu forte porque é tudo apertado demais na minha sala.

Isso até a gente não mais se falar e restar só aquele vazio, que eu já antes conheci e que, mesmo conhecendo, é completamente distinto. Você queria uma comédia romântica com final certeiro e eu, não faço ideia nem se devo viajar nas próximas férias. Inclusive planejamos, mas não fomos a lugar algum, lembra?

“Talvez nós só precisemos parar de chamar de amor o que [quem] já deixou de ser.”

Eu lembro e vou pensando, levando cada parte esmigalhada de mim num frasco em que coloquei meu coração. Assim, quem sabe o amor não o alcance mais, mas, na verdade só quero manter todos os pedaços juntos para não se perderem até que, com a cola do tempo, eu chegue enfim a ver que os pedaços já batem novamente por um hábito novo. Quem sabe um que vai ficar mais tempo, ou o tempo todo.

Aleatoriedades
  • Até Onde o Amor Alcança do Júlio Hermann foi recebido em parceria com a Faro Editorial pelo blog Resenhando por Marina, onde a resenha foi postada originalmente.
  • O livro tem uma edição lindíssima, cheia de ilustrações que acompanham os textos e poemas do autor.
  • Não sou muito de escolher favoritos, mas um dos textos-relatos-capítulos do romance saltou aos olhos, e, em sua página 118, sob o embalo de Rose do Honest Men, desembalei nas duas páginas que mais conversaram comigo. E, o dia que der vontade, eis que a página está marcada e as palavras lá a esperar junto da melodia… aliás, quase todas as citadas no livro reverberam na mente durante a leitura!
  • O romace é contado em pequenos textos encabeçados por títulos de músicas que se assemelham à vibe da leitura; um personagem que parece se misturar com o autor e que salta das páginas pela realidade de sua narrativa. O texto-resenha foi inspirado na história e no estilo narrativo do livro. É um jeito de relatar um sentimento e , assim, contar uma história. A leitura do livro foi como abrir um blogue e ler post a post, dia a dia, conhecendo a vida, o amor que acaba, o que nasce e morre. É a contemporaneidade do romance, dos sentimentos e para saber, até onde, afinal, o amor alcança?

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...