Como Nunca Imaginei ♥ Naiara Aimee

Em 02.07.2018   Arquivado em Resenhas

Um vestido de casamento, um diário, um baú e três histórias de amor se entrelaçando ao longo do tempo. Uma viagem que vai do século XX ao XXI, na beleza de se contar romances em um romance e costurar vidas e destinos com palavras.

Como Nunca Imaginei

Autora Naiara Aimee

Publicação Independente pela Amazon

“Débora olhou para o céu, através da janela do escritório e se perguntou o que estaria sendo reservado para o seu futuro, se havia mais que uma coincidência em tudo que estava acontecendo. O vestido, o baú, aquele diário… tudo era tão confuso e dava medo. Que propósito havia naquilo?”

Sobre a Autora

Naiara Aimee, nascida em 1992, estudante de Letras, é paulista e aos onze anos descobriu o amor pela escrita. Ama clássicos e suas autoras favoritas são as irmãs Brontë, Jane Austen e Georgette Heyer. Além do conto ‘Estela e a Fera” e “Assim Como És”, publicados na Amazon, Naiara Aimee também compartilha suas obras na plataforma online Wattpad.

“Dedicado a todos aqueles que acreditam que o impossível é só uma questão de perspectiva.”

Sinopse

Um diário e três vidas entrelaçadas.

Débora perdeu a melhor amiga e desde então têm vivido uma vida que não é sua e sem espaço para o amor. Ela está decidida a permanecer só, mas algo inesperado acontece. Em suas mãos vão parar um vestido de noiva e um diário que irá transportá-la ao Rio de Janeiro do século XX e a levará a conhecer as histórias de Giovanna e Celeste, duas mulheres fortes, que precisam superar as barreiras impostas por uma sociedade aristocrática. Isso fará com que um Débora descubra mais que um simples relato, mas também como o amor de Deus pode atravessar gerações.

Como Nunca Imaginei

Débora passa os dias tentando adequar-se à nova rotina, uma sem sua amiga mais querida. Para isso, ela tenta manter os hábitos daquela que se foi, na expectativa de que não seja deixada para trás e que o vazio não tome conta de tudo.

“Débora, que não era dada ao romantismo, as observava e se perguntava se existiria mesmo um amor tão forte que nem o tempo, distância ou os acontecimentos pudessem apagar.”

Os dias corriqueiros de Débora na loja de vestidos de noiva, trabalhando ao lado da sua amiga Viviam, são revirados quando uma senhora aparece e a presenteia com um antigo vestido de noiva. Ainda que insista que é um presente descabido, logo a senhora parte e deixa a peça deslumbrante com a nova dona. Como se isso não bastasse, ao chegar em casa, a jovem se depara com um antigo baú na porta de sua casa.

“Ficarei com o vestido – e renovarei minha fé, acrescentei mentalmente – se ele couber em mim com perfeição, sem que precise de qualquer ajuste.”

O segredo que ele guarda está nas linhas do diário escrito por Giovanna, que irá nos levar para o Rio de Janeiro de 1905 e para as discussões políticas de desalojamento da comunidade carente para construção de uma ferrovia. Acontecimento que levará sua redatora a conhecer André e a lutar por um amor que, para a época, precisará encontrar forças para poder ser vivido.

“Eu sabia que aquela emoção não era só pelo vestido, mas por tudo que naquele momento ele representava. Minhas forças haviam sido renovadas e, de algum modo, eu sabia que tudo daria certo – tinha que dar.”

Ao fim da história de Giovanna, Débora passa então a procurar pela senhora que lhe deixou o baú, o diário e o vestido, tentando encontrar razão para todo o ocorrido. É quando ela descobre um número de telefone que irá revirar todo seu caminho e trazer muito mais do que respostas para sua vida.

“Sibilei para mim mesma ‘eu acredito, eu acredito’, porque era só nisso que eu podia me agarrar. Nada mais me restava além de acreditar que tudo daria certo no final.”

É assim que Naiara Aimee nos leva pela tempo: entrelaçando histórias, deixando migalhas e esperanças para desvendar as peças que faltam do quebra-cabeças que foram as vidas daqueles que nos são apresentados. A princípio, pode não parecer haver cruzamento de uma coisa com a outra mas, aos poucos, os mistérios que nos fazem virar as páginas com curiosidade, montam o todo que desenha as vidas de Giovanna, Celeste e Débora. Mulheres que, cada qual a sua maneira, tiveram que descobrir que o amor nem sempre é alcançado sem luta e sem quebra de preconceitos.

“Uma questão de fé, de que tudo em que se acreditasse poderia se tornar real. Talvez aquilo soasse como algo pequeno para muitos, mas era algo grande para mim.”

A viagem no tempo é delicada, sutil, ainda que se passem muitos anos, cada ambientação nos leva ao local exato, aos costumes e pensamentos de cada tempo, mostrando bem as diferenças que afloravam e ainda afloram em razão de cor e nível social. É impossível não pensar nas decisões que levam não apenas os personagens a enfrentar tantas dificuldades e preconceitos, mas que permeiam ao longo do tempo e acabam por gerar consequências que reverberam ao longo dos anos e das gerações.

“Débora olhou para o céu, através da janela do escritório e se perguntou o que estaria sendo reservado para o seu futuro, se havia mais que uma coincidência em tudo que estava acontecendo. O vestido, o baú, aquele diário… tudo era tão confuso e dava medo. Que propósito havia naquilo?”

Com inspiração nos clássicos romances de época, a autora conseguiu mostrar, no próprio Brasil, a beleza e rudeza de cada tempo pelo qual ela costurou o enredo, a importância do amor, da família e de lutar pela justiça e igualdade de todos. E, ainda, conseguiu apresentar mulheres fortes, cada qual à sua maneira, que tanto lutaram para acabar com preconceitos alheios quanto o delas próprias quando o amor tocou suas vidas. Mas, nem de longe apenas o amor romântico, claramente presente nos enlaces que são bordados nas linhas certeiras como a costura de Celeste, mas também o amor de Deus, o amor dos homens e o amor próprio. Personagens que, ainda que retratados em um pequeno pedaço de suas histórias, fazem com que seja impossível não desejar que tenham seus sonhos e felicidade alcançados.

“Mas você não pode apenas existir, Fernando. Você precisa viver!”

O caminho trilhado por esses personagens está longe de ser fácil ou ilusório, tanto na época atual quanto nas viagens pelos anos passados, vemos refletida a vida cotidiana e os desafios que a vida pode vir a sujeitar a qualquer um de nós. São tantas Giovannas, Celestes e Déboras mundo afora. E também muito mais, já que todos os personagens que aparecem têm seu papel a cumprir, um apoio, uma palavra ou até mesmo, um desentendimento. Aprendizado que a vida traz, muitas vezes, em forma de descontentamento e desilusão do mundo perfeito que idealizamos ao nosso redor.

“Um dia de alegria vale mais que uma vida sem felicidade.”

Foi com carinho que a leitura se desenrolou, tudo isso porque a escrita, que cativa, transpira pelos poros a dedicação da autora em passar não apenas uma história de amor ao leitor, mas uma história de sentimentos, provações, desafios e vida. O primeiro contato com a escrita da autora deixou sabor de quero mais e, sem dúvidas, ela já entrou para a lista de leituras de romances de época que quero ler mais ainda neste ano!

“Sempre é tempo de amar. E amar é uma constância. Não há nada a não ser amar, amar e amar.”

Aleatoriedades

  • Como Nunca Imaginei foi uma leitura feita em parceria com a autora Naiara Aimee, que, além de ser um encanto de pessoa (e escritora, é claro), tem um ig literário super fofo, o De Época da Naiara Aimee, em que compartilha sobre suas obras e o Naiara Aimee em que fala de suas leituras. Nai, obrigada pela oportunidade e carinho de sempre!
  • Agora eu estou esperando uma senhora aparecer na minha vida com um vestido de noiva e um baú cheio de mistérios… ahaha Ainda posso sonhar né?! A Débora tem 30 anos no livro e eu tô quase lá. Ela deve aparecer sempre aos 30, conto pra vocês quando for minhas vez! rsrs…
  • Fiquei pensando em várias opções pras fotos desse livro querido e, quando fui pegar o mini baú para fazer parte das fotos, vi a máquina de costura da minha irmã e a ideia veio, precisava fazer um pequeno ateliê como cenário para as fotos. Daí veio uma saga para pegar algumas miniaturas que poderiam compor e as fotos nasceram com o cenário que foi feito para fotografar dolls.

Como Nunca Imaginei e outras obras da autora estão disponíveis na Amazon e também pelo Kindle Unlimited. Ela também tem obras disponíveis no Wattpad e o livro físico do romance de época ‘Tudo o Que Mais Importa’ publicado pela Editora Up Books.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Winter in July – Sarah Brightman

  • Naiara Aimee

    Em 02.07.2018

    O que dizer dessa resenha? Eu tava morrendo de medo aqui (aquelas superinseguras kkk), mas depois de ler essas palavras tão lindas, eu fiquei toda emocionada. Amei o “nos enlance que são bordados nas linhas certeiras”!!! Hahaha! Amei tudo!!! Ain, tô muito emocionada mesmo, Re! Obrigada de todo o coração por essa resenha tão carinhosa. Vou guardar num potinho! <3 PS: Tô quase chegando nos 30 também e esperando o meu vestido lkkk Bora apressar essa senhora kkkk
    PS2: Essas fotos estão lindas e tão significativas! Sua talentosa!

  • Retipatia

    Em 02.07.2018

    Oi Nai!
    Ahhh que amor, linda! Sua história foi uma leitura super aconchegante e a resenha sempre reflete a leitura, pode ter certeza! <3
    Vamos esperar a Celeste aparecer e vir logo nos presentear com um vestido e um baú! ahahah Quero logo! Feliz que gostou das fotos também! <3
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Cilene Mansini

    Em 02.07.2018

    Fiquei com muita vontade de ler o livro porque tem mulheres fortes, é de época e tem mistério e claro é romance que não tem a mocinha chatinha 🙂
    Adorei a produção para as fotos, ficou linda demais.
    Beijos

  • Retipatia

    Em 02.07.2018

    Oi Cilene!
    Ah que delícia! O livro é assim mesmo, mulheres marcantes e sem chatices! eheheh Feliz que gostou das fotos e que quer ler o livro!!! <3
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Isa Gomes

    Em 02.07.2018

    Eu acho incrível a sua habilidade de fazer resenhas unindo belas fotografias. Adorei essa resenha e já quero eleee! Pela resenha já deu para ver que é lindo e que eu preciso dele. <3

    Beijos!

  • Retipatia

    Em 02.07.2018

    Oi Isa!
    Ah que amor, feliz demais em saber que curte as resenhas e as fotos que as ilustram! E especialmente que ficou querendo ler o livro!!! <3
    Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Patricia Monteiro

    Em 02.07.2018

    Ah, e essa maquininha de costura? Amo essa caixa de música, dei uma de presente pra minha tia e ela amou! Guarda com muito carinho. A resenha está maravilhosa como sempre, adorei o enredo, histórias com mulheres fortes que quebram barreiras e preconceitos me encantam. Acho também bacana valorizar nossos autores, parabéns pra Naiara!

  • Retipatia

    Em 02.07.2018

    Oi Patricia!
    Ahhh essa caixinha de música é um xodó. É da minha irmã e, quando resolvi montar o “cenário” peguei com ela porque é a cara da história.
    Feliz que tenha gostado da resenha e da história, com certeza uma leitura super encantadora! Adoro mostrar nacionais por aqui e que temos muita coisa boa contemporânea! <3
    Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Claudia

    Em 02.07.2018

    Que post mais lindo, Rê!!
    Adorei!
    Fiquei muito curiosa para ler esta história da Naiara.
    AMEI suas fotos e o post, você arrasa sempre
    Dica anotada
    Beijos

  • Retipatia

    Em 02.07.2018

    Oi Claudia!
    Ah feliz que tenha gostado! Esse livro é super fofo, vale a pena conferir! Que bom que gostou das fotos!!! E obrigada pela visita! <3
    xoxo


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