A Princesa Errada ♥ Noemi Nicoletti

E se Cinderella não fosse assim uma jovem boa, como costumam dizer? E se, por acaso, os sapatinhos servissem em alguém como uma de suas meias-irmãs? O conto da Noemi Nicoletti, mais conhecida como Mima Pumpkin, traz exatamente essa versão não contada do conta do gata borralheira, numa história para lá de encantada.

A Princesa Errada

Autora Noemi Nicoletti

Publicação Independente

A Autora

Mima Pumpkin é o pseudônimo da escritora Noemi Nicoletti, autora do livro Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta. Ela é formada em jornalismo e teologia e mora com o marido na cidade de Karlsruhe na Alemanha. Escrever é uma das formas que tenta contribuir para o universo.

A Mima, ou Noemi, para quem preferir, tem um site muito lindo e lá dá para conhecer mais sobre ela, seus livros e também tem o contato, para quem quiser papear com ela e/ou tirar dúvidas!

Sinopse

Bastou um pouco de esforço para que coubesse no sapatinho de cristal. Mas agora ela tem que descobrir como viver uma vida inteira nesses sapatos.

A Princesa Errada é uma releitura de Cinderela que traz à imaginação o que aconteceria se a pessoa errada conseguisse se casar com o príncipe.

A Princesa Errada

A princesa está vivendo o sonho de todas as garotas do reino: se casou com o belo príncipe, herdeiro do trono. Mas, a sensação é a de que está vivendo com sapatos mais apertados que os seus, e, diga-se de passagem, literalmente e figurativamente.

Anastasia, numa trama que deixou Cinderella presa em seus aposentos conseguiu o que nenhuma outra garota do reino havia feito: calçara o precioso sapatinho de cristal. Assim, tudo seguiu como manda a praxe: os festejos, o casamento.

Contudo, além de ter que viver constantemente com sapatos apertados demais para os seus pés, a jovem princesa sente que aquele não é seu lugar, que jamais irá pertencer à nobreza. Além disso, ela ainda precisa lidar com um príncipe que ora parece atencioso, ora indiferente.

Uma medida desesperada será necessária, mas o destino guarda uma surpresa para Anastasia…

A Princesa Errada?

Não é nenhuma novidade que a Mima me conquistou no início desse ano, quando fiz a leitura do seu livro Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta (que já teve resenha aqui no blog). E, depois de um tempo, fiz a leitura do conto A Garota Errada, que, sem mais, me conquistou mais um pouco.

A escrita da Mima é fluida, cativante, e descreve sentimentos de uma maneira que te faz refletir muito sobre muitas coisas que, aparentemente, não tinham relação alguma com o assunto principal.

“Cuidado, querida, para não tentar caber num sapatinho que não lhe pertence.”

E, em A Princesa Errada, seguimos a personagem principal, Anastasia que, após tomar o lugar de Cinderella e casar-se com o príncipe, passa por momentos conflituosos. Literalmente, ela se sente a princesa errada, inconformada com o seu casamento, com as agendas que precisa cumprir e com toda a carga que vem junto do título real. Nada tão maravilhoso quanto ela figurara em seus sonhos.

A própria família real parece não fazer questão de tê-la como um verdadeiro membro e, o príncipe, sempre ocupado demais, não demonstra os traços do gentil marido que ela conheceu na noite de núpcias. Ela sabe que tudo é uma farsa e, antes que seja engolida pelo amargor, precisa contar a verdade, mas qual o preço de contar que fora ela quem usurpou o lugar de Cinderella?

“Não, aquele era o meu céu. Eu era tão mais livre por trás daquela porta de madeira cheia de farpas e o futuro, o plano das possibilidades, aberto diante de mim. Eu poderia ser quem eu queria ser, no momento que o desejasse.”

O mais bonito de toda essa história é que ela trata de muitos mais sentimentos do que pode parecer a princípio. Fala sobre aceitação, erros e escolhas. Cada passo que Anastasia escolheu dar, com seus apertados sapatos de cristal, são mais e mais refletidos no seu presente. Não se trata de quem ela pretende ser, ao tomar o lugar de Cinderella, mas sim em quem ela é e se tornou a partir disso.

Anastasia sabe que a ação que fez fora errada, ainda que, de todo modo, Cinderella não seja a garota mais adorável do reino. E, a maturidade com que ela consegue reconhecer suas falhas é mostra de que ela está, não apenas amadurecendo, mas se tornando bem menos a garota errada, por assim dizer. Além disso, a relação entre ela e o príncipe passa por alterações, modificações ao longo do tempo e, boa parte do que ela têm como verdade vem da falta de confiança em si.

“Não tenho a leveza de uma princesa, nem a compostura de uma dama e, muito menos, vocação para prisioneira. Há algo em mim que clama por muito mais do que brilho e perfeição. Eu quero o épico, a batalha, a paixão. Quero sorrisos sinceros, erros bem recebidos e a aventura do não saber.”

Além disso, a história foge do padrão habitual de heróis e vilões (semelhanças com a vida real?), já que todos os personagens possuem parcelas e culpa e inocência na história que se desenrola. Anastasia, que era uma personagem que nunca fui grande fã, conseguiu se tornar alguém admirável, que sabe reconhecer os erros e, apesar de não tomar sempre o caminho mais acertado, busca ser alguém melhor.

Mesmo sendo um conto e, por isso, uma história não muito longa, a mensagem principal é muito bem passada e, mais uma vez, Mima mostra mais uma vez que, além de entreter, sabe também inspirar! Leitura mais que recomendada!

“Carregue um fardo em seus ombros por tempo suficiente e quando ele partir sentirá que pode voar.”

Aleatoriedades

  • O fato número um que preciso falar aqui é o pequeno grande detalhe em relação à Cinderella que é ninguém menos que minha princesa favorita de todas nessa vida! ahaha Então, o fato de eu passar a gostar da Anastasia, em particular a do conto, é algo realmente grande… ahaha
  • Quando comecei a leitura, fiquei matutando um detalhe super legal, apesar de ideias totalmente distintas, foi impossível não pensar lá em 2016, quando inventei de recontar o conto de fadas da Cinderella também dando o sapatinho para uma das irmãs… ahaha Foi um projeto de escrita do Creative Writing Prompts (número 4), em que devíamos repensar a história da Cinderella a partir do momento em que o sapatinho servisse em uma das irmãs. Eu viajei um pouco na maionese, tirei a magia da história também e reescrevi inteira, só não tão sucinta. Se alguém quiser me ver envergonhada, dá pra conferir ela lá no Wattpad… tá bem crua, mas pretendo retomar o projeto Recontando Contos de Fadas ainda nesse ano e dar um up nessa história também!

“E todos sabem que um amor maior do que por abóbora é algo com que sempre sonhei.”

O ebook do conto A Princesa Errada está disponível para leitura na Amazon, também pelo Kindle Unlimited! Para quem curte ler pelo Wattpad, ela também tem vários obras disponível na plataforma!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Dog Days Are Over – Florence and The Machine

Repense, renove, rediscuta...

  1. Oie, boa noite…
    Nunca curti contos de fadas. rs
    Sempre achei meio bobo, imaturo, chato… e eu como boa moleca travessa, nunca pensei em princesas e coisas do gênero. Mas então assisti Sabrina (1995) que foi baseado em outro filme de 1954 com o mesmo nome e um elenco incrível: Humphrey Bogart, Audrey Hepburn. Assisti aos dois e amei a história da gata borralheira. E assisti também ‘cinderela as avessas’ (1997).
    Parei de falar mal de conto de fadas, mas confesso que não corri para as páginas para ler os famosos clássicos da disney. rs

    bacio

    • Oi Lunna!
      Eu confesso que sou a maluca dos contos de fadas! ahah Sei que eles tem lá seus problemas, mas sou viciada em conhecê-los, saber suas versões antigas e ver como a cultura dominante do momento foi capaz de moldá-los e alterá-los.
      Preciso confessar que eu nunca assisti Sabrina (shame on me!) ahaha Mas é um que preciso ver, sei disso. E também não vi Humphrey Bogart, com a Audrey (outra vez, shame on me!) ahaha Anotei aqui pra corrigir esse erro, especialmente porque são versões da gata borralheira, que sempre teve um apelo muito grande pra mim, não sei porquê (talvez o lance dos sapatos venha daí… rsrs).
      E não preocupa, não achei que falou mal. Eu entendo não ter atração pelos Disney e afins, apesar de eu ser super suspeita quando se trata deles! eheh
      Obrigada pela visita e pelo carinho! <3
      xoxo

  2. Não tinha ouvido falar, mas gostei muito, nunca fui muito fã de contos de fada, mas fui muito de “epocas” então sempre mudo de ideia em relação a livros e -books kkk

    • Oi Alexia!
      Ah quando entrar na vibe de contos, vale a pena e, acho que mesmo que contos de fadas não sejam preferência, a história não tem magia nem nada, combina também pra quem curte romance e romance de época! <3
      Obrigada pela visita! <3
      xoxo

    • Oi Camyli!
      Eu também cresci com os contos e adoro todos os tipos, entendo não ser seu estilo, mas também vale para quem gosta de romances e histórias curtinhas! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  3. Eu amo quando escritores pegam a história pronta e desconstroem os personagens, a trama, o contexto. Parece que tudo ganha uma nova cor, uma nova vida. Aí a história que estamos acostumadas passa a fazer ainda mais sentido, e a nova se torna um caminho extra para a imaginação <3 Amei as tuas fotografias e adorei a ideia do livro.

    • Oi Kelly!
      Ah é exatamente essa a sensação que eu também adoro, mudar tudo, só pra fazer a gente sair daquela ideia já pronta e construída sobre um personagem!
      Obrigada pela visita, fico feliz que tenha gostado do conto e das fotos!!! <3 <3 <3
      xoxo

  4. Minha Deusa, que história maravilhosa! Sériooo, fui correndo reinstalar o Kinle para poder lê-la, pois eu realmente fiquei curiosíssima para saber como isso tudo acaba. Sempre acabo conhecendo obras muito boas aqui no seu blog, Rê!
    A resenha está muito completa e encantadora, assim como as fotos *-*Seus funkos são tão fofos!
    Não me deixa esquecer de dizer o que eu achei do livro, tá?! :*

    • Oi Luh!
      Ah esse conto é amorzinho demais né!? Tô felizona aqui que foi capaz de te fazer reinstalar o Kindle pra ler! Uhulll! ahahah Feliz demais em saber que você acha boas referências por aqui e que gostou da resenha e das fotos! Funkos são um trem de doido, né?! Ando viciada neles! ahaha
      Depois te cobro resposta sobre a leitura! eheh <3 Obrigada pela visita!
      xoxo

  5. Que enredo fantástico dessa história eu ainda não conhecia essa versão da usurpadora da Cinderela. Essa parte sobre o glamour da realeza ser só aparências pelo que soube há pouco tempo é algo real né as princesas tem que ser subordinadas à realeza no final das contas parece uma “prisioneira”mesmo…uma prisioneira da alta sociedade rs…Fiquei curiosa com a história e amei as fotos que tirou pra ilustrar

    • Oi Marcinha!
      Você falou em usurpadora da Cinderella e eu pensei lá na novela mexicana A Usurpadora… ahaha Tô doida, mesmo! Mas acho que é isso mesmo que acontece e é bem legal pensar nesse lado da ‘realidade’ de se tornar um membro da realeza, dificilmente tudo será beleza e riqueza, há toda uma dinâmica do poder, ainda mais em se pensando em uma história de época. Feliz que gostou das fotos, quando tiver a chance faça a leitura! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  6. Eu adoro novas leituras para os contos de fadas clássicos, acho uma abordagem muito interessante. Um novo olhar para histórias tão conhecidas sempre despertaram minha atenção. Nunca tinha parado pra pensar que o sapatinho de cristal poderia caber em uma outra pessoa que não fosse a Cinderela, ainda mais uma de suas irmãs! Muito bem sacado!

    • Oi Patrícia!
      Ah eu também sou bem fã de releituras assim, me fazem gostar ainda mais de contos de fadas! <3 E a sacada da autora em colocar o sapatinho em outra foi muito boa, ainda que, de certa forma, Cinderella seja a peça menos importante da história toda, aqui no caso! <3
      Obrigada pela visita!
      xoxo

  7. Oi Rê! Aaaaah eu amo conto de fadas e tudo o que envolva esse universo <3 Adoro ver adaptações dos contos em livros, filmes, seriados (amo once upon a time). Sem falar que gosto de toda história que envolva princesas! Não conhecia 'A princesa errada' e fiquei bem curiosa para ler, porque nunca imaginei a história contada do ponto de vista de outra personagem que não a cinderela. Adoro ela, mas confesso que as minhas favoritas são a Bela (da bela e a fera) e a Alice (quem nem é princesa, mas enfim).
    A resenha tá incrível, e uma coisa que me chamou a atenção foi ver a desconstrução dos paradigmas de vilão e mocinho. Adoro quando as histórias se aproximam mais da vida real, sinto que os personagens são mais humanizados assim. E confesso que sempre tive um fraco por 'vilões', que no final das contas nem eram tão vilões assim. Ou por heróis contraditórios. Sinceramente, não entendo como algumas pessoas conseguem preferir o capitão américa ao homem de ferro, ou super homem ao batman, mas enfim, isso já é outra história.

    Beijão

    • Oi Kim!
      Ahhh toca aí, somos amantes dos contos de fadas! ahaha Também amo Once Upon a Time, apesar de ter achando que a partir da 5ª temporada eles se perderam demais na vida… kkk Acho que você vai gostar desse livro-conto, e dá pra ler bem rapidinho, eu matei numa ‘sentada’, se me entende… rsrsrs
      Acredita que A Bela e a Fera não é das minhas mais amadas?! Não me odeie… ahaha Adoro Alice, mas não gosto da animação da Disney, passei a amar mesmo só depois de ler os livros há alguns anos.
      E sim, nesse livro tá lindo porque não temos mocinhos, vilões nem nada, tudo muito simples, problemas da vida, tudo que só faz a gente se identificar mais e mais! Fraco por vilões? Presente! Se forem do tipo que oscilam de lá e de cá, então? Presente duas vezes! ahaha Sou team Batman e Homem de Ferro, always! ahaha
      Obrigada pela visita, linda! <3
      xoxo

  8. Poxa, que ideia bacana! É uma coisa relativamente simples mas que eu nunca tinha me perguntado haha. Não sei como seria a história se o sapatinho coubesse em uma das irmãs ou alguém diferente. De todo modo, gostei muito da abordagem da autora e como ela vai desenvolvendo a história <3

    • Oi Vick!
      Ahh exato! É algo que parece que está ali, na cara da gente, mas só nos damos conta de como é óbvio quando alguém vai e aponta! ahaha A história mostra de um jeito bem legal essa versão, e a autora é um primor pra cativar a gente durante a leitura! <3
      Obrigada pela visita! <3
      xoxo

  9. Gostei muito do seu post, estas versões para contos de fadas estão sendo bem interessante e realmente, eu não sou muito fã de Cinderela clássico por que conversar com os objetos inanimados. Vou te falar que as fotografias que vc fez foi o que me chamou muita atenção aos detalhes com a luz e tom amarelado. Muito bacana sua maneira de expressar na resenha. Beijos

    • Oi Luma!
      Ah que bom saber que gostou do estilo da resenha e das fotos, foi tudo feito com carinho! Essa versão da Cinderela é bem legal e não tem magia ou conversas com animais e essas coisas, que faz algumas pessoas não gostarem de contos de fadas, vale a pena a leitura! <3
      Obrigada pela visita! <3
      xoxo

  10. Olha, Rê, (inclusive, tudo bem?) eu devo admitir que comecei a ler a resenha já com um pé atrás. Já fui achando que sabia exatamente do que a obra se tratava e que seria um pouco mais do mesmo… e quebrei a cara. Já estou fascinada só pelos quotes e pela sua opinião, com certeza que ver mais dessa autora por aí. Vou procurar ler esse conto o mais breve possível!
    (Sobre suas fotos, nem tem o que falar – lindas, como sempre!)
    Literalize-se

    • Oi Gis, tudo bem e contigo?
      Ahah essa história surpreende, né? Quando se houve falar em Cinderella a gente já fica pronta imaginando que é isso ou aquilo que vai ocorrer, e, de modo geral, a autora conseguiu trazer uma surpresa muito boa pro enredo! Quando ler o conto me fala o que achou!!! <3 Feliz que tenha gostado das fotos e obrigada pela visita! <3
      xoxo