A Casa dos Pesadelos ♥ Marcos DeBrito

Em 18.05.2018   Arquivado em Resenhas

Algumas casas são diferentes das outras, mesmo habitadas, guardam tantos segredos que fazem o assoalho ranger sob o toc toc insistente de uma criatura a emergir das sombras… Prontos para adentrarem em seus piores pesadelos?

A Casa dos Pesadelos

Autor Marcos DeBrito

Faro Editorial

“Não procure as lembranças que te incomodam só pra ficar remoendo os sentimentos ruins. Busque, ao menos, a recordação das coisas boas que esta casa deixou em você.”

Sobre o Autor

Cineasta premiado, Marcos DeBrito vem sendo considerado a grande renovação na produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham à cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus demônios e calar as vozes que não o deixavam em paz.

O destaque de sua produção está na crueza como retrata as diferentes faces do mal, mas não é apenas isso. Todas as suas histórias contêm elementos de mistério e surpresas que desafiam o público a desvendar a mente dos personagens. Diretor, roteirista e escritor, O Escravo de Capela é seu terceiro livro publicado. Condado Macabro, seu primeiro longa-metragem, foi lançado nas salas comerciais em 2015 e vem mostrando a força de sua narrativa  em festivais por todo o país e no exterior.

Sinopse

Dez anos depois de estar cara a cara com aquela assombração, Tiago finalmente concorda em voltar à mesma casa para visitar sua avó. Agora adolescente, ele pretende provar para si mesmo, que a terrível imagem que o aterrorizara nas madrugadas por tanto tempo, não passava de uma criação tenebrosa da infância. Mas, ao chegar no casarão, o jovem se depara com o misterioso quarto de seu falecido avô, agora mantido fechado, e tratado como espaço proibido. As restrições com relação ao aposento, as sensações e barulhos no meio da noite logo alimentam nele a suspeita de que algo terrível habita o local. Tomado por uma estranha coragem e desejo de ver-se finalmente livre do medo, tudo que o rapaz deseja é descobrir o que há por trás daquela porta. Então, o pesadelo toma novo impulso quando a figura sombria da infância mostra-se real novamente… mas, desta vez, ela quer atacar o seu irmão mais novo. Determinado a impedir que o caçula passe por terror semelhante, Tiago, mesmo apavorado, decide enfrentar a criatura. E o que descobre expõe terríveis segredos do passado que ninguém poderia imaginar.

Na Casa dos Pesadelos

Tiago está prestes a enfrentar seu pior pesadelo: retornar à casa que lhe marcou de maneira definitiva, algo que assombra seu passado e que faz com que as visitas ao psicólogo sejam não apenas necessárias, mas uma constante nos últimos dez anos. A residência de sua avó materna é o problema e, agora, com dezoito anos e com um irmão caçula com a idade marco na vida do protagonista, ele retorna ao cerne dos seus pesadelos. Tiago está decidido a encarar seus medos. Afinal, o monstro, aquela criatura grotesca que o assombrara não existe, não é mesmo?

O único detalhe que Tiago não espera é que, além da descrença de sua mãe e da mágoa que sua avó Célia guarda, seu irmão Bruno também irá ouvir os passos que unem o pé de madeira e a carne sendo arrastada até o quarto da vítima. Aparentemente, ele não é mais o alvo da criatura e precisará de toda sua coragem para colocar os anos alimentados pelo medo de lado e proteger o irmão, seja lá a criatura invenção de sua cabeça, ou não…

A edição do livro não poderia ser mais rica em detalhes que fazem perfeita composição com a história que brinca de ir ao passado e retornar para apresentar ao leitor vislumbres do fatídico acontecimento que fez Tiago temer o escuro e uma criatura abominável. As partes que correspondem à memória receberam páginas em alaranjado e, o tempo presente, manteve o tom amarelado habitual. Além disso, existem várias ilustrações horripilantes que acompanham a leitura e fazem a imaginação do leitor saltar quando somada às descrições do livro, resultando em uma identidade sombria…

Marcos DeBrito nos apresenta um jovem atormentado e, nem de longe pelas lamúrias habituais que a idade costuma impor àqueles que estão prestes à ingressar na vida adulta, Tiago fechou-se para o mundo desde que estranhos acontecimentos ocorreram na casa de sua avó quando ele tinha apenas oito anos. Dez anos de terapia não foram suficientes para fazer com que ele se abrisse ou sequer conseguisse recordar dos eventos que o levaram a ser encontrado pela mãe de madrugada, na estrada, alegando que queria voltar para casa.

Assim, conhecemos também os outros personagens da trama, a mãe, Laura, que luta para compreender o filho e não deixar que isso defina sua maternidade. Temos o irmão caçula, Bruno, que, curioso como a idade pressupõe, fica atordoado com a narrativa que recebe acerca do monstro que atormenta Tiago. E claro, ainda temos a avó Célia, que, solitária em seu casarão, deseja reatar com o neto, conhecer melhor o pequeno e fazer vida na casa que é repleta de memórias antigas as quais ela não deseja que sejam reviradas, como o quarto do seu falecido marido, que fica sempre passado a chave.

Temos ainda uma personagem secundária na trama, Camila, vizinha da avó de Tiago, que aparece na trama de maneira bastante peculiar, por parecer uma versão retorcida de uma manic pixie dream girl – MPDG (se não conhece o termo, tem links sobre o assunto no fim do post). Isso porque as MPDG são aquelas personagens adoráveis e sem passado e história que lhes dê suporte de vida e que servem de remédio para o personagem principal se recuperar de algum problema, estão sempre lá para apontar o dedo e mostrar o caminho. A personagem do livro está longe de ser perfeita, uma garota dos sonhos, mas, da mesma maneira que as MPDG, é usada como muleta para a história. Não se sabe mais que um vislumbre de quem ela é: além do nome e da violência que sofre, suas ações estão ali apenas para causar a reflexão do personagem principal, incitar uma reação associativa e colocar um elemento específico em cena. Com os recursos que o autor possuía à disposição e a criatividade mostrada na criação da trama, sem dúvidas, não era necessário tal uso. E, se não havia espaço para apresentá-la de maneira apropriada, seria melhor manter os arcos da história sem interrupções externas e utilizar-se de outros recursos para chegar às conclusões desejadas. Sem dúvidas, foi o ponto que mais incomodou durante a leitura.

A narrativa do autor nos leva aos detalhes, ao local e apresenta tudo que é de esperar para preparar o terreno da descoberta do desconhecido, ainda assim, em alguns pontos, a sensação de prolixidade se fez presente, um texto um pouco mais enxuto seria bem-vindo em certos momentos. Ainda assim a narrativa, que segue em terceira pessoa, consegue fazer bom trabalho descritivo em vários aspectos, mas deixa alguns sentimentos e emoções por demais óbvias ao leitor ao serem constantemente explicadas, antes ou depois de ocorrerem. E, talvez por isso, algumas situações sejam facilmente questionadas pelo leitor (não darei identificações claras porque seriam crime de spoiler) que, mesmo se tratando de um público-alvo juvenil, acabam tendendo mais para o excesso do que para instigar o raciocínio. De toda forma, a leitura do livro não chegou a ser maçante, apesar de impacientar em alguns momentos pelas redundâncias, e seguiu com rapidez para um livro com pouco mais de 140 páginas.

A trama em si, traz muitos elementos do que se pode esperar do gênero, com descrições que te levam ao local e suas obscuridades, mas é possível prever o desfecho antes que ele seja revelado nos últimos parágrafos da história. Aquela sensação de Sherlock Holmes por desvendar o mistério foi automática aqui! E, a possibilidade que se abre no fim do livro foi bem interessante, já que dependerá da imaginação do leitor. A minha levou aos caminhos mais escuros e tortuosos possíveis… algumas coisas dão mais medo quando revestidas de realidade… e o autor sabe bem disso!

ÁREA DE SPOILER – LEIA O PRÓXIMO TRECHO POR SUA CONTA E RISCO!!!

Um detalhe sobre o fim da história é que, gosto muito da abertura deixada para o leitor sobre como o protagonista resolveria a “situação” em que se viu ao encontrar o “monstro”, mas, de certa maneira, a sensação de não surpresa ficou marcante e, se de fato houvesse um ser literalmente, e não figurativamente diabólico, a ser encontrado, acho que teria ficado estupefata. Ainda assim, o fim casa bem com as migalhas que o autor deixa no texto, como os pensamentos do próprio Tiago em que seria melhor temer o fantasioso à algo real (um dos usos da personagem Camila, que aparece sempre com finalidade específica para o protagonista), a bengala e o toc toc da perna de madeira, a caixa inominável guardada com apreço em um quarto praticamente vazio… A realidade é o monstro cruel e mais temido e a distorção criada é mecanismo de fuga e, por mais célebre que seja a relação, ficou o gostinho de ‘já vi isso em algum lugar‘.

FIM DA ÁREA DE SPOILER

Aleatoriedades

  • O livro A Casa dos Pesadelos foi recebido em parceria com o autor, um mega obrigada ao Marcos DeBrito e à Assessoria e Marketing pela confiança e oportunidade!
  • Um detalhezinho que já citei no texto, mas vale destaque: a edição do livro, feita pela Faro Editorial, ficou incrível! Boa revisão, diagramação e, sem dúvidas, que páginas! Tanto as ilustrações, como a ideia maravilhosa de fazer os capítulos que são regressos ao passado do personagem nas folhas alaranjadas! Simplesmente amei, combinam muito com a vibe da história!
  • As fotos dessa vez não foram tenebrosas como a própria casa dos pesadelos, mas usei um efeitinho do celular da irmã pra dar esse tom e ficar com esse aspecto de não sou nova, mas não sou velha… rsrsrs A ideia era mostrar um ‘momento leitora‘, será que rolou?
  • Para quem quiser conhecer ou saber mais sobre Manic Pixie Dream Girl, pode acessar os links a seguir: Wikipedia (só pra saber significa geralzão…), Medium, Corujas de Biblioteca, GV Cult, Quem tiver dicas de textos do tema, ficarei feliz em conhecer!

A Casa dos Pesadelos está à venda nas maiores livrarias do país, online e físicas!

“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.” Heródoto

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

  • Fernanda Akemi Pedotte

    Em 18.05.2018

    Olá!!!

    Primeiro, amei as fotos!!!
    Que livro é esse? Parece daqueles que deixam o leitor meio perturbado kkkkkkkk. Eu adoro leituras assim, que mexam com a gente, que tenham um mistério e nos fazem pensar em várias situações. Esse eu não conhecia e claro que vai para minha lista!

    bjs
    Fernanda

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Fernanda!
    Own obrigadaaa!
    Ahahaha eu não sei se deixou alguém perturbado, mas faz pensar bastante, com certeza! Que bom que vai pra sua lista!!! <3 <3 <3
    Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Monique Dieli Chiarentin

    Em 18.05.2018

    Gostei da premissa do livro e também de que não é só um livro de terror e sim que existe uma história por trás, algo que nos faz querer investigar.
    Não sei se eu conseguiria ler esse livro, pois sou muito medrosa, mas me interessei pela história lendo sua resenha.

    Inclusive, amei as fotos, ficaram muito boas!

    Beijos
    Inverno de 1996

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Monique!
    Sim, o livro tem uma história, não se trata daqueles que não há construção de personagens e enredo, apenas se baseiam no susto. Tem todo um viés pensado para o decorrer dos acontecimentos! Mas não preocupa porque não chega a dar medo não, e olha que sou bem medrosa! eheheh
    Feliz que gostou das fotos! <3 Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Monique Dieli Chiarentin

    Em 18.05.2018

    Gostei de que não é só um livro de terror, mas de que também tem uma história por trás e que os faz querer investigar!
    Não sei se eu conseguiria ler esse livro, pois sou muito medrosa, mas adorei a história pela sua resenha!

    Inclusive, as fotos ficaram muito boas!

    Beijos
    Inverno de 1996

  • Isa Gomes

    Em 18.05.2018

    “Não procure as lembranças que te incomodam só pra ficar remoendo os sentimentos ruins. Busque, ao menos, a recordação das coisas boas que esta casa deixou em você.” Hoje mesmo eu estava falando algo parecido com isso com minhas amigas… às vezes, quando sofremos alguma desilusão ou alguma experiência dolorosa, tendemos a ficar remoendo apenas as coisas ruins e não prestamos atenção nas coisas boas e aprendizados que obtivemos nessa mesma caminhada. <3 O livro já me conquistou pelo título e pelo gênero, mas estou me controlando pra não comprar livros por enquanto porque tenho alguns por ler ainda, aguardando na estante hehehe.
    Ah, adorei as fotos que você colocou no post *-*

    Beijos!

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Isa!
    Concordo muito com isso, em alguns momentos, acho que nos apegamos a dor, porque ela é tudo que nos resta. Então preenchemos qualquer vazio com ela, como se dependêssemos dela para viver e, assim, se torna complicado ver muitas coisas, como a realidade e as coisas boas que surgem! <3
    Que bom que gostou do livro, coloca ele na lista de desejos!!! <3 Feliz que tenha gostado das fotos! <3
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Juliana Sales

    Em 18.05.2018

    Sempre que venho aqui me deparo com uma resenha de um autor que nunca tinha ouvido falar antes. Para uma leitora ávida como eu, isso é ótimo! Gostei bastante da resenha desse post, é o tipo de leitura que me chama atenção. Fiquei bem curiosa com a história, até pulei a parte com spoiler, para aproveitar ao máximo a leitura.

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Juliana!
    Ahhh que delícia saber disso! Acho sempre importante divulgar mais nacionais e é sempre bom ajudar a expandir o horizonte dos leitores! <3 E se curtiu a vibe, talvez goste da leitura também, se ler depois me conta o que achou dele!!! <3 O spoiler foi devidamente sinalizado, para evitar problemas... ahahaha
    Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Lunna

    Em 18.05.2018

    Não o conhecia, ma o título despertou a minha curiosidade, no entanto, conforme fui lendo e tomando consciência do tipo de terror que o livro oferece, confesso que esvaziei um pouco. A palavra pesadelo para mim sempre foi algo rápido-prático. Aquela sensação de dia inteiro, e que nada faz muito sentido. Não se explica e mesmo assim você precisa entende.
    Eu tive poucos pesadelos e sempre fiquei dentro dessa sensação e sempre que busco na literatura ou filme, quero encontrar algo disso, mas sempre encontro outras definições, algo que remete a um passado distante, uma tentativa de resolução de caos orientado em tragédias pessoais.
    Viajei, ok… a culpa é sua. rá
    bacio

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Lunna!
    Eu também fui atraída pelo livro pelo título, estou entrando mais nas leituras de suspense, terror/horror nesse ano e adorando conhecer mais. Pesadelos são um ponto bem legal para se trabalhar e acho que não apenas histórias de terror.
    Eu também não posso afirmar que sou grande conhecedora de pesadelos… ahaah Apesar de ter um em meu histórico que me fez sair da cama e ir dormir no quarto da minha irmã e, isso não é algo de quando eu era criança… ahahah
    E já combinamos que a culpa é sua, não minha. Nesse caso específico eu aceito 50%… ahahah
    xoxo

  • Luana Souza

    Em 18.05.2018

    Terminei de ler essa resenha morrendo de vontade de abandonar minhas leituras atuais para pegar esse livro para ler. Você já deve saber que eu amo histórias nesse estilo, tanto que Às vezes até divago com ideia de escrever algo nesse estilo… Sou apaixonada por livros peculiares, com terror e assombrações. Ai, eu quero ler *-* Deixei o nome anotado na minha pasta com livros que quero ler.

    Bom, quanto as suas fotos, ficaram maravilhosas, acho que umas das que mais gostei de toda que vi aqui até agora. Minha favorita foi essa que o fio de luz está todo enrolado em você <3

    Beijos.

  • Retipatia

    Em 18.05.2018

    Oi Luh!
    Ahhh então larga tudo e vai ler!!! ahaha Tem muita gente que amou o livro de paixão e acho que a vibe dark dele é a sua cara! E a escrita nesse estilo também acho que você se sairia muito bem, já quero, tá! <3 Depois que ler A Casa tu me conta o que achou! <3
    Own feliz em saber que curtiu as fotos, eu adorei fazer, apesar da pequena maratona que foi... ahaha Eu amo esses string lights, estava um tempo sem usar nas fotos (nem sei ao certo porquê), mas tô voltando com eles e amando isso! Esse daí com pompons é dos meus favoritos! <3
    Obrigada pela visita, linda!
    xoxo


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