Pepita ♥ Mar Junior

Em 02.02.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

A resenha de hoje é do livro Pepita ‘Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullyng’, uma parceria aqui do blog com o autor do livro, Mar’Junior.

Aproveito para agradecer ao autor pela confiança e oportunidade de ler o livro em primeira mão e poder compartilhar um pouco sobre a obra aqui no Retipatia.

Sobre o Autor

Mar’Junior é autor, diretor e produtor do espetáculo ‘BULLYING’, que está em cartaz há 14 temporadas com mais de 500 mil espectadores. ‘Pepita – Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying’ foi escrita em agosto de 2015, sendo uma adaptação do seu espetáculo teatral ‘PEPITA’ e inspirado em uma de suas alunas de teatro. O intuito sempre fora tratar o tema com maior profundidade e, a ideia é que este volume seja o primeiro livro de uma trilogia, buscando atender ao público jovem e trazer uma mensagem para melhoria das relações interpessoais. (Fonte/Conheça mais aqui).

Sinopse da obra:

Pepita é narrada em primeira pessoa, exatamente pelo ponto de vista de nossa protagonista, a, agora adolescente, Pepita, que é uma menina meiga, cativante e muito bondosa. Em capítulos curtos, ela narra as experiências sofridas ao longo de toda sua vida escolar, desde o jardim de infância até o fim do ensino médio, passado na mesma escola e sofrendo bullying das demais alunas.

Toda a reflexão da garota sobre seu passado ocorre no seu último dia de aula, quando tem a oportunidade de se recolher por um tempo, em sua sala preferida do colégio e perceber que tudo aquilo teria um fim. Ela finalmente formara-se, independentemente das tentativas inescrupulosas de Canina e das populares da escola em fazer o contrário. A formatura significa um novo recomeço, livre da violência constante. E, nesse meio tempo, ela tem a chance de avaliar todos os relacionamentos que a cercam, com seu pai e sua mãe, amigos e até mesmo o primeiro amor.

Impressões Sobre a Obra:

Primeiramente, acho que é importante assentar o que é bullying, já que algumas pessoas podem ter dúvidas em relação à palavra, mesmo com sua popularidade. Então, com aquela busca ‘by Google’, vamos à definição:

Bullying é anglicismo (uma palavra da língua inglesa incluída em outra língua, a fim de designar um novo fenômeno*), utilizado para drescrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. (Fonte)

* No caso, não se trata de um novo fenômeno, mas a nomenclatura dada é que é relativamente recente.

Como dito, a história é narrada em primeira pessoa e, de tal modo, a vida te Pepita é contada por ela mesma. É um ponto positivo para a narrativa, deixar os pensamentos da jovem às claras, suas sensações e emoções sempre ditas, nem que sejam por seus pensamentos e reações.

A história divide-se em capítulos não extensos, que mostram algum acontecimento relembrado por Pepita no dia de sua formatura, antes do evento ocorrer. Ela se lembra de várias humilhações, violências físicas e psicológicas pelas quais passou, todas, invariavelmente articuladas por Canina, a ‘manda chuva’ da escola que parece ter real apreço em fazer Pepita sofrer. Junto de suas seguidoras, denominadas por Pepita de ‘as populares’, ela trama de todas as maneiras imagináveis e inimagináveis.

E, você deve se perguntar, e a escola, não tem coordenação, diretoria, ninguém para acabar com isso? Afinal, foram quinze anos de sofrimento para Pepita e, um aspecto que o livro deseja mostrar é a falta de preparo de muitos corpos docentes e demais âmbitos escolares em lidar com este tipo de situação. Na história de Pepita, o cúmulo chegou a tal ponto que ninguém mais acreditava nela, dizendo sempre que ela se faz de vítima e que ela é quem não sabe ser sociável com as demais alunas.

  • E um parêntesis aqui para o ‘alunas’. O colégio que elas estudam é apenas para garotas, então, sempre tudo se remete a apenas meninas. Não é um padrão muito habitual aqui no Brasil, mesmo em colégios de classe alta, como o em questão. E creio que, provavelmente, a dinâmica da história seria um pouco distinta caso fosse um colégio misto.

“Voltemos ao passado. Para conseguirmos enfrentar o futuro. Pois o presente é hoje.”

Além da questão da falta de preparo e descrença quase geral dos membros responsáveis pelas alunas no ambiente escolar – com exceção das duas faxineiras que são um apoio e conforto para Pepita durante as agressões -, há as próprias alunas. E, nesse aspecto há um grande ponto chave a ser considerado: Canina é a principal, a ardilosa que trama tudo e parece odiar, com cada célula de seu corpo, Pepita – e, mais principalmente, sem motivo aparente. Não que motivo seja justificativa para a prática do bullying, importante destacar! Mas, tirando ela, que exerce o perfeito papel de arquétipo de vilã da história, é mais interessante avaliar a motivação de suas seguidoras e das demais meninas da escola.

Boa parte delas, pratica o bullying seguindo ‘a onda’ que Canina perpetua, algumas por achar a humilhação engraçada e divertida, outras por desejarem fazer parte do grupo mais seleto da escola, já outras por intimidação, por medo, por acomodação ou por crerem que o status quo não pode ser alterado.

  • Um segundo parêntesis nesse quesito de ‘populares’ da escola é que, nossos jovens adolescentes e crianças têm grande referência de filmes estrangeiros – especialmente norte americanos – acerca de comportamento, em especial, em época escolar e, essa ideia de ‘populares da escola’ me fez relacionar bastante com isso, já que, na realidade escolar brasileira, sinto que nichos menores de popularidade são mais condensados, como em nível de ‘salas ou turmas’, por assim dizer. Como na história se trata de um colégio em que temos turmas pequenas e um maior convívio e interação entre todas as alunas, é mais fácil que esse status de popularidade massiva se instale.

Voltando, acerca das demais garotas que realizam o bullying, elas são o combustível que mantém Canina no poder e na posição de praticar a violência perpétua com Pepita. Sem suas ajudantes, quase todos seus planos seriam impraticáveis e, sem elas, não haveria platéia para se regojizar. Isso é uma ideia importante que a história mostra, ainda que seu foco não seja apenas este. O bullying ganha força porque pode vir disfarçado de brincadeira, molecagem e ‘coisas da idade’. E, especialmente, porque, quando se trata de fazer mal a alguém, sempre haverá aqueles apoiadores, que preferem ver o outro em situação de inferiorização à defender o que é certo ou se verem no lugar do humilhado. É aquela ideia antiga de que ‘a união faz a força’ e, no caso, vale para qualquer um dos lados.

Aliás, é bom ressaltar que, em alguns momentos em que Pepita se lembra de seu passado, a vontade é de entrar na história e tomar alguma providência, já que todos parecem cegos e indiferentes ao sofrimento e à violência ocorrida a todo instante. E, mais infelizmente, é saber que esta é a dura realidade de incontáveis crianças e jovens, nos mais diversos aspectos de suas vidas.

“Nossas ações repercutem para o positivo ou negativo, elas reinventam a nossa capacidade de nos transformar.”

Cada capítulo da obra inicia-se com uma passagem bíblica, uma mensagem condizente com o trecho que será narrado e, tal aspecto tem forte relação com a busca da própria Pepita por forças para se fortalecer e que, ela acaba encontrando, em parte em seus amigos e família e na palavra de Deus (e nas músicas do Regis Danese, é claro! rs).

Pepita é uma história escrita para conscientizar, e, apesar do drama, não é uma obra dramática. É uma leitura que beira a praticidade, mostrando de maneira nua a realidade da jovem violentada. Várias partes de sua história são fortes, narrando violências físicas e psicológicas fortíssimas e tentativas de crimes. Não se trata de mais uma história sobre superação e seguir em frente, é uma narrativa áspera, como o próprio bullying, como a violência o é.

Fatos rápidos e aleatórios que quero destacar:

  • O capítulo favorito da obra é chamado “O Sonho”, porque traz uma simbologia muito legal sobre o próprio crescimento e desenvolvimento da personagem ao longo dos anos. Quando ler, preste atenção aos bancos em que ela e suas versões de si mesma estarão sentadas.
  • Em alguns aspectos, senti falta de um toque de feminismo em Pepita e no tratar de algumas temáticas, como sexo. O assunto não deve ser banalizado, em momento algum, especialmente quando se trata de adolescentes, em fase de descoberta do próprio corpo e com os desejos de conhecer o mundo e a si. Contudo, a abordagem do tema é tratada mais como uma exaltação da virgindade versus a vulgaridade das garotas que fazem sexo. Esse não é o foco do livro, mas, é uma tendência que, como veículo de informação à jovens, deve ser repensada e tratada com maior clareza e liberdade.

Pepita – passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying, está disponível para compra no site da Amazon e, o exemplar físico está com uma campanha no Catarse.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Time In A Bottle – Jim Croce

  • Sophia Cuñado

    Em 02.02.2017

    Adorei a resenha e consequentemente o livro, achei muito interessante. Sempre gosto quando abordam tal tema, porque muitos acham que é banal, mas na verdade pode fazer toda a diferença na vida de uma pessoa.
    Ainda não conhecia o autor e vou dar uma procuradinha no livro, arrasou ♥

  • Bruna Morgan

    Em 02.02.2017

    estão surgindo várias histórias abordando o bullying, isso é muito bom!

  • Karoline Krahl

    Em 02.02.2017

    Adorei a sua resenha. E o livro me chamou muito a atenção. É difícil encontrar livros que abordem essa temática de uma forma boa. E, eles são de extrema importância pro público jovem. Foi pra lista de “quero ler”

  • Marusa Garcia

    Em 02.02.2017

    Amei a resenha, e sempre muito bom tocar neste assunto que ainda é polemico. Beijos no coração.

  • Cia Atores de Mar’

    Em 02.02.2017

    Renata,

    super obrigado pelo carinho e por ter tratado PEPITA como uma menina forte, amorosa, que sofreu mas nunca desistiu, de cabeça em pé sempre… PEPITA ainda estará em mais dois livros contando o que CANINA e as POPULARES aprontarão, até o desfecho final. Irá surpreender a todos.

    Beijinhos com carinho
    Mar’

  • Mayla Oliveira

    Em 02.02.2017

    Olá! Parece realmente uma leitura interessante. Livro adicionado à minha lista.

  • Bullying – Eu Sofri. Eu Pratiquei. Eu Hoje Conscientizo. ♥ Mar’Junior ◂ Retipatia

    Em 02.02.2017

    […] A resenha de hoje é do livro Bullying – Eu sofri. Eu pratiquei. Eu hoje conscientizo, do autor Mar’Junior, parceiro aqui do blog. E já teve resenha de outro livro dele aqui no blog, que também versa sobre a temática do bullying, na forma de um romance. O livro é o ‘Pepita – Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying’, o primeiro volume de uma trilogia e você pode conferir mais sobre o livro clicando aqui. […]

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