Planeta Brutal ♥ Raphael Miguel

Em 23.01.2018   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Prontos para se aventurarem em um mundo pós apocalíptico em que uma parcela dos humanos que restaram sofreram mutações genéticas e agora apenas as Leis da Sobrevivência e da Sede (CHECAR) regem o caos? Conheçam então…

Planeta Brutal

Autora Raphael Miguel

Editora Coerência

O Autor

Raphael Miguel, escritor com o nome de dois poderosos Anjos, publicou dezenas de contos, poemas e crônicas sobre os mais variados temas e gêneros, acumulando no currículo um total que soma mais de 40 títulos em apenas 2 anos de carreira. Apontado com destaque pela crítica especializada, é autor de dois livros; a fantasia contemporânea O Livro do Destino (Chiado Editora, 2016) e o romance adulto Ácido & Doce: A Rosa Fatal (Editora Xeque-Matte, 2017). Destemido, aceitou o desafio proposto pela poderosa Editora Coerência e publicou o conto Inquieta Aflição (2017). É apenas o início de sua jornada…

Sinopse

Os eventos que culminaram no Primeiro Dia assolaram a face do Planeta Terra. Com a população reduzida drasticamente e com os efeitos das extinções de espécies e do aquecimento global, os sobreviventes tiveram que se adaptar a uma nova realidade… uma realidade feia, cruel, visceral, BRUTAL.

Em meio ao caos, após ter vivenciado o lado mais horrendo dos remanescentes, uma mulher leva seu pequeno filho pelo deserto sem fim na intenção de encontrar um lugar melhor para sobreviver, mas o perigo espreita pelos cantos e cada passo pode ser mortal.

Com um ritmo alucinante, “Planeta Brutal” irá te levar a um mundo caótico, com uma trama repleta de reviravoltas através de personagens fortes e marcantes que não têm limites para alcançar seus objetivos.

A Obra

Um líder tentando defender seu clã de um ataque violento de um bando errante.

Uma mãe viajando sozinha com seu filho pequeno, protetora, vigilante, mantedora.

Um assassino que é movido apenas pelo simples desejo de se alimentar, não importa quem seja.

Um bando destemido e semeador da discórdia que deseja apenas destruição, aniquilar todo e qualquer clã que tenha se instalado de maneira frutífera nas terras poeirentas do mundo pós apocalíptico.

Este é o prelúdio de Planeta Brutal, o mundo pós-apocalíptico devastado e recoberto de areia em que humanos e sobre humanos digladiam para sobreviver.

Intercalando os pontos de vista dos personagens, a história segue sempre avante narrando os episódios após alguns anos dos acontecimentos que fariam a contagem do tempo reiniciar para a humanidade. A partir do Primeiro Dia o caos se instalou no mundo e, desesperados por algo que regesse o incontrolável, foram instauradas as leis da Sobrevivência e da Sede.

Entre jogos de interesse, movidos não apenas pelo instinto de sobrevivência, um homem – se é que podemos chamá-lo por tal alcunha – segue pelas antigas terras do que já foi um Brasil, numa versão sanguinária do rei Xerxes. Como se tal ameaça não fosse suficiente, jogos menores, mas em escala tão ou mais perigosa, se desentranham entre os demais personagens.

O livro leva o leitor à esse mundo poeirento inicialmente sob os olhos de Rifer, que, na busca por defender o seu clã tão arduamente construído, cai num engodo. Em paralelo, conhecemos Judah, o assassino descontrolado que deseja apenas uma coisa quando acorda do seu esconderijo no deserto: saciar sua sede. Já Kaiara tenta cruzar o deserto no que parece ser uma busca infrutífera de paz em um mundo brutal.

O acontecimento que irá traçar o destino de todos que habitam essas terras inóspitas está prestes a acontecer quando o conhecido assassino, em sua busca por alimento, resolve que Kaiara e seu filho lhe servirão neste dia. O que ele não tem ideia é de que acaba de encontrar uma adversária à altura, disposta a lutar até a morte para proteger seu pequeno Diel.

Uma luta que trará tantas rachaduras no chão árido do deserto que levará suas consequências até os recantos mais distantes do mundo.

Impressões Sobre a Obra

Sabe quando uma leitura inicia e, por mais que você tenha expectativa de gostar, não sabe bem o que esperar da história? Foi assim que iniciei a leitura de Planeta Brutal e, após virar a última página, pude perceber que fui surpreendida.

“O Primeiro Dia foi o apocalipse, a danação final da humanidade. Poucos sobreviveram e, estes, foram obrigados a repensarem na sua existência na Terra. Retrocedemos. Anos de avanços científicos e tecnológicos ficaram dissipados naquela tragédia. Perdemos a nossa essência, a nossa identidade, a nossa fé…”

Para quem já leu algum outro livro do autor é possível notar as nuances de sua assinatura narrativa e, ainda assim, perceber os diferentes recursos utilizados para narrar as histórias que se cruzam e os pontos de vista existentes. A leitura flui com facilidade e, com capítulos curtos, o livro mantém a narrativa rápida e sem rodeios desnecessários.

A principal e, ouso dizer, melhor característica da distopia criada é não se prender no lugar comum de que todo livro que se preze deve se basear num relacionamento amoroso. O único amor pelo qual se acredita fortemente e pelo qual o leitor possa vir a torcer durante a história é o existente entre mãe e filho, Kaiara e Diel. Qualquer outro relacionamento afetivo, romance propriamente dito, é secundário e, apesar de compor a trama, não é responsável por segurá-la ou defini-la.

“Na verdade, creio que esta sempre foi a sina da humanidade: caminhar sem parar, sem um rumo certo e aparente. A vida se repete incessantemente, um destino cíclico, entendiante e sem graça. Corremos na angústia de fugir de nossos problemas, tentando afugentar nossos demônios, ignorar o sofrimento. Corremos para continuarmos vivos.”

E, falando nessa quase ausência de romance, os melhores pontos trabalhados pelo livro são exatamente os que dizem respeito à natureza humana. Ou a falta de ser humanos. Todos, após a devastadora onda de eventos que ensejaram quase que na extinção da raça, se tornaram muito mais animalescos, como se a escala evolutiva voltasse aos primórdios em que nossos antepassados eram regidos, como a maior parte dos animais, pelo simples ato de alimentar-se. Ou talvez seja injusto comparar-lhes aos animais, ainda que selvagens.

Cobiça, ganância, inveja, ódio, amargor, violência, sadismo, crueldade, extremismo, sede de poder, preconceito… são apenas alguns dos já conhecidos sentimentos humanos que se perpetuam com ainda mais força nesse mundo brutal. Como se a dureza do mundo justificasse qualquer ação do indivíduo ou do todo. A cada passo a humanidade perde mais e mais exatamente sua parte humana. Também, nada que não sejamos capazes de identificar no nosso dia-a-dia.

“- Você fala em sinais, mas percebê-los não iria evitar a danação do Primeiro Dia. Vamos continuar a caminhar. […]
– Esse é o tipo de pensamento que destruiu a humanidade.”

Do mesmo modo, há demonstrações de amizade, amor, esperança, bondade, alegria e a certeza de que se constrói um mundo melhor quando se é capaz de ver a beleza nas pequenezas da vida e que um mundo melhor é feito muito mais de pequenas gentilezas do que de grandes atos de heroísmo.

Planeta Brutal é um reflexo do mundo em que vivemos atualmente, um extremismo. Uma forma de mostrar, em um mundo distópico, que a natureza humana não conhece limites, toda e qualquer ação possui um imediato resultado e infinitos reflexos que se assemelham à quantidade de grãos de areia do deserto insano que recobre o mundo.

“Por alguns instantes, algo em meu coração tenta resgatar sentimentos há muito esquecidos, que pertencem a um passado remoto da humanidade, que remonta aos tempos em que ainda tínhamos algo de humano em nosso ser, sinto pesar pelos mortos.”

Aleatoriedades

  • O livro possui um final alternativo, que vem com alguns extras logo depois da história e acho que alguns dos fatos relevantes que são contados poderiam estar na própria história ou em um prelúdio que nos desse um panorama do que aconteceu no apocalipse, temos poucos fragmentos durante a leitura e, alguns, demoram a aparecer. Meu lado amante do Direito, adoraria ver as Leis da Sobrevivência e da Sede escritas em ‘termos legais’… ehehe.
  • Um dos conteúdos extras do livro é um final alternativo. Preciso dizer que eu o prefiro ao que ficou na história. Diante de tudo que acontece na história, acho ele mais crível, mais real, ou, porque não dizer, mais brutal.
  • A qualidade do livro é boa, mas achei que a resolução da imagem da capa poderia ser um pouco melhor e o conteúdo do livro dá a impressão de que quiseram colocar muito escrito em uma folha só. Gosto quando a margeação é maior e a escrita mais espaçada, visualmente é mais bonito e a leitura fica mais leve. E a revisão pecou em alguns pontos, tem muitas palavras grudadas, faltando espaços.
  • O livro tem algumas ilustrações, que compõem alguns acontecimentos da história e acho super legal quando o livro oferece esse tipo de conteúdo.
  • Para quem não sabe, eu coleciono bonecas, como a que fez uma pontinha aqui nas fotos, vestida de Rainha da Destruição… ehehe Essa é uma Pullip Classical Alice e, se quiser saber mais sobre meu colecionismo, é só clicar aqui.

Em parceria com o autor farei um sorteio lá no Instagram, de um exemplar do livro, botton, mcohila tipo saco e ilustração do livro (itens da foto abaixo)! Para participar, é só clicar aqui e seguir as regrinhas!

Planeta Brutal do Raphael Miguel está disponível na loja da Editora Coerência e também na Saraiva. O autor também possui outros títulos publicados, entre eles, Ácido & Doce – A Rosa Fatal, que já ganhou resenha aqui no blog no ano passado (para conferir é só clicar aqui). Para contato com o autor e saber mais dos seus lançamentos e publicações, clique AQUIi!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: a galera jogando Detetive aqui em casa… ahahah

  • Bruna Bueno

    Em 23.01.2018

    nao conhecia esse livro gostei muito da historia é bem bacana vou indicar para uma amigo meu ele vai gostar é bem estilo dele o livro
    BLOG♥ Coisas da bueno

  • Retipatia

    Em 23.01.2018

    Oi Bruna!
    Ah que legal Bruna, se ele curte distopia, é uma ótima dica de leitura!!! <3
    Obrigada pela visita!! <3
    xoxo

  • Aline Callai

    Em 23.01.2018

    Oi Rê!
    Amei sua resenha, eu com certeza leria esse livro, amo distopias <3 Parece ser super interessante por ele tratar dos extremismos, da extinção humana, daquele tipo de livro que nos faz pensar 😀
    Adorei a dica, mais um pra listinha!
    Beijos
    http://www.nomundodaluablog.com/

  • Retipatia

    Em 23.01.2018

    Oi Aline!
    Ah que amor, feliz que tenha te interessado! <3 O livro tem essa ideia mesmo, trabalhar o conceito de humanidade e tudo que pode ser visto numa boa distopia está lá! <3
    Obrigada pela visita! <3 🙂
    xoxo


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