Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta ♥ Noemi Nicoletti

Em 11.01.2018   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Hoje a resenha é da primeira leitura do ano, que foi feita toda em suaves notas musicais, repleta de tom maior, dó, ré e mi. E pausas. Porque, sem elas, não se faz música e, o livro de hoje é melodia em forma de história.

A Autora

Mima Pumpkin é o pseudônimo da escritora Noemi Nicoletti, autora do livro Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta. Ela é formada em jornalismo e teologia e mora com o marido na cidade de Karlsruhe na Alemanha. Escrever é uma das formas que tenta contribuir para o universo.

A Mima, ou Noemi, para quem preferir, tem um site muito lindo e lá dá para conhecer mais sobre ela, seus livros e também tem o contato, para quem quiser papear com ela e/ou tirar dúvidas!

Sinopse

Liesel tem duas grandes paixões: música e o cantor australiano Leo Adrian. Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta trata da história dessa jovem de 17 anos, que, enquanto trabalha em Pianoforte, uma gigantesca loja de música no litoral paulista, sonha com amor verdadeiro e com o ídolo que nunca encontrou pessoalmente. Quando chega a notícia de que, pela primeira vez, Leo Adrian virá ao Brasil, Liesel vê nisso a oportunidade para conquistar a atenção do cantor e fugir da vida que leva.

Mas, espere: a história não se trata de um romance entre uma garota e o ídolo. Nada irá acontecer do jeito que se espera. A vinda do cantor é só o estopim para o início de uma série de reviravoltas e conflitos que levarão Liesel a experimentar romance, redenção, autodescoberta, amadurecimento e lições para a vida toda.

Como é possível que alguém para quem não significo nada possa significar tanto para mim?

A Obra

Liesel mora com a mãe na sua pequena casa em Santos/SP. Toda sua vida pode ser resumida pela rotina de trabalho-casa, casa-trabalho, o que também a faz passar por três estágios cotidianos: adorar, tolerar e abominar. Não os três juntos, ou para a mesma coisa, fique claro. Lies adora o trajeto calmo e tranquilo que faz regrada ao som que sai do seu MP3 até o seu trabalho, na superstore Pianoforte, local em que ela tolera várias coisas. Mas, é no fim do dia que o último verbo se faz presente, abominar chegar em casa, e todo o redemoinho de sentimentos que isso lhe traz, já que, desde a morte de seu pai e da partida de sua irmã, a mãe de Liesel oscila entre as palavras amor e ódio.

Sua vida não teria tanto sentido não fosse o amor que tem pela música, ou melhor, o fato de que sua vida é medida em compassos, sua respiração segue o ritmo das notas musicais, como se seu próprio corpo fosse instrumento e a alma feita de som. Ainda que o pai tenha tentado ensinar-lhe a tocar seu antigo Gibson 1941, infelizmente, Lies bem sabe que ter conhecimento da teoria não é suficiente para tocar.

Já sei há muito tempo que, se é pelo mero prazer da música, não vale a pena ir a shows. Meu MP3 Player da China me oferece mais do que isso. Não, não se passa por tudo isso pela música e, sim, pelo artista. […] Não se vai a shows para se ouvir e, sim, para se vivenciar. É acreditar que qualquer pessoa que consegue produzir algo tão maravilhoso deve ter algo realmente único dentro de si. É precisar tocá-la, conhecê-la pessoalmente, intimamente, absorver o mistério oculto que transborda de dentro dela.

Isso e, claro, há mais um detalhe que dá o perfeito ritmo à sintonia de sua vida: Leo Adrian. A perfeição em tons maiores e menores, o encontro ideal de melodia e pausa. Tudo que Lies sabe é que, quando os dois se encontrarem frente a frente, todo o amor que ela nutre pelo cantor europeu será de pronto retribuído. Tudo que ela precisa é de uma chance.

O dia que poderia ser apenas mais um começa e segue sem grandes intervenções até quando a notícia que irá mudar todo o seu destino chega a seus ouvidos: Leo Adrian virá ao Brasil! A euforia é latente e Lies, depois de ganhar o ingresso para ir ao show da sua melhor amiga Brenda, tudo que ela precisa é esperar os dias passarem.

Fecho os olhos e sinto que posso tocar a melodia, dançando ao meu redor como amálgamas de pétalas de rosa e borboletas e quase me perco totalmente nessa viagem durante os trinta segundos que se seguem, até ouvir o som metálico inconfundível da guitarra de — meu coração pula uma batida — Leo Adrian.

A sensação de estar no show do seu ídolo/amor da vida é sem igual e, ignorando todo o resto, como o show de rap na abertura com a performance de Jay Butterfly, e toda a multidão que compete por espaço, sua certeza só aumenta. Ela e Leo estão destinados um ao outro. Junto de Brenda, elas partem em busca da oportunidade de se encontrar com cantor após o show, mas além de não conseguirem se aproximar, nossa jovem tem a pior visão. Ninguém menos que sua irmã Lahela bem abraçada ao cantor Jay, que abriu o show e à, ninguém menos que o próprio Leo Adrian. Qualquer outra pessoa no lugar Lies poderia aceitar, mas não a sua irmã, aquela que a deixou à mercê dos picos de humor da mãe. Não, Lahela não.

A vida de Lies cai num redemoinho de tristeza, sem som, sem música. As batidas só voltam a ecoar quando seu irritado e amável (talvez um tanto quanto contraditório) chefe, Terra, resolve lhe presentear com um ingresso do show que ocorrerá no Rio de Janeiro. A chance de encontrar seu verdadeiro amor retorna à partitura de sua vida e, dessa vez, com direito à acesso aos bastidores, Lies sabe que não será apenas mais uma palheta na multidão.

O único problema é quando ela descobre que terá que fazer essa viagem com ninguém menos que sua irmã, Lahela. Entre encontros e desencontros e, uma Lies de dezessete anos sozinha nas ruas do Rio de Janeiro, uma reviravolta a colocará no caminho de Jay Butterfly, ninguém menos que o jovem cantor que abre os shows de Adrian. E essa é exatamente a chance que Lies irá agarrar para conhecer seu tão sonhado Leo. Se ela irá conseguir encontrá-lo? Bem, é claro que você precisa ler, porque, até aqui, não chegamos nem na metade dessa história.

A aura rosa-pastel do violoncelo era ilusão. O mundo é azul profundo, é cinza, é cheio de uma beleza dolorida, é uma luz que queima e cura, é um beijo quente e desesperado na chuva, é vermelho de sangue e paixão e desafio.

Impressões Sobre a Obra

Sabe quando você adora tanto uma música que coloca no repeat e ouve sem parar? Se Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta fosse uma, eu, sem dúvidas, estaria ouvindo dessa maneira.

Sons, como apelidei carinhosamente a obra, reverberou nos meus pensamentos durante toda a leitura. Quando estava fazendo alguma outra coisa, me pegava pensando sobre Lies, sobre o que aconteceria com ela e todos os acontecimentos da sua vida. Mas, não é só por isso.

Noemi, ou Mima, como preferirem, consegue produzir música com a história que nos conta, e, especialmente, criou personagens tão perfeitamente imperfeitos, ou simplesmente reais, que torna quase impossível que o leitor não pense que Jay e Leo estão mesmo vindo em turnê para o Brasil.

E que deve haver alguma melodia que governa o mundo, algo que não podemos sempre ouvir, mas sentimos… A música que determina o ritmo com que o mundo dança.

A relação de Lies e dos demais integrantes da história com a música e a própria presença marcante que ela tem, como se fosse um verdadeiro personagem, dão ritmo e trazem um significado muito grande para a beleza que é a junção entre música e literatura. E, assim, foi impossível não me impressionar com a musicalidade do livro.

E parte dessa musicalidade está nos próprios personagens. É impossível não ver realidade na situação da jovem que se apaixona pelo astro da música ao qual tem remota chance de se encontrar, na expectativa de fugir da dura realidade em vive; na irmã que abandona o lar por não saber como lidar com a situação; na mãe doente que não consegue seguir em frente e desconta sua revolta nas pessoas que a amam; ou mesmo no astro que busca respostas nos lugares errados; no jovem que acredita que ninguém é perfeito e que cada um é responsável pelas próprias amarras que cria no mundo.

Lies parte em busca do sonho de se encontrar com seu amado Leo. De uma forma que ela não espera, a vida lhe mostra que realizar um sonho não significa alcançar a felicidade e que o que aprendemos pelo caminho e as pessoas que conhecemos nele, são muito mais importantes. É como quando, ao ouvir um álbum, se desagradar com uma faixa ou outra, isso não tira a beleza do todo ou faz desse um álbum ruim. Apenas imperfeito, tal como a vida.

O que a pintura fez por mim em relação ao que podemos ver, a música fez por mim em relação ao que não podemos ver. Entende? São nuances, significados, profundidades, intensidades que não se comunicam com palavras ou, aliás, com nenhuma outra forma. Música expressa coisas que os símbolos simplesmente falham em expressar.

Como Lies, acredito que a vida tenha trilha sonora, um som tocado mesmo no silêncio, uma vibração presente além do Universo, um ritmo que, quando descoberto por cada um, traz o som cristalino de um instrumento devidamente afinado. Se fosse musicado, Sons viraria uma trilha sonora de filme, com direito à melodias alegres e empolgantes, tristes e revoltosas, apaixonantes e inspiradoras, que sempre vão te fazer fazer pensar em cada momento da história e querer rever, ou, no caso, reler.

O livro tem esse condão, de dar som no silêncio e fazer pensar, repensar e perceber que, diante de nós mesmos, só falta música em nossa vida quando tapamos os ouvidos e diante das maiores dificuldades: as que nós mesmos criamos.

Mais do que a história de uma garota em busca do sonho de conhecer seu ídolo, Sons é, na verdade, um concerto sobre a vida, sobre crescimento, amadurecimento e auto-conhecimento. É cheio de nuances, ou seriam notas? De um modo que eu realmente não esperava encontrar quando resolvi ler. Foi mais, bem mais. Se tornou uma das minhas músicas favoritas, se me entendem.

Como Jay Butterfly tão bem me ensinou, o mundo está repleto de “Garotas Gibson 1941 Original”, só esperando encontrar as cordas certas para tocar a própria música.

Amizades verdadeiras também são uma espécie de lar. E é aqui que encontro novos fragmentos para substituir os que se perderam.

Aleatoriedades

  • Eu tenho uma reclamação gravíssima a fazer: como assim o Leo Adrian vem para o Brasil, faz shows nos quatro cantos desse país e não se dá o trabalho de vir aqui para Beagá? Sério, tem algo de muito errado nisso, até o Paul McCartney veio, oras! Ok… seguindo em frente…
  • Foi bem difícil selecionar as quotes para colocar aqui. Descobri, um zilhão de anos depois de ter o Kindle, que ele envia para o seu e-mail as quotes e notas que você fez no livro e, assim, eu não preciso digitar tudo! ahaha Podem rir, eu tô passada com minha lerdeza. Mas o que eu queria dizer é que deram 7 páginas de marcações quando abri o PDF e, gente! Foi difícil!
  • Talvez eu tenha esquecido de dizer, mas Lies me rendeu boas risadas também. Ela tem um jeito bem único de dizer certas coisas e de pensar e, quando me deparo com frases como “Por que você não coloca sua explicação num bilhete e enfia num envelope?”, é simplesmente impagável!
  • Como se não bastasse, os capítulos contam com trechinhos de músicas no início e, quando não foi minha surpresa ao ver citações de músicas de Tom Odell lá. Só conheci o trabalho desse cantor ano passado e gente, eu estava perdendo muito, muito mesmo! Cada música dele me toca de um jeito que não sei explicar e são sempre motivo de longas inspirações… sem mais, quem não conhece, bora Googlar Tom Odell! Minhas primeiras recomendações são Another Love e Grow Old With Me (minha mais recente queridinha!).

Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta tem ebook disponível na Amazon.br e também pelo Kindle Unlimited. Para versão física, a autora pode ser contatada diretamente, é só clicar aqui, mas corre que é tiragem limitada, ok!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

 Ouvindo: Tom Odell, é claro!

  • Lunna

    Em 11.01.2018

    Tinha lido sobre esse livro em outro blogue (não me lembro qual) e me chamou a atenção justamente por essa questão do silêncio e das trilhas sonoras dos momentos. Eu tenho músicas para cada instante de vida. rs

    Acho maravilhoso quando um livro nos envolve dessa maneira, a ponto da realidade-ficção se embaralhar e ser uma mesma coisa. rs

    bacio

  • Retipatia

    Em 11.01.2018

    Oi Lunna!
    Essa coisa de música mexe comigo e acho que por isso o livro também me conquistou tanto. De ter músicas pra instantes da vida, eu entendo e adoro! <3
    Acho que o livro cumpriu seu papel quando isso acontece, ainda que ficção, conseguir refletir na nossa realidade. <3 Afinal, o que é e o que não é realidade, afinal de contas? rsrsrs Obrigada pela visita!
    xoxo

  • Fernanda Akemi

    Em 11.01.2018

    Oiee!

    Tão bom quando um livro nos envolve dessa forma!
    Eu ainda não conhecia a história e já fiquei encantada, achei interessante isso do silêncio.
    Eu também acho que a vida é uma trilha sonora e desde menina eu sempre associei fatos ou momentos da minha vida a alguma música e quando ouço vem tantas lembranças na cabeça.
    Perfeito!!

    bjs
    Fê Akemi

  • Retipatia

    Em 11.01.2018

    Oi Fê!
    Sim, esse livro é muito amorzinho e me conquistou de verdade! Acho que a relação que ele faz com a música é exatamente o que me prendeu mais! É tão bom fazer associação de momentos e música, né?! <3 Adoro adoro!
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Sabrina Matos Sampaio

    Em 11.01.2018

    Meu Deus, quero muito ler esse livro agora! Não gosto muito de ler livros online mas nossa, esse eu enfrento a possível dor e ardência nos olhos lendo na tela do computador ou do tablet. Me identifiquei um pouco com a história pelo o que você relatou.

    Agenda Aleatória

  • Retipatia

    Em 11.01.2018

    Oi Sabrina!
    Ah gente que bom que a resenha fez você querer ler! Esse livro é tão amorzinho que terei no meu coração para sempre! A autora está com venda dele físico para uma tiragem limitada, às vezes te interessa. Mas como ele é um livro que se lê bem rapidinho e não é muito grande, é provável que você consiga ler mais fácil pelo tablet ou pc (agora a Amazon amorzinho deixa a gente ler nossos livros pelo pc e é uma maravilha! <3)!
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Luana Souza

    Em 11.01.2018

    Achei linda a parte em que você fala sobre como a vida tem trilha sonora. Eu tenho algumas músicas que estão nessa minha trilha sonora e só quem tem essa relação com a música sabe como é incrível, como ela pode mudar e alegrar sua vida! *-*

    Embora o gênero do livro não seja o que eu estou acostumada (a louca de histórias de fantasia, sou eu mesma!), fiquie curiosa para descobrir as aventuras que a protagonista vai viver. Parece ser uma leitura gostosa e divertida.

    Ah, e me deixa falar das suas fotos, que estão lindíssimas. Tudo combinou perfeitamente, esses tons pastéis… quero muito comprar um kindle qualquer hora, mesmo tendo quase certeza que não vou me acostumar muito bem. Mas, quando eu comprar, vou pedir aulas de como tirar fotos bonitas com ele pra você 🙂

    Beijos, :*

  • Retipatia

    Em 11.01.2018

    Oi Luh! Eu também amo essa relação vida x música! Acho que todos que tem esse sentimento vão entender um pouco de como isso pode fazer a diferença em determinados momentos!
    Eu também amo fantasia, não vou mentir, mas os romances chegam em segundo lugar no meu coração e esse é do tipo capaz de conquistar até mesmo os que não tem o romance como gênero favorito. Acho que você super gostaria da leitura! <3
    E obrigada, eu também adorei o efeito dos tons pastéis super fofo nas fotos! Eu ainda estou aprendendo a fotografar com o Kindle ou o Tablet, não tem o mesmo efeito do livro físico, mas sempre tento dar sintonia com a capa. Esse como ela é em P&B, super funcionou colocar no Kindle mesmo. Como no ano passado comecei a ler muita coisa da Amazon, foi um mega presente esse Kindle, a leitura flui melhor e não cansa as vistas. Eu realmente sou apegada ao papel (te entendo muito nesse quesito), mas para carregar para os lugares, é bem mais prático e não corro o risco do livro danificar, porque sou meio neurótica com isso! ahaha
    p.s.: acho que é tu quem tem que me dar aulas de fotografia, hein?! ehehe 🙂
    Obrigada pela visita!
    xoxo

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