As Coisas Que Aprendi Depois Que Eu Morri – Victoria Aldrin

Em 15.10.2018   Arquivado em Resenhas

Ei, você, sim, você, meu amigo imaginário. Por favor, não repare muito ao redor, talvez não esteja acostumado com todo o caos… talvez coloque seu almoço para fora e, convenhamos, não estamos em condições de desperdiçar comida após a Terceira Guerra Mundial. Mas, não se preocupe, porque estou aqui para te ensinar as coisas que aprendi depois que eu morri.

As Coisas Que Aprendi Depois Que Eu Morri

Autora Victoria Aldrin

Editora Killa

“É assim que chamo o que estou vivendo, a época a partir do fim da Terceira Guerra Mundial é a pós-vida.”

Sobre a Autora

Victoria Aldrin é amante da escrita desde muito jovem, escrevendo histórias desde seus oito anos. Fez curso de Roteiro para Cinema e TV na Academia Internacional de Cinema e publicou seu primeiro livro aos 18 anos. Atualmente mora em São Paulo.

“Nada do que eu disse aqui é verdade absoluta. Quase nada do que é dito na vida é verdade absoluta, eu acho.”

Sinopse

Pense na sua vida. Pense em quem você é.

Pense em todos aqueles que você conhece e ama.

Pense no que você já viveu e ainda quer viver, e em todos os bons momentos.

Pense sobre tudo isso.

E agora… destrua.

A Terceira Guerra Mundial extinguiu o mundo que conhecemos atualmente. Não há mais governos, dinheiro, eletricidade ou cidades como as conhecíamos. A humanidade foi praticamente dizimada e, em meio a bombas nucleares e armas biológicas, a Nova Era se instalou e substituiu, sem volta, nossa realidade. Perdidos e separados pelos eventos catastróficos, Mariana e Bernardo costumavam viver uma vida normal antes do apocalipse. Eram jovens que viviam na maior região metropolitana do Brasil, São Paulo, e nunca imaginariam que suas vidas seriam viradas de cabeça para baixo tão rapidamente.

No começo da Guerra, Mariana e sua família vão para o interior, enquanto Bernardo permanece com sua família na capital. Entretanto, o Brasil é desolado e exterminado por pequenos bombardeios e armas biológicas, enquanto o mundo perde o último fio de compaixão e as nações se destroem completamente. Agora, após a Guerra, Mariana precisa voltar para Bernardo, precisa voltar para a capital, mesmo que não haja mais capital alguma. Por outro lado, Bernardo descobre-se infectado pela arma biológica e é levado para longe do ponto de encontro. Os dois precisam se reencontrar. Precisam resgatar o mínimo de sanidade possível. Precisam ter algum resquício do que era a vida antes de tudo. Afinal de contas, depois de tantas perdas, os dois só podem confiar que, um dia, irão se reencontrar no ponto marcado – a antiga escola de Mariana.

Acompanhados do leitor, os dois buscam ensinar tudo o que aprenderam com a Guerra e tudo o que aprenderam depois que tudo morreu. Toda a sua vida precisa ser revista. Você aproveitou tudo mesmo? Quem você realmente é?
Tem certeza de suas respostas?

Pense na sua vida.

E pense novamente.

E de novo.

E agora destrua.

Seja bem-vindo à Nova Era.

As Coisas Que Aprendi Depois Que Eu Li

Você, meu amigo imaginário, venha comigo que quero lhe apresentar a Mariana. E o Bernardo. São amigos meus, da época de antes da guerra, mas sabe como é, depois que o mundo foi devastado, a comunicação ficou um tanto quanto complicada e, por acaso, nos encontramos a caminho da nossa antiga escola. Porque o Bernardo precisa esperar a Mariana e a Mariana precisa chegar até o Bernardo.

Lição número um: você vai morrer.

Nós vamos caminhando pelas pilhas de destroços que são misturas de concreto e corpos (sim, corpos, há muitos deles por todos os lados). Já me parece algo normal à paisagem, e, enquanto corremos com Mariana para escapar, não nos preocupamos muito, tudo que sabemos é da dor de nossas pernas ao precisar avançar sem parar. Avançamos e avançamos e, querendo ou não, a gente acaba ficando amigo. Acho que pode parecer estranho, porque, claro, nós meio que nos conhecemos agora há pouco. Não eu e a Mariana, mas eu e você. Só que, a gente tem muito pra contar, não só de depois da guerra, depois do dia em que morremos. Mas de antes, quando as pessoas ainda davam mais atenção ao celular que à vida dos outros e que trabalhavam e consumiam como se não houvesse amanhã.

“A segunda coisa que eu aprendi depois que eu morri é uma teoria que estou desenvolvendo mentalmente… Um desapego líquido.”

Isso já deve estar claro para você à essa altura, mas houve amanhã. E um bem perigoso, como todos os amanhãs agora são. E não é só o risco de se infectar, tem também a chance de ser pego por um grupo canibal ou por comunidades que não prezam nem um pouco a vida alheia.

“Te introduzir à terceira coisa que eu aprendi depois que eu morri vai me distrair… Seja egoísta.”

Antes que me esqueça, tem o Bernardo também. Eu estou preocupada com ele, agora que percebeu que está doente. Não sei o que é. Nem ele, é claro, e nem precisa vir com suas suposições de que pode não ser nada demais. Sorte não é exatamente uma coisa que eu acredito depois da guerra, mas, eu arriscaria dizer que ele teve sorte, n fim das contas, vai ficar distante do ponto de encontro com a Mariana por um tempo, mas precisa melhorar. Se não melhorar, não vai encontrar com a Mariana, de todo jeito.

“A quarta coisa que aprendi depois que eu morri é que pessoas valem à pena.”

Por que você acha isso? Eu acho que é importante se encontrarem sim, por acaso não aprendeu as lições? Aquelas que eu aprendi depois que eu morri? Bem, preste atenção porque são importantes. Ou falam o quanto as coisas são desimportantes, o quanto só notamos isso depois que perdemos tudo. Tudo mesmo. As ideias para o futuro e o acesso à Netflix. A família, os amigos, e todo mundo mais se vai. As dores do mundo de antes começam a se misturar com as dores do mundo de agora, porque, no fim do dia, nem todas as pessoas ficaram melhores depois que tudo morreu. Algumas continuaram exatamente como eram antes, outras, levaram ao pé da letra a ideia de lei da sobrevivência. Eu diria que é só uma desculpa. A desculpa para continuar com o ciclo de horrores que víamos todos os dias, bem… antes de tudo. Só que de um modo mais explícito.

“A quinta coisa que aprendi depois que eu morri é que: o passado é o passado.”

Talvez eu já tenha falado demais, mas preciso dizer umas últimas palavras, já que eu aprendi mais coisas que poderia contar com a Mariana e o Bernardo. Coisas que me contaram depois que morreram, antes de morrerem e que aprenderam no meio disso tudo. Não vou enumerar cada uma delas, porque, senão, você não teria sua própria jornada, digamos assim, no pós morte. Então, por favor, abra a primeira página e deixe sentir…

“Tenho outra coisa a dizer, a última coisa. A última lição e tal, e eu deixei o melhor para o final. Na verdade, é somente a lição mais importante, porque eu mesma tenho muita dificuldade nessa. Com um suspiro, eu solto: — Você tem que amar a si mesmo.”

As Coisas Aleatórias Que Aprendi

  • Acho que a primeira delas é que, o ser humano pode ser tão bom quanto ruim. Na mesma medida, em extremos, assim como pode ser bom e mau, tudo junto misturado. Não que haja real novidade nisso, mas, de certa forma, a colocação do mundo pós-guerra que vemos no livro é bem diferente do que estamos habituados em distopias. As coisas são como são, ninguém está tentando iniciar uma nova revolução. O que temos aqui é a jornada (em todos os sentidos possíveis) de Mariana e Bernardo, o cenário apocalíptico é apenas o pano de fundo.
  • Meu Kindle tinha exatos 74 destaques… eita livro que eu fiz seleções no texto… rsrsrs Vou ver se depois compartilho algumas pelo IG, já que, aqui, acaba que coloquei apenas algumas, pra dar um gostinho da leitura para vocês!
  • A autora é um encanto de pessoa, a conheci na bienal porque queria muito o livro desde que vi o lançamento. E a parte mais legal é que, mesmo sem ler sinopse nem nada (coisa que já não costumo fazer), sem procurar saber qual era o estilo do livro, ele me trouxe ótimas reflexões (tem dias que são mais difíceis colocar em prática, mas às vezes, as coisas são como são… e tem dias que são coisa alguma). Ah, e Tori, queria dizer que, de qualquer forma, você me deve uma coxinha!

  • Não que eu não soubesse, mas música faz falta à beça. Se o mundo “acabar“, depois que eu morrer, as pessoas terão que se habituar com minha voz de taquara rachada cantando.
  • Um dos charmes do livro é a narrativa que quebra a quarta parede desde as primeiras linhas, já que os personagens embarcam na trajetória e, literalmente, levam o leitor ao seu lado, como um amigo com quem dialogam o tempo todo. Com certeza uma das melhores quebras que já li. E um dos livros favoritos de 2018.
  • Não menos importante, a edição é um charme a mais. A ilustração da capa e das folhas de dentro, as mensagens/poemas que vem no começo dos capítulos (apenas na edição física, ok!?), cada detalhe deixa a leitura mais prazerosa e são verdadeiros complementos ao texto. Uma das edições mais lindas que tenho, com certeza!
  • A ideia das fotos veio porque a brusinha era a cara da edição (faz mais sentido ainda para quem lê) e, de certa forma, segui o estilo de uma que já tinha feito no IG quando falei da leitura conjunta desse lindo, que foi feita com as corujinhas do Resenhando por Marina: , Fox, Kaka e . Bora lá conferir as impressões delas sobre a leitura também! E, nesse último clique a seguir, minha amiga imaginária, que ajudou em todos os cliques dessa vez, fez uma participação especial…

As Coisas Que Aprendi Depois Que Eu Morri está disponível para venda na loja da Editora Killa e o e-book disponível na Amazon.

Que a Força esteja com vocês!

Ouvindo: qualquer música do Coldplay…

  • Luana Souza

    Em 15.10.2018

    Vi o título desse livro em algum lugar e achei tão legal, tão aleatório e significativo. Definitivamente eu esperava uma outra coisa, mas a premissa saiu muito melhor do que a minha imaginação! Amei essas quotes que você escolheu, Rê; fiquei com vontade de anotar todas. Ja vou baixar o livro agora!
    Ah, as fotos também estão lindas *-*

  • Retipatia

    Em 15.10.2018

    Oi Luh!
    Ah eu sou suspeitíssima, mas também adoro esse título e ele foi exatamente a primeira coisa que me fez querer esse livro!
    Feliz que tenha gostado da história e da premissa, ele é realmente fantástico e acho que seria uma leitura que você ia amar! <3
    Obrigada pela visita e feliz que curtiu as fotos!
    xoxo

  • Cilene

    Em 15.10.2018

    Adorei a capa do livro e o pouquinho do que vi do interior.
    Fiquei curiosa pra ler pois adorei a resenha e adoro livros que contam estórias que se passam no Brasil, São Paulo e localidades próximas.
    Coloquei na minha listinha do kidle 🙂

  • Retipatia

    Em 15.10.2018

    Oi Cilene!
    Ah esse livro é todo maravilhoso, sem dúvidas! A edição ficou linda, ao vivo é ainda mais perfeito. E a cidade em que se passa é a destruída São Paulo! <3
    Quando ler me conta o que achou!!! <3
    Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Lunna

    Em 15.10.2018

    Amore, acho que lhe disse que esse livro chamou a minha atenção desde que vi um post em vosso ig. Gostei das fotos (claro) nem vou me demorar porque gosto dessa combinação de elementos e sempre passo um tempo com elas, para sentir seu olhar. Gosto desse tato que você me permite.
    E essa resenha me deixou em suspenso como se fosse sendo apresentada a pessoas que vivem num lugar onde estou a chegar pela primeira vez e ao passar pelos cenários-pessoas vou sabendo-as e ainda sendo estranhas, são figuras conhecidas.
    Estranha sensação de desassossego e aconchego.
    Não se explica, é coisa literária mesmo.
    E eu me demorei um bocado em certas cenas, como naquela em que me avisa que ‘pessoas valem a pena’. Respirei fundo e me lembrei de pessoas que amo e de algumas que amava até ontem. Estou a desconstruir pessoas-personagens em mim. Como se tivessem arremessado uma âncora desse barco que sou e algumas afundaram e restou apenas as bolhas de ar a deixar o fundo.
    Eu gosto de distopias, embora não tenha me dado bem com ‘o conto de Aia’. Mas gosto de deixar a crosta da realidade e ir em direção a outras possibilidades para sentir-me em outra pele-vida. Estou carente disso, no momento.

    bacio

  • Retipatia

    Em 15.10.2018

    Oi Lunna!
    Já conversamos sobre esse turbilhão de sentimentos… sem dúvidas o livro toma o lugar comum de nossos sentimentos que acabam sendo tomados pelo mundano e que, de certa forma, refletem o horror cotidiano a qual somos submetidos. São tempos nebulosos e difíceis demais, como se num mergulho muito longo, quiséssemos emergir e não importa o quanto nademos, não chegamos ao topo.
    Saiba que meu coração está com você! <3
    Ultimamente eu quase quis fazer um adendo ao: certas pessoas valem a pena…
    E eu vou dar meu jeito de ler O Conto de Aia… ehehe Quem sabe nas férias (apesar que precisava era de férias do mundo…).
    Obrigada pelo diálogo de sempre!
    xoxo


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