Ácido & Doce: A Rosa Fatal ♥ Raphael Miguel

Em 22.10.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Hoje é dia de falar do livro Ácido & Doce: A Rosa Fatal, do autor parceiro do blog, Raphael Miguel, um romance que faz jus ao título. Aproveito para agradecer o Raphael pela parceria (e por aguentar todo o suspense! ahahah).

Ácido & Doce: A Rosa Fatal

Autor Raphael Miguel

Editora Xeque-Matte

Sobre o Autor

Raphael Miguel, escritor com o nome de dois poderosos Anjos, nasceu na remota cidade de Botucatu, estado de São Paulo. Desde muito cedo, demonstrava genuíno interesse pelo lúdico e por ficções, sentindo-se confortável com seu lado criativo e abusando de sua imaginação.

Autor de diversos contos e poemas, participou de várias antologias sobre os mais diferentes temas. Apaixonado por cultura pop, escreveu crônicas sobre o tema para a extinta revista Varal do Brasil entre 2015 e 2016.

Premiado em concursos literários no ano de 2015, lançou seu primeiro livro solo em 2016, este intitulado “O Livro do Destino” (Chiado Editora), o qual foi muito bem recebido pela crítica e leitores, com destaque em diversos meios de comunicação e indicado aos amantes dos gêneros drama e fantasia.

“Ácido & Doce: A Rosa Fatal” (2017) é seu segundo livro solo, o primeiro publicado pela inovadora Editora Xeque-Matte.

Este é apenas o começo de sua história…

Sinopse

Apesar de desolado com a partida de sua amada amiga, Lívia G., para tentar realizar o sonho de se tornar uma modelo internacional na França, Alejandro Vidal Braga seguiu em frente e tornou-se um rapaz ambicioso, totalmente movido pela ganância, embora dono de uma personalidade dúbia que o deixa em xeque. Mas, o retorno de assuntos do passado promete fazer com que Alejandro tenha que adotar novas posturas de atitude e comportamento, ao ponto de tornar-se irreconhecível aos olhos dos próprios pais, em busca de aceitação e identidade própria.

Eveline é uma jovem bonita, charmosa e atraente que guarda muitos segredos de um passado nebuloso e sombrio. Ainda que seus motivos sejam desconhecidos, a garota misteriosa parece estar determinada a terminar de destilar seu plano de vingança contra o homem que lhe fez sofrer. Eveline tem contas para acertar e ninguém poderá ficar em seu caminho.

Acompanhe essa trama sob a ótica de dois personagens e prepare o coração para se impressionar do início ao fim com um enredo inovador repleto de reviravoltas, subtramas, conspirações, encontros e desencontros. Com pitadas de suspense, erotismo, drama mistério e intrigas, Ácido & Doce é um romance urbano diferente, sensual, eclético e frenético que promete muitas surpresas.

A Obra

Quando garoto, Alejandro passa por uma desilusão amorosa muito dolorosa: a garota de quem sempre gostou parte para a Europa para se tornar uma modelo internacional, frustrando qualquer chance de um relacionamento entre os dois. Os anos passam e Alejandro agora é um jovem que comodamente ainda vive com os pais, mesmo tendo um emprego rentável na Munhoz Corretora de Seguros. Mesmo com a pouca idade, ele já exerce um dos cargos de maior confiança na seguradora e é responsável pela aprovação e reprovação de diversos contratos, o que acaba lhe rendendo também diversos ‘extras’. Além disso, ele passa boa parte do seus fins de semana ajudando seu pai na loja de móveis que sustenta a família, na cidade de Curumim, seguindo uma rotina impecável.

Sua vida sai do lugar comum com a volta do seu antigo amigo de escola, Roberto Chamas, conhecido pelo nome de Rob Fyre, já que agora ele é um astro do rock mundialmente famoso, como vocalista da sua banda S.A.M. – Sons At Mud. Depois de um reencontro feito pelo próprio destino na loja de móveis do pai de Alejandro, que é habitualmente – e erroneamente – chamado de Alessandro, os velhos amigos partem para as badaladas noites de Curumim, levando consigo a jovem e atraente Kaline, que trabalha na loja de móveis e chamou a atenção de Rob.

Num compasso bem distinto, a parisiense Eveline chega a Curumim desalojada e se instala na casa do pacato Olívio, que acabara de conhecer. O que o rapaz não faz ideia é de que a provocante hóspede tem planos bem articulados para colocar em prática na cidade. Nossa mocinha (se é que podemos chamá-la assim), vai até o Sanatório Isaque Alban, visitar o tio que está instalado na instituição. Vingança é um prato que se come frio e ela sabe bem como esperar. Contudo, seus planos restam malfadados ao descobrir a falência do tio Celso G., ainda mais com a negativa do seguro em pagar a indenização devido ao seu estado de saúde.

Ainda assim, Eveline se delicia com a recepcionista do Sanatório Alban, a doce e propositadamente ingênua, Lucy. E, entre devaneios sobre um passado que insiste em lhe visitar através de sonhos aterradores, a jovem reformula seus planos e passa a ter um novo objetivo. E ninguém será capaz de interpelá-los.

Enquanto isso, Alejandro se vê diante de uma possibilidade que, até então, lhe era inconcebível: a possibilidade de amar novamente, além de surgirem problemas em seu trabalho . Mas, nada será fácil ele, um reencontro do passado fará toda sua perspectiva alterar-se e, o jogo da vida de todos os personagens, também.

Impressões Sobre a Obra

Uma roseira. Os galhos intrincados em várias direções, o perfume suave e marcante, inconfundível da flor rubra instala-se no olfato, o toque mais suave que seda das pétalas acariciando a pele em contraste à aspereza e rudez dos espinhos. Machucam, ferem, marcam. Não há outra forma de descrever Ácido & Doce, a história que é tanto rosa quanto espinho.

Como o contraste entre flores e espinhos, a narrativa alterna entre dois pontos de vista em primeira pessoa: a de Alejandro e a de Eveline, tendo ainda como Prólogo e Epílogo um narrador onipresente que nos mostra detalhes da vida destes dois personagens de uma maneira que nem mesmo os próprios seriam capazes de nos fazer.

“Meus lábios se mexem sutilmente, como tal quando estamos prestes a abocanhar um doce.”

Quando contada do ponto de vista de cada um dos personagens, não há dúvidas de quem estamos acompanhando. Miguel apresenta tão bem o estilo dos personagens que, até o jeito de se expressar em pensamentos é coeso à criatura criada. Alejandro tem um tom que chega a ser metódico, pensado, quase ensaiado na sua ilusão de perfeição da vida que segue. Eveline tem em mente o que precisa ser guardado, a sagacidade de atitudes que refletem em seus pensamentos. E, nesse ponto, a narrativa é fiel a cada um dos personagens esboçados.

Nas curvas dos galhos da roseira temos a história em si. Bem pensada, articulada. Cheia de curvas, flores e espinhos em seu caminho. Dá voltas e reviravoltas, como próprios ramos da roseira. Para, segue, respira. E revolta novamente, apenas para fechar em suspense, muitas suspeitas, quase nenhuma certeza, muitas surpresas e, claro, expectativa acerca da continuação da história.

Além da construção da história, que faz muito bem seu papel de prender a leitura e lhe fazer virar as páginas com rapidez, há que se lembrar da excelente construção dos próprios personagens. São mistura de rosa e espinho, de ácido e doce, cada um deles. Não há mocinhos ou mocinhas. Tampouco vilões e vilãs. É uma linha tênue em que não existe time para se torcer. Não há certo e errado ou bom ou ruim. O que temos são indivíduos motivados por seus interesses, tal qual no mundo real. E, exatamente por essa razão, Eveline e Alejandro, assim como todos os demais personagens, não são apenas sombras de pessoas. São pessoas. Como eu e você, cheios de verdades ocultas, desejos inominados, pensamentos errôneos, decisões acertadas e erradas, injustiçados e justiceiros.

Tanto quanto nossos protagonistas, os personagens secundários são importantes. Eles mudam a trama, mudam o destino e, por vezes, tratam de mudar os próprios narradores da história, seja ou não de maneira positiva. Kaline, Celso G., Rob Fyre, os pais de Alejandro, e muitos outros. Em todos há um que de céu e inferno para nossos personagens principais. Ou, um quê de ácido e doce, um quê de rosa e de espinho. É como no efeito borboleta, um simples bater de asas pode gerar um furacão. E teremos muitas reações às ações ocorridas em A & D.

Particularmente, preciso citar minha grande empolgação para com a personagem de Eveline. Moldada por seu passado traumático, ela se tornou de rosa à espinho. Mas não apenas isso, tem garra, força de vontade e sabe se virar. Ainda que não politicamente a pessoa mais correta que você irá encontrar ao cruzar uma esquina (não defendendo várias das coisas que ela faz, melhor frisar… rs), mas a personagem foi moldada por espinhos e sua roseira anda carecendo de botões. Ela tem sua sexualidade aflorada e a usa de modos positivos e negativos, sendo, quase sempre, válvula de escape ou elemento de barganha para suas necessidades. Infelizmente, essa é das moedas que lhe fora ensinada.

“Você é o último item da minha lista de redenção. Sou como um fantasma para te assombrar. Eu voltei para ser seu pesadelo…”

Da mesma maneira, preciso expressar meu profundo desagrado com Alejandro. Não, não seria desagrado, poderia parecer que o problema é na descrição do personagem. A questão envolve quem ele é e como se camufla para si mesmo de bom samaritano, em como é puro espinho disfarçado de rosa. É o tipo de cara que se acha completamente correto, mas não passa de um arrogante oportunista e machista. E enfadonho, devo acrescentar (certeza que Rob concorda comigo… rs). Seu mundo perfeito rui num piscar de olhos. Ele é o personagem mais influenciável de toda a trama e, infelizmente, seu ego não permite que ele veja sequer um pouco da realidade. Tem um trauma absurdo para um amor de menino que nunca pôde aproveitar e se recusa, por mera covardia, viver qualquer coisa que lhe tire do seu lugar comum.

“O monstro da fama venceu, ele sempre vence.”

Deixando os personagens um pouco, outros pontos do livro merecem atenção. O livro é sensual, não chega a ser considerado um livro hot, mas há cenas quentes que, bem descritas (destaque-se), compõem a narrativa e não são encaixadas apenas para inserir cenas de sexo na história, como em muitos livros hot ou com uma pegada sensual. Acompanham a narrativa e não são quebra de continuidade (detalhe aleatório: Eveline, você não sabe como esperei por isso, garota! ahaha).

As páginas de Ácido & Doce foram viradas com curiosidade, buscando cruzar as folhas, cheirar as rosas e – tentando – não se espetar nos espinhos e, porque não dizer (?), deixou rastros. A história é do tipo que, ao terminar, te faz pensar não apenas no que virá a seguir na vida dos personagens, mas também refletir, agora que as cartas foram lançadas à mesa, sobre seus comportamentos, expectativas, esperanças, erros e acertos. Raphael conseguiu criar um romance com estilo urbano – com um salve pela valorização do território brasileiro para acontecimento da trama – em que tudo se assemelha à vida cotidiana, ainda que com alegorias e assuntos fortes e que precisam ser debatidos. Não há donzela em perigo ou príncipe encantado aqui e não precisamos de nem um nem do outro, convenhamos. Tudo que é preciso, está lá, tudo que é necessário para lhe fazer apegar à história e, como todo bom livro, desagradar de um ou outro personagem, e agradar de outros, exatamente como a vida tende a nos desagradar e agradar com facilidade.

Sobre a edição física do livro: a capa é linda, espero ter feito jus a ela nas fotos aqui da resenha. Achei a diagramação boa também, as linhas espaçadas e com tamanho de letras bons para leitura. Achei super bonito também que todo começo de capítulo tem roseiras desenhadas, deu um charme a mais às paginas. A revisão também é boa, encontrei pouquíssimos erros na edição (acho que foram só uns dois). E ainda tem um desenho lindo de uma caveira na última página que, por alguma razão que só o universo pode responder, não fotografei… rsrs

“Tabaco, canela e perfume. Ácido e doce.”

Aleatoriedades

  • É fato que a música é um elemento presente no livro, afinal temos um rock star nela! Mas, eu preciso dizer que duas coisas no livro me fizeram pensar na Lady Gaga. Sim, você não leu errado, estou falando da diva monster, que teve o nome advindo da clássica Radio Ga Ga do Queen. O nome do personagem Alejandro e o nome da boate mais badalada de Curumim, Just Dance, foram as razões para despertar essa conexão na minha mente (fora algumas comparações ao ‘monstro da fama‘, que só me fazem lembrar de ‘The Fame Monster’). Inclusive, eu estou ouvindo Alejandro no repeat enquanto faço essa resenha, matando a saudade, já que não ouvia Gaga há tempos!
  • Não se preocupem, nenhuma bebida foi desperdiçada para fazer as fotos… ahaha Tinha Mate Couro nesse copo ‘derramado’ aí… rsrs
  • Tentei fazer essas fotos com rosas ‘fake’, que minha mãe usa em um arranjo. Insatisfeita, saí e fui comprar rosas vermelhas pra usar. Até gostei do efeito, mas a cor vermelha é sempre um desafio enorme pra fotografar. Vermelho satura muito fácil e, como é tudo de celular, nem sempre sai grandes coisas… rs Espero que estejam apresentáveis, já que o vermelho é indispensável para representar Ácido & Doce, ou devo dizer, para representar Eveline?!
  • A vela que aparece nas fotos é da minha lojinha Unicorn Candles (Loja, Insta e Face).

Para quem se interessar pelo livro, ele pode ser adquirido diretamente com o autor, ou através do site da Editora Xeque-Matte. Curta a fanpage do Raphael Miguel e de Ácido e Doce – A Rosa Fatal.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Alejandro – Lady Gaga

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