Mirta Vento Amarelo ♥ André Regal

Em 09.02.2018   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Preparem-se para embarcar na aventura de suas vidas pelas terras de Virídea, com direito a dragões, máquinas avançadas para seu tempo, mistérios insolúveis, um reino com um passado lendário e dragões! Já mencionei dragões? Bem, vale a pena repetir…

Mirta Vento Amarelo: A Linhagem do Dragão

Autor André Regal

Editora Chiado

Sobre o Autor

Nascido no interior de Minas Grais, é ator, dramaturgo e músico. Estreou no teatro em 2010, quando fez  oficinas e cursos livres, sendo o Rio de Janeiro a cidade onde viria a obter formação profissional pela Escola Martins Penna. Sempre ávido por literatura, é influenciado por autores como Tolkien, Robert Jordan, Bernard Cornwell, Sidney Sheldon e mestres da escrita como Robert Mckee e Syd Field. Contribuiu com contos e crônicas de humor em algumas edições da tradicional revista mineira Jararaca Alegre. Em 2015, começou a trabalhar em sua primeira ficção fantástica, intitulada A Lágrima de Giius, e publicava semanalmente capítulos na internet. Em dezembro de 2016, concluiu seu segundo romance: Mirta Vento Amarelo – A Linhagem do Dragão e recebeu inúmeras propostas de edição.

“… acredito piamente que as histórias mudam a vida das pessoas. Não no sentido de que elas se inserem, a torto e a direito, epifanias nos corações dos outros. Nada disso. Mas creio que exista algo em nossopeito algo como um poço, sempre vazio, desejoso de uma substância que encontramos somente nelas. Não é por acaso que a arte de contar histórias é tão velha quanto os mais velhos de nossos ancestrais.” Quote da Nota do Autor

Sinopse

Mirta Vento Amarelo, uma pesquisadora de inteligência incomparável, faz uma viagem à capital quando, no meio do caminho, depara-se com um dragão bastante ferido. Ele revela que um grupo de misteriosos soldados de armadura branca está caçando os membros de sua espécie e arrancando suas carapaças. Até mesmo a mais sagrada das criaturas, Corff, o rei dos dragões, corre perigo.

Mirta vê-se muito interessada em todo mistério que rodeia o caso, e com o intelecto desafiado, resolve investigar. Seu envolvimento precoce custará muito caro, e a vida de todos em Virídea passará a correr sérios riscos.

“A graciosa pena de fleomba-azul, nunca antes manejada, beijou pela primeira vez o frasco de tinta e deu vida a essa narrativa.”

Mirta Vento Amarelo: A Linhagem do Dragão

Um narrador que dialoga com o leitor logo avisa: a história será narrada da maneira mais fidedigna possível, mas há de se perdoar uma ou outra licença poética. Como ele bem salienta, a história de Mirta Vento Amarelo é do tipo que precisa ser escrita, porque precisa ser conhecida.

“Às vezes me pergunto se as grandes jornadas de uma pessoa não passam de viagens estritamente individuais. Algo a se guardar para sempre em si próprio, onde cumpriram seu real papel. Porém, não posso negar minha inquietação ao pensar que certos relatos devem ser conhecidos. Trazidos ao conhecimento de todos, de alguma forma.”

Num canto de Virídea, alguns soldados não cessam a busca por um dragão mensageiro, sob o comando do infatigável comandante Hillel. Em outro canto, Cal Weisten enfrenta problemas com seu patrão, dono do cafezal em que ele é caseiro, por causa de um incêndio misterioso.

No meio disso, Mirta Vento Amarelo segue para a cidade em sua carruagem sem cavalos, mas, precisa fazer um pequeno desvio até a Vila dos Porcos e é exatamente quando investiga o mistério do incêndio na fazenda do Senhor Joarque que a trama segue um fio de ligação que se estende até a última página do livro.

“… vejo tudo começando em uma certa madrugada. Para ser mais preciso, ao norte, às margens do sempre pacato Bosque Verde.”

Passando pelas histórias dos deuses criadores do mundo e dos seres que o compõem, Mirta parte em uma aventura pelos recantos de Virídea, movida pela força do destino e por seu tino de pesquisadora. Uma jornada que envolverá planos obscuros da realeza, o mítico rei dos dragões, Corff, soldados bem treinados em busca de carapaças de dragões, um dragão errante em busca de redenção e livros antigos perdidos. Sim, é claro que tem dragões varias vezes!

Impressões sobre Mirta Vento Amarelo

Não se trata de nenhum segredo o fato de que fantasia ocupa o topo dos meus gêneros literários favoritos, mas um detalhe que preciso reforçar, antes de qualquer coisa é que, para entrar na lista de favoritos, o livro precisa ser mais que uma boa fantasia, precisa conquistar. E, foi exatamente isso que Mirta Vento Amarelo fez comigo, me conquistou da primeira à última palavra escrita.

Um adendo aos céticos que já duvidaram ou mesmo pensaram que jamais leriam um livro tão grosso, fica minha advertência: se tivesse mais dois desse tamanho, ou mesmo três, eu leria com o mesmo apreço! E já conto as razões.

“Com plena convicção posso afirmar o seguinte: ninguém nasce grande. Viemos ao mundo pequenos em corpo e essência e há quem permaneça dessa forma até o fim de seus dias.”

A primeira delas é a narrativa. Talvez seja coisa de mineiro saber tão bem o que é uma prosa agradável. A narração de Mirta só pode ser descrita assim: como uma cena em que o leitor é inserido e têm, para si, o narrador sentado bem ao seu lado, contando um caso bem elaborado, cheio de nuances e reviravoltas e que faz quem ouve (ou lê) pensar que viu tudo aquilo acontecer.

“Mas, para mim, esses atributos de nada valeriam sem uma boa pitada de sorte. Sim, sorte. E essa, meus amigos, não se aprende nas bibliotecas, nos balcões de taberna ou da boca dos mais velhos. Sorte é um luxo de quem arrisca. De quem frequenta o lugar certo quando precisa. De quem está disponível quando a hora certa se aproxima.”

A escrita de Regal é limpa, com os floreios e comparações na medida, e, através de um narrador que dialoga vez por outra com o leitor, consegue contar uma história bem nutrida, elaborada e desenhada. Do tipo que foi pensada e trabalhada nos mínimos detalhes e, que, assim, possui um intrincado de ramificações que levam aos mais inesperados e surpreendentes desfechos, capazes de criar milhares de sentimentos no leitor e a leitura mais envolvente a cada capítulo.

“Quando entrar em um ambiente, lembre-se de que todo ele se comunica com você, de alguma forma.”

E, já que estou falando da história, vamos lá: que história! Mesmo com criaturas fantásticas e um toque de magia embutido no seu desenrolar, é tudo tão verossímil que é impossível não crer que tudo aquilo realmente não se passou em um pedaço de terra desconhecido por nós, ou em um tempo o qual não temos lembrança (quem nunca acreditou em dragões, não é mesmo?!).  Além do mais, a previsibilidade não é algo comum no enredo e, vários elementos surpresas e reviravoltas, garantem um balanço da história com a polvorosa das descobertas.

“Mas a vida é como água, meus amigos. Não existe espaço que ela não tente, com todas as forças, preencher.”

Ainda que a história leve o nome de Mirta, o narrador não se mantém junto à pesquisadora todo o tempo. Como um ser onipresente que sabe o que se passa em todos os muitos lados da história, vai costurando as peças do quebra-cabeça e apresentando detalhes mais que suficientes para que o leitor deduza, imagine e, claro, queira virar as páginas depressa.

“Ainda assim, sua aura emitia calor e paz – dizem as lendas antigas que se o Arquiteto o encarasse, o tempo literalmente pararia, e com ele toda dor e mazela que talvez trouxesse consigo.”

Agora, falando de Mirta, que personagem! Não consigo imaginar outro nome ao livro que não o seu. Uma figura cheia de camadas, surpresas, manias e conhecimento. Toda a trama, que envolve o destino de toda Virídea, não seria a mesma sem ela, sem dúvida alguma. E, no mesmo montante, sua vida começa de uma maneira, é revirada do avesso e se torna outra, diferente do que tinha e mais do que se poderia esperar. É uma personagem forte e marcante, o que não significa que, em nenhum momento ela esteja propensa à falhas, erros ou ao sucumbir diante das tristezas. Tudo faz parte do ciclo da história e da própria vida.

“Esse é o poder do choro: quando os homens choram, são capazes de esquecer, por um instante, de que são animais.”

Mas, não é apenas de Mirta que o livro é feito. Temos o dragão Brinaff, que é um reflexo de suas lembranças, colocado no destino para ser a peça chave em que, em sua ausência, não haveria andar da carruagem. Cheio de erros e acertos e sabedoria dragoniana. Temos ainda o emblemático e valoroso comandante Hillel; o rei Zaraff, com a melhor, ainda que incompleta definição dada por Brinaff, como Gurluff; o preocupado soldado Nil e tantos outros que são peças encaixadas para formar o grande quebra-cabeças que é dado ao leitor. Além do que, a própria visão que podemos ter de um personagem, ao longo da trama, pode ser modificada conforme conhecemos mais de suas motivações e passado.

“… Gurluff. Seria algo como desgarrado, ou estranho, em seu idioma.”

Não apenas os sentimentos dos personagens passam por um turbilhão durante o desenrolar da trama, como também os meus passaram. De raiva do autor, até um ‘ainda bem ou eu ia tirar essa história a limpo“. Do ‘eu sabiaaaaa‘ até o ‘não acredito nisso, como não percebi?!‘. Foram inúmeras valiosas lições mostradas através da perseverança e na vontade de seguir em frente de cada personagem, independente do quão difícil e triste uma situação possa ser. A história traz muito mais do que fantasia em se tratando desse assunto, são sentimentos verdadeiros e inspiradores.

“E um dia entenderá, Labal, que viver, de fato, é mais apetitoso que sobreviver.”

André Regal fez maestria ao contar a história de Mirta Vento Amarelo, sem recair em vícios comuns à literatura do gênero, ainda que usando algumas criaturas e lugares comuns às tradicionais sagas fantásticas. A narrativa tem ritmo e balanço, a história é, sem termos mais apropriados, fantástica e é impossível não ser tocado pela gama de mensagens intrínsecas que ela passa. Sem mais, uma história que precisava ser escrita, para ser lida e conhecida. O mundo precisa conhecer Mirta Vento Amarelo – A Linhagem do Dragão.

“Como eu gosto de dizer, descubra um trabalho que interessa a todos e seja o melhor do mundo nele.”

Aleatoriedades

  • Meu dragão da foto foi rebatizado para Brinaff, simplesmente por ser o melhor dragão que qualquer um vai encontrar por aí.
  • A leitura desse livro lindo foi em conjunto com as lindas Resenhando por Marina e O Reino das Páginas (só clicar nos nomes para ver as resenhas lindas delas!), juntas, formamos As Mirteiras! ahaha E, eu queria ressaltar para as duas que eu não cheguei a dar meu pitaco sobre nosso bolão sobre quem seria o narrador e que, sem enganação, só podia ser ele, os traços deixados foram pequenos, mas suficientes. ahahah
  • Ao André Regal, meu grande agradecimento pela parceria e por me proporcionar uma das melhores leituras fantásticas que já fiz! Vou levar Mirta comigo para sempre e recomendar a todos, todos, todos! E, fica aqui registrado o meu pedido de quero mais!

  • O livro tem uma diagramação ótima para leitura, folhas amareladas (como a gente ama) e essa arte maravilhosa da capa! Sou apaixonada nela! A revisão também é muito boa!
  • Detalhe: não couberam todas as fotos no post e nem todas as quotes… eram muitas!
  • Para não falar que eu só rasgo seda pro livro, vou dizer algo que eu fiquei querendo: um mapa de Virídea! ahaha Sim, eu amo livros com mapas e adoraria um de Virídea (mas não faz falta durante a leitura, tudo é bem descrito e é fácil imaginar as localizações pelo contexto da história). Sim, isso sou só eu querendo dar ideia pro próximo livro, que, convenhamos, eu preciso que exista! ahaha

Mirta Vento Amarelo – A Linhagem do Dragão, está disponível a venda no site do autor com frete grátis (bora aproveitar), é só acessar www.mirtaventoamarelo.com.br onde também você pode conferir mais infos do autor!

“Mirta achava que a natureza nunca mentia.”

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

  • Kalyne Lauren

    Em 09.02.2018

    Caramba Rê, o seu post ficou sensacional demais. Acredita que senti uma falta enorme da história lendo a sua resenha? Amei os pontos que você abordou e as fotos lindas que tirou para enaltecer esse livro. E também quero um mapa de Virídea no próximo livro hahahah Mirteiras sempre <3

  • Retipatia

    Em 09.02.2018

    Oi Kaka!
    Ahh obrigada, linda! Que bom que mesmo você já tendo lido o livro ficou com saudade pela resenha! <3 Esse livro merece fotos e toda nossa exaltação, né?! <3 ahaha Vamos falar com o André que queremos mapa pras Mirteiras! ehehe <3
    xoxo

  • Dai Castro

    Em 09.02.2018

    Alguém mencionou dragões? <3 <3 Fantasia é o meu genero favorito também, esse ano resolvi fazer algumas releituras nesse gênero e adivinha? Reli Eragon e me encantei novamente porque o universo criado me cativa muito!
    Acho que Mirta causa isso no leitor, né? Uma vontade inabalável de mergulhar cada vez mais fundo na história sem nem ligar para a quantidade de páginas do livro! haha
    As fotos ficaram muito amor!
    Beijos!!
    Colorindo Nuvens

  • Retipatia

    Em 09.02.2018

    Oi Dai!
    Ahh mais uma amante de fantasia e dragões!!! <3 Acredita que nunca li Eragon? Preciso corrigir esse erro, já vi muito gente falando pra eu não me deixar levar pela impressão (ruim) que o filme deixou... eheheh Sim, Mirta causa frenesi! Eu vou levar pra vida toda e já está na lista de favoritas, sem dúvidas! <3 As páginas, de repente parecem até poucas! <3 Feliz que gostou das fotos! <3
    Obrigada pela visita!!! <3
    xoxo

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