Ventos Nômades ♥ Manuela Marques Tchoe

Em 26.11.2018   Arquivado em Resenhas

Os ventos que circulam nesta terra, passam por tantas outras, veem as mais diversas histórias e contam em contos os encontros e desencontros que só os corações nômades são capazes de experimentar…

Ventos Nômades

Autora Manuela Marques Tchoe

Editora Pendragon

“O tal desejo de explorar o mundo, o Wanderlust, me enchia de sonhos em terras distantes, mas o lugar onde nasci me prendia, me pedia pra ficar como uma fitinha do Senhor do Bonfim no pulso.”

Sobre a Autora

Baiana de Salvador, Manuela Marques Tchoe vive há mais de dez anos na Alemanha, onde trabalha como executiva de marketing. Manuela é uma escritora apaixonada por culturas diferentes, em tema com o qual vive todos os dias. Seu primeiro livro, Ventos Nômade,s é uma coleção de contos que cruzam continentes e exploram o desejo de viajar e do exótico, os desafios e maravilhas de relacionamentos multiculturais e imigração.

Sinopse

Quantas vezes numa viagem nos permitimos ver a vida com outros olhos?

Em Ventos Nômades você encontrará dez contos que cruzam continentes, exploram o choque de culturas e novos horizontes além das fronteiras tupiniquins.

Você largará tudo em busca do sentido da vida com Guilherme até chegar ao mais antigo templo do sudeste asiático. Com uma americana à beira da morte, receberá um sopro de vida na ilha grega de Creta. E se embrenhará junto com dois amigos nos segredos judaicos de Praga.

Ventos Nômades é um convite a viajar pelo mundo!

Ventos Nômades

A mala estava pronta, só esperando o abrir da primeira página para embarcar. Subi a bordo do navio, entrei no avião, caminhei, corri e sacolejei no ônibus. Tudo parte da viagem que foi guiada por ventos nômades, que foram do Brasil à Alemanha, da Índia à Austrália e por muitos mais recantos do globo.

“Tornamo-nos reféns de uma paixão avassaladora que ignorava óbvias diferenças em como enxergamos o mundo, conflitos explosivos que eram tapados com beijos e promessas de amor eterno, e que dizimava contas bancárias com viagens para sustentar o namoro à distância e extensos telefonemas na madrugada.”

Vi Ventos Nômades em algum lugar que não lembro qual, em um tempo que não lembro quando e encantei pela capa e pelo título. Ventos que são nômades… indaguei: qual vento não o seria? E, apesar do título constar daquelas listas infinitas de desejos que espalho em todos os meus dispositivos eletrônicos e cadernos, estava lá, a aguardar o momento que os tais ventos o trouxessem para mim.

“Por um momento era como se me encontrasse numa tempestade de areia, sentidos tomados por um turbilhão de grãos trazendo lembranças que havia enterrado nos confins de meu coração, de repente acordadas de um sono profundo, como se sacolejadas com o gingado de um camelo.”

E eles chegaram, fizeram a própria viagem e desembarcaram em meu endereço. Admirei capa, descobri a diagramação de encher olhos e então, voltei a pensar quais seriam esses tais ventos nômades. Seriam os que circulam por mim no centro da cidade, ou seriam aqueles que só encontro na beira-mar que não existe em minha cidade? Seriam aqueles que levaram as almas gêmeas a se reencontrarem, ou o que levou as filhas a peregrinar na terra de sua mãe?

“Me perguntei se fé deveria ser assim, uma gaiola dourada que nos impede de viver, de aproveitar as coisas boas da vida. Não seria fé algo mais íntimo, que nada tinha a ver com coisas exteriores à alma?”

São muitas perguntas e continuo a indagar sobre o vento. Se ele tem o condão de trazer magia, ou de criar amor à primeira vista. Se ele consegue carregar perdão tão bem quanto grãos de areia, se consegue fazer mulher de pedra dançar ou se tudo não passe de devaneios meus sobre amores destinados que o mundo fez separar. Não sei, talvez a beleza dos ventos que se denominam nômades seja exatamente esta, levar e trazer migalhas e sementes, esperanças e desencantos, conforto e desconforto.

“No papel deixado em minha mão a frase nenhuma estrada é longa com boa companhia. Provérbio turco.”

A leitura, que passa por dez contos, vai das mais variadas narrativas, primeira, terceira pessoa, de um jeito tão natural e corriqueiro que é possível imaginar que cada personagem escrivinhou aquelas linhas, transpôs em mente ou no papel, tudo que os ventos delimitaram nas páginas.

“À medida que envelhecemos, nos convencemos que é de mau gosto amar novamente, que precisamos deixar a plenitude para os jovens, que nossa época já passou. Mas cá estava eu numa encruzilhada, entre o comportamento esperado da minha idade e a falta que me fazia de nó no estômago, de suspiro, de paixão, duas forças contraditórias, o doce e o amargo de mãos dadas.”

Alguns contos receberam os ventos do amor, da esperança e, por onde passam, deixaram a brisa suave do afago que é saber que algumas experiências, ainda que passem por linhas tênues, acabam por engrandecer, por ensinar e mostrar que há muitas mais formas de se amar e desbravar o mundo, do que com uma mochila nas costas.

“Ventos nômades os levaram para o outro lado do mundo à procura de paz e lar, deixando para trás famílias desoladas com a partida que, mesmo sem intenção, fora para sempre.”

Outros, tem sabor amargo, da rudeza da vida, mas que reverberam como ventos uivantes que erguem mechas de cabelo e causam arrepios na pele. Mas deixam também a certeza, levemente incerta, de que os caminhos que nossos pés tocam, são aqueles que já foram pisados tantas vezes antes, que já iluminaram tantas vezes antes e que receberam tantos nômades quantas vidas passaram pelo mundo. É a certeza que trilha alguma é feita em solidão, porque o vento que levou até lá, levou tantos outros antes.

“Só sei que mesmo com a velocidade fenomenal com que se irritavam, também conhecia o lado doce de cada uma, porque afinal se ninguém é somente bom ou ruim, também ninguém é só feroz e temperamental. Cada uma era única, fogo o elemento que as unia.”

Talvez, tenha algum conto favorito aqui ou acolá, um que fez meu próprio vento nômade tomar força, embaraçar os cachos e arrepiar a espinha. Mas seria injusto com os ventos de sorrisos, leveza e sutileza que, cada um, à sua maneira, conseguiu inspirar.

“Tudo no universo conspira a nosso favor quando é esse o nosso destino.”

Desembarcando em cada ponto, vi milagres na praça do rei quando uma tempestade de areia tomou meu caminho. Perambulei e acabei vendo a dançarina de pedra em terras que não sei nomear. Apesar da acolhida, saí em busca de um novo rumo, mas me vi à meia-noite na fronteira. E isso foi quando me deixei levar pelo abraço do mar, para então me secar à sombra da cerejeira que trouxe cálido perfume às ressacas marítimas. Usei então o vermelho de todas as coisas quando o desconhecido sorriu e veio com aquela história de olho no olho, polvo com repolho. Não deixei que me enganasse, o anel de Salomão não teria aquela aparência. Só sei que, no fim do dia, das contas e da viagem, os vi novamente, agora, foram milagres na terra dos Orixás.

“Tudo tem um sentido, irmão, e nossas vidas não podem ser mensuradas apenas por nós mesmos. Somos parte do universo, nosso destino entrelaçado a ele.”

Aleatoriedades

  • O livro foi recebido em parceria com a autora Manuela Marques Tchoe, a quem agradeço a confiança e oportunidade de viajar com seus Ventos Nômades!
  • A edição do livro está linda, tanto a capa, quanto a diagramação, das ilustrações às folhas amareladas que facilitam a leitura. A Editora Pendragon arrasou nesse livro!
  • Fazer essa sessão de fotos foi complicada, comecei com elementos que combinavam com a capa do livro, mas acabei querendo coisas que me remetessem à viagem que a leitura me proporcionou, e acabei reformulando as coisas várias vezes até chegar nessa ‘bagunça‘ e ficar satisfeita.
  • Costumo ouvir música o tempo todo, até mesmo quando estou lendo. Não casou o momento, mas sabe quando se termina um livro e a história ainda está em você? Estava eu neste estado e comecei a ouvir I Will Be With You, um dueto da Sarah Brightman com Paul Stanley, e a música simplesmente caiu como luva para um dos contos do livro: Tempestade de Areia. Sabe quando parece trilha sonora, que um vem do outro mais do que feito para o outro? É bem por aí e gosto muito de casar músicas com momentos e leituras que faço, acho que esse foi uma combinação indescritível! Quem quiser ouvir a música, só clicar no YouTube.

Ventos Nômades está disponível na loja da Editora Pendragon e na Amazon, inclusive em e-book.

Que a Força esteja com vocês!

Ouvindo: I Will Be With You – Sarah Brightman and Paul Stanley

  • Ale Helga

    Em 26.11.2018

    Já tinha visto as fotos no instagram e como sempre você arrasou…Preciso descobrir os contos, minha relação não é muito boa…
    Abraços

  • Retipatia

    Em 26.11.2018

    Oi Ale, feliz que tenha gostado! Acho que vale a pena experimentar alguns contos!
    xoxo


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