Corte de Espinhos e Rosas ♥ Sarah J. Maas

Em 13.02.2019   Arquivado em Resenhas

Corte de Espinhos e Rosas

Sarah J. Maas

Editora Galera Record

“Uma vida por outra. Qualquer ataque não provocado contra feéricos, por humanos, só pode ser pago com uma vida humana em troca.”

Sobre a Autora

Sarah J. Maas é autora da série Trono de Vidro, publicada pela Galera, best-seller do New York Times e sucesso internacional. Ela adora contos de fadas, filmes da Disney e música pop ruim; bebe café demais e vê muito lixo na TV. Sarah nasceu em Nova York, mas atualmente mora em Bucks County, Pensilvânia, com seu marido e um cachorro.

Sinopse

Ela roubou uma vida. Agora deve pagar com o coração. 

Nesse misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la… ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Corte de Espinhos e Rosas

Feyre tem um dever na floresta: não deixar que ela e sua família pereçam de fome. Com o inverno em sua melhor forma, as opções de caça estão escassas, até o momento derradeiro de decidir entre o lobo estranhamente gigante que surgiu ou o alce. É ela, ou ele, na verdade. Sua família, ou o lobo.

Após abater o animal – que ela reforça para si mesma não se tratar de um feérico mesmo que seu tamanho seja assustadoramente fora do normal – ela retorna para casa. A surpresa não demora a tardar e vem em forma de uma fera bestial que surge em seu casebre para tomar-lhe a vida.

“Precisamos de esperança tanto quanto precisamos de pão e carne — interrompeu meu pai, os olhos vívidos por um raro momento. — Precisamos de esperança, ou não sobreviveremos. Então, deixe que ela mantenha a esperança, Feyre. Deixe que imagine uma vida melhor. Um mundo melhor.”

Uma vida pela outra. Ou é o que ela pensava. Sem escolhas entre a morte ou uma vida de clausura, Feyre se vê retirada de sua família e levada para o além muro que separa a terra dos humanos da dos seres feéricos. O que ela não esperava é que os dias junto ao feérico, a criatura que a concedeu misericórdia, não seriam um tormento, mas dias calorosos na Corte Primaveril, ainda que o receio ainda vagasse por debaixo da pele como uma serpente.

A partir daí, Feyre se vê envolta no mundo de Tamlin, seu carcereiro e salvador, e do seu fiel escudeiro Lucien, que tem uma língua tão afiada quanto ferina. Todos presos à máscaras de baile que não saem de seus rostos, devido à praga que toma as terras feéricas pouco a pouco.

“A história de… Prythian. Começava com um caldeirão. Um poderoso caldeirão preto, erguido por esguias mãos femininas, brilhando, em uma noite estrelada e infinita. Aquelas mãos viraram o caldeirão, e, dele, um brilhante líquido dourado se derramou pela borda. Não, não brilhante, mas… efervescente, com pequenos símbolos, talvez alguma antiga língua feérica. O que quer que estivesse escrito ali, o que quer que fosse, o conteúdo do caldeirão foi derramado no vazio abaixo, acumulando-se na terra para formar nosso mundo…”

A aproximação à Tamlin é irresistível e, a medida que Feyre descobre mais sobre si mesma, os feéricos que lhe cercam e sobre a estranha e perigosa praga, ele se vê envolta em um mundo muito maior do que jamais imaginou existir, em perigos inomináveis e em uma batalha que decidirá o destino de todo o mundo, feérico e humano.

O primeiro contato que tive com a leitura de Corte de Espinhos e Rosas foi no ano passado, li o livro, encantei com a história, personagens e todo o mundo criado pela autora. Acabei que na correria, acabei não fazendo resenha e, tampouco, dei continuidade à leitura dos demais livros da série, que é seguida por Corte de Névoa e Fúria, Corte de Asas e Ruína e conta com um spin off, Corte de Gelo e Estrelas e ainda com um livro de colorir da saga, conhecida mundialmente como ACOTAR (derivado de A Court of Thorns and Roses, título original do primeiro livro).

“Minha vida agora pertencia ao Tratado, mas… talvez eu tivesse sido libertada de outra forma.”

Voltando à leitura, foi uma experiência incrível a primeira vez que conheci cada personagem, descobri suas características e mergulhei nas terras feéricas. Com a releitura feita neste ano, a imersão foi distinta, já sabendo os passos que seriam dados, a história ganhou novos tons, significados foram explicitados e cada peça do quebra-cabeça foi montado com mais facilidade. Ainda assim, é fácil perceber o quanto a história emaranha-se em si mesma para desmanchar alguns conceitos e preceitos que vão sendo sugeridos. Ao fim, as peças montam o mapa de Prytian e é incrível observar cada relevo que a compõe.

A narrativa da história é ágil, sem procurar floreios exacerbados e, ao mesmo tempo, consegue dar bonitos contornos aos fatos e acontecimentos. Seguindo pelo ponto de vista da protagonista Feyre, dá aos mortais que percorrem as páginas os olhos da jovem que se vê imersa em um novo mundo, um nova vida, costumes, aventuras, desafios e perigos.

“Amo você — sussurrou ele, e beijou minha testa. — Com espinhos e tudo.”

Para mostrar tudo isso, constrói bem os personagens principais e secundários, mesmo aqueles que estão fadados à uma condição de menor destaque e em tramas subsidiárias, conseguem desbravar acontecimentos e dar contribuições à obra sem se tornarem meros instrumentos ou “muletas” para o desenvolvimento da trama. A própria vilã se apresenta de maneira diluída ao longo do livro e, apesar de ser uma típica representação clássica da dicotomia bem x mal, outros elementos são inseridos exatamente para que isso não seja uma balança e que tudo se misture. É ainda interessante como muitos personagens são trabalhados de maneira a aparentarem algo que não o são, de maneira a enganar a própria Feyre, que é a porta voz de suas vivência enquanto desbravamos as páginas.

Com uma influência clara no conto de fadas dA Bela e a Fera, o livro mostra como um mundo inteiro pode ser desbravado a partir de algo popular, explorando o imaginário, conceitos e paradigmas aos quais estão perpetrados no mundo humano, do lado de cá das páginas.

“Mas eu havia falhado. E, ao fazer aquilo, condenara todos. Eu condenara cada pessoa naquela propriedade, condenara a própria Prythian.”

A história de Feyre vai bem além do amor de uma mulher pelo homem sob a máscara, da fera que reside sob a calma controlada, da besta que dilacera qualquer um com um simples movimento. Este é apenas um dos lados da Corte de Espinhos e Rosas. Os outros, seguem pelo viés do amadurecimento, da descoberta do amor e confiança, da amizade, do significado de família, sobre coragem, companheirismo, amor próprio, autoconfiança e, porque não destacar, um toque para lá de girl power com a nossa protagonista. Uma miríade de detalhes que, a cada (re)leitura, se tornam mais palpáveis, já que a interpretação sempre dependerá daquele que lê.

Corte de Espinhos e Rosas reúne elementos dos mais adoráveis à sua fantasia: românticos, de suspense, drama e aventura. Medidas certas para tornar a história um clássico contemporâneo. Sem dúvidas, uma leitura recomendada para os leitores amantes de fantasia e para aqueles que amam livros inspirados em contos de fadas que conseguem ir além dos contos para se tornarem… fantásticos!

Aleatoriedades

  • Acho que o primeiro ponto que preciso destacar é que o livro possui outras referências não tão conhecidas como o conto de fadas A Bela e a Fera. Fiz algumas pesquisas, tive muita ajuda e vou fazer um post bem especial falando mais sobre as influências em ACOTAR em breve;
  • Já comecei a leitura do segundo livro de ACOTAR e só posso dizer: por que demorei tanto para continuar a leitura da saga? ahahah;
  • Para não dizerem que eu só rasguei seda para o livro, encontrei algumas falhas como o cabelo da Amarantha que é ruivo e, em dado momento é descrito como preto: “Os cabelos pretos brilhavam, numa escuridão reluzente que ameaçava engolir sua coroa dourada.” (Capítulo 43). Não sei se se trata erro de continuidade, revisão, tradução… mas algo de errado não estava certo. Outro ponto é uma fala de Freyre em dados momentos sobre inferno, sobre alguém queimar no inferno (“ela merecia queimar no inferno pela eternidade.” – Capítulo 34). Chega a ser forçado ela fazer essa relação quando sequer ela tem noção de divindades, já que os humanos abandonaram isso há tempo demais para ser lembrado.
  • Acho a edição de Corte de Espinhos e Rosas maravilhosa, até mais do que muitas versões estrangeiras, que tem a Feyre desenhada na capa de fundo vermelho. Esse estilo que a Galera Record trouxe simplesmente me deslumbrou! A edição também conta com alguns ramos de espinhos entrelaçados como decoração do começo dos capítulos e dá um charme a mais para o livro. E a qualidade do papel e o tom amarelado são ótimos para a leitura!
  • Sobre as fotos: às vezes tenho dificuldade em fotografar os livros que gosto muito, por mais que isso possa não fazer sentido… rsrs Acontece o mesmo na hora de resenhar. Fato é que fui testando elementos mais ou menos aleatórios, afinal os Funkos da Bela e a Fera estão aí pra destacar a influência do conto na história, e no fim de tudo, ficou uma leve bagunça desorganizada. Para quem gosta de acompanhar o processo de criação dos cliques e dica de como fotografar livros, no perfil do Instagram eu tenho o destaque ‘making of’ com dicas de acordo com as fotos que produzi. As dicas dessa sessão também estão lá! Aproveita e me segue no IG é @retipatia
  • A leitura foi realizada com minha linda Kaka do O Reino das Páginas, é só clicar para conferir as impressões dela sobre a leitura. Vamos continuar essa saga pelas terras de Prythian juntas!

Corte de Espinhos e Rosas está disponível em versão física nas livrarias de todo país e online, e o e-book está disponível na Amazon e também pelo Kindle Unlimited!

Que a Força esteja com vocês!

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