Resenha ♥ O Inverno das Fadas ♥ Carolina Munhóz

Em 15.01.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Tô achando que adotarei a palavra ‘folks’ em definitivo para meu cumprimento que já abrange todas as horas do dia (ou deveria acrescer a madrugada também? rs).

Domingo pede cachimbo (de será que onde surgiu essa expressão esquisita?*) é dia de resenha aqui no blog, então, bora falar de uma das leituras que estavam na minha ML de Férias do ano passado. O livro foi devidamente lido no ano passado, como todos os outros, mas fiquei devendo a resenha aqui no blog.

Título: O Inverno das Fadas

Autora: Carolina Munhóz

Editora: Fantasy – Casa da Palavra (Leya)

Sinopse: Existem pessoas normais em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalhos maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais. Existe uma explicação para isso. Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E morte.

Em O Inverno das Fadas acompanhamos as lembranças de Sophia Coldheart em relação às diversas celebridades que inspirou e também levou ao suicídio. No entanto, sua mais recente vítima, William, um jovem escritor de um condado da Inglaterra, parece prestes a deixá-la com uma dúvida jamais sonhada em toda sua existência. O que aconteceria se Sophia encontrasse um humano capaz de resistir aos seus encantos, a ponto de fasciná-la? Ela deixaria seu instinto de lado para se apaixonar e proteger um mortal? E quanto à William, o que faria diante de forças e sentimentos tão poderosos? Será preciso tomar uma difícil decisão. Se uma fada nos fizesse ponderar entre o afeto e a glória, se nos fossem oferecidos dons inacreditáveis em prol de um grande preço, qual seria realmente nossa escolha? Uma vida longa e normal, repleta de amor? Ou uma vida extraordinária, à espera da morte trágica?

A história da fada Sophia, uma Leanan Sídhe, que serve de inspiração para humanos artistas a serem os melhores entre os melhores parece sempre a mesma. Mesmo que o tempo de uma relação varie, o término de seus relacionamentos com humanos é sempre o mesmo: a morte. E Sophia precisa disso para viver, o que faz com que ela continue a encantar mortais para serem brilhantes no mundo humano.

Contudo, Sophia não é uma fada tradicional, além do fada de ser uma espécie de ‘vampira’ (não no sentido literal de beber sangue, ok!), porque suga a vida e sanidade daqueles aos quais se relaciona, ela é filha de uma Leanan Sídhe e de um elfo. Mesmo sendo uma criatura mítica, o elfo não teve destino diferente dos demais amantes da mãe de Sophia, a morte veio e, a tristeza tomou sua mãe por completo, tendo a morte também a levado. E Sophia é entregue aos cuidados de seu avô elfo, Arawn, governador de Annwn.

Sophia tenta não pensar nas vítimas que faz e, é chegado mais um momento de caçada. O jovem William já sonha com ela e ela sente a conexão de suas mentes. É Samhain, Dia das Bruxas e o véu entre os mundos fica mais tênue e Sophia faz sua primeira parição, uma fada em todo seu glamour, com asas cintilantes, para William.

Contudo, nada sai como o planejado. O rapaz não fica apenas à mercê dos caprichos da fada, é decidido e traz grande influência sobre a fada, que acostumada a ter o controle da situação, fica perdida. A diferente personalidade de William começa a afetar Sophia tanto quanto ela o afeta e o inspira a escrever a grande obra da sua vida: o livro que falaria sobre o povo das fadas e lhe garantiria o primeiro lugar em um concurso literário.

A questão é que Sophia ainda é uma Leanan Sídhe, e as energias de William são cada vez mais drenadas enquanto a aproximação dos dois aumenta. Sophia precisa disso, de William. E, como era de se imaginar, ela se apaixona por ele.

A derrocada de ambos é o amor puro que cultivam, que vai além da simples atração que Sophia é capaz de fazer surgir em qualquer humano. E então o desfecho desse romance é cercado dessa luta pela vida por ambos os lados: será o amor capaz de vencer essa barreira, ao contrário do destino que os pais de Sophia tiveram?

Bem, para saber a resposta, você terá que ler! rsrs

Vamos aos meus inúmeros comentários. Primeiro, a edição da Fantasy / Casa da Palavra é linda. A imagem da capa, além de bonita, casa muito com o título do livro. Gosto muito também do tamanho do texto, cores das folhas, que são em um tom bege (ainda se fala na cor bege?), bem, são amareladas e a leitura fica geralmente mais agradável assim, ainda mais para quem costuma ler na madrugada, como eu.

Todos os capítulos possuem numeração e um título que variam de um nome à um trecho de uma música. Eu já lia e cantarolava em minha cabeça em 99% dos casos. A junção musical com a escrita é algo que admiro muito, mas faltou um pouco de sutileza ou mesmo conexão em alguns capítulos. Às vezes o título já dá um norte do que está prestes a ocorrer e, às vezes, me deu a impressão de serem um pouco forçadas as junções das músicas com o texto.

A narrativa do livro é fácil de ler, mas em vários pontos é repetitiva. Mas não aquele repetitivo proposital, que te leva à algum ponto chave. Por exemplo, acabamos um parágrafo e, no próximo, temos uma redescrição do que acabou de ser dito, e nem sequer se trata da perspectiva de outro personagem. Não mencionei, mas a história possui narrador e não é contada na primeira pessoa dos personagens.

A história em si me chamou atenção antes da leitura pela própria temática, sou apaixonada por fadas, e o enredo parecia interessante. Contudo, o mundo construído para as fadas no livro é fraco e, digamos, humano em demasiado. Do tipo que as fadas utilizam gasolina para queimar coisas (oi? Não há nenhum tipo de combustível não extraído pelo mundo humano, degradando o meio ambiente para as fadas fazerem uma fogueira ou não me lembro mais o que?) e outros detalhes, como hábitos e até sentimentos e sentidos. Não há mistério real no mundo das fadas, a história criada por detrás desse mundo funciona de modo vago e repleto de furos.

Há também grande contrariedade em vários aspectos da história. Sophia é descrita como implacável e forte (palavras minhas, não do livro), mas seus atos não correspondem à nem metade do que se espera dela. Ela é uma protagonista fraca, sem motivação e que desiste fácil. Infelizmente, Sophia é mais uma donzela em perigo, devo assumir. A fada tinha todos os requisitos para ser uma protagonista forte em sua própria história e, não o é. Desiste assim que possível e se entrega à lamúria. Nem mesmo o amor dela por William é capaz de fazê-la lutar. Ainda que desistir possa parecer uma forma nobre de deixar que seu amado viva, a história não deixa esse vislumbre, mais uma vez, infelizmente.

O personagem de William também é completamente contraditório no que diz respeito às descrições e ações. A impressão que tenho é que ele é um rapaz legal, que se apaixona por uma fada, ponto final. Nada de grande diferença entre ele e as anteriores vítimas de Sophia. Mas, ela insiste em ver diferença em tudo que ele faz, pode até ser a voz do amor falando por ela, mas, novamente, não é essa a sensação que o livro traz. Ele é bacana, mas só. Nada marcante que você diga: esse é o cara. E não questiono isso em face de necessária justificativa para o amor de ambos, mas porque o fato dele ser diferente é chave para Sophia amá-lo e para o desfecho da trama.

E sem mais personagens marcantes. Temos o avó de Sophia, que tive que buscar o nome no livro porque não me lembrava, temos alguns outros personagens do mundo das fadas. E, nem mesmo a personificação de vilã que aparece na trama (desnecessariamente, já que a sina em si já estava fincada por Sophia ser uma Leanan Sídhe), consegue ser marcante.

Há menção de vários amantes anteriores de Sophia e, neste pontos aparecem várias outros desencontros na história: Sophia insiste que William é único, mas a todo instante um fulano ou beltrano se sobressai por alguma característica única em seus pensamentos. Apenas assumisse que cada um é cada um, por gentileza… rs. Afora a inconsistência de tais memórias, é de se esperar que tais vítimas fossem pessoas famosas e a autora peca um pouco nesse ponto. Ela faz relação com alguns nomes famosos mortos. E, com um pouco mais de perdão de minha parte, faltou muito tato, gentileza e sutileza para colocar tais histórias de modo satisfatório (e poderia dizer que respeitoso também), na trama. As menções são várias, de cabeça: Michael Jackson, Amy Winehouse e Brandon Lee. As menções foram forçadas na trama e, muitas vezes, não engrandeciam a história em nenhum aspecto. E, claro, vamos lembrar que o que a fada Leanan Sídhe faz é levar os fracos à loucura e à morte, via de regra, através do suicídio.

A leitura, no fim das contas, me incomodou muito. A cada trecho lido, uma contestação. A história tinha muito para ser maravilhosa, um mundo mágico envolto no mundo dos humanos, um caso de amor insolúvel. Contudo, os personagens, tanto quanto o mundo em que vivem foi construído com fragilidade, com as soluções para os problemas quase caindo de bandeja. O próprio título parece frágil em relação à trama, porque o inverno, no fim das contas, é só o inverno. E os nomes dos personagens são junções de referências à cultura pop, que soam engraçados em alguns casos (o que, neste ponto, é pura implicância minha, não sendo um ponto negativo, necessariamente).

Este foi o primeiro livro que li de Carolina Munhóz e, vi que a temática fantástica é marco em suas histórias. O Inverno das Fadas foi publicado em 2012 e, havia me interessado na leitura de O Reino das Vozes que Não se Calam, publicado em 2014 e em outros livros dela, como A Fada e Feérica, estes com mesma temática de O Inverno das Fadas, ainda que não relacionados e acho que seria legal reavaliar o trabalho da autora em outras obras. Assim sabendo se seria minhas preferências que não foram atendidas ou se nós duas não nos damos…rsrs Temos quase a mesa idade e acho que alguma de nossas outras preferências são as mesmas, as referências de nomes no livro são várias (do mundo de Harry Potter e me arriscaria a dizer a Gossip Girl), então, acho que vale a chance!

Na Reclassificação de Livros, O Inverno das Fadas, apesar de ser uma leitura rápida e fácil, ficou em ‘Não leio de Jeito Nenhum no Ônibus’.

Ouvindo Unwritten da Natasha Bedingfield no repeat porque tô nostálgica hoje! rsrsrs

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

*Pesquisando no Google: Há uma cantiga popular em que se diz, ‘hoje é domingo / pede cachimbo / o cachimbo é de barro / que bate no jarro / o jarro é de ouro / bate no touro / o touro é valente / machuca a gente / a gente é fraco / cai no buraco / o buraco é fundo / acabou-se o mundo’ e daí que veio a expressão. E eu percebo que sim, já ouvi tal coisa em algum momento pretérito de minha existência, o qual não me recordo. Ouça a música aqui!

  • Kimberly Camfield

    Em 15.01.2017

    Preciso dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi o nome. Achei poético haha Quando li a sinopse, pensei: cara, deve ser um livro muito bom. É tipo de livro que se visse em uma estante certamente pegaria para ler. Então fui lendo a resenha e acabei desanimando, porque imaginava ser um livro incrível. Mas isso acontece às vezes. Um livro tem tudo para ser bom, mas construção dos personagens e do ambiente deixa a desejar, e nem preciso dizer o quanto isso é decepcionante.
    A sua resenha está ótima, por sinal, assim como as outras que li por aqui.

    Quando você mencionou a música sabe que também tive a impressão de já ter escutado? Sei também que no discovery kids todo domigo o DOKI (personagem de desenho infantil, sei porque tenho uma irmã mais nova haha) fala: Hoje é domingo pé de cachimbo.
    Então quando você escreveu essa frase no comecinho do texto não consegui não ler com a voz do personagem haha

    Beijos

  • Hanna Carolina

    Em 15.01.2017

    Olá! Eu li esse livro tem um tempinho tb. E… vou te confessar, tive as mesmas expectativas e decepções que vc no decorrer da leitura. Apesar de fácil, se tornou chata por causa de detalhes que não tinham sentido serem citados, outros que foram simplesmente esquecidos e os personagens que estavam “na cara” as referências. Eu só li ‘O inverno das fadas’ da Carolina, não sei se gostaria do outro livro que vc citou. Mas esse ‘Inverno das fadas’ com certeza eu não leio nunca mais! E olha que fantasia é meu gênero favorito… :/
    Bjks!

    http://www.mundinhodahanna.blogspot.com

  • Bru

    Em 15.01.2017

    Olá, Re! Nunca li algo do tipo, me interessei bastante. Estou procurando livros pois vou fazer uma viajem essa semana de 11hrs, então esse já vai ser um deles. Espero encontrar a tempo.
    Adoro seu blog, beijão!

  • Erika Monteiro

    Em 15.01.2017

    Oi Rê, tudo bem? Quando vi a capa pensei “que livro mais lindo”. Já queria ir correndo na loja buscá-lo. Conforme fui lendo sua resenha percebi realmente que a história tinha tudo pra dar certo. Quando o autor sabe trabalhar essa mistura do homem com séries místicos ainda mais envolvendo romance tem tudo para a história ser inesquecível. Porém pela sua descrição a autora não conseguiu seguir um viés muito romântico. Outro detalhe também é a menção das pessoas que não estão mais entre nós. Realmente deveria ter tido “tato” e mais delicadeza. Pra mim já é estranho falar de pessoas que já faleceram, se não tiver respeito se torna tão vazio =/ Minha vó faleceu faz uns cinco anos eu acho, mas ainda falo dela com verbo no presente. Ex: minha vó tem medo quando o carro anda rápido. Essas coisas. Se você vai abordar pessoas da mídia, que são muito conhecidas, fica um tanto estranho como você faz isso. Uma pena ser um livro que não leria no ônibus rs Acredito que toda leitura é válida, sempre nos ensina algo. PS: apaixonada por seu pisca-pisca haha Beijos, Érika =^.^=

  • Retipatia

    Em 15.01.2017

    Oi Érika, tudo bem por aqui e contigo? Esse livro tem mesmo uma capa maravilhosa e é do tipo que eu compraria sem sequer ler a sinopse… ahahaa Mas, foi uma leitura super frustrante, a autora pecou em diversos aspectos e a impressão que eu tive é que ela não teve nenhum feedback durante a escrita do livro, porque algumas falhas são muito descaradas e tudo ficou muito marcante na história. A parte das pessoas que já faleceram realmente me deixou uma sensação de coisa desconexa, tem insinuações e outros pontos que não achei que eram necessárias para a história, tampouco. E entendo a situação de falar sobre entes queridos ainda no presente, é porque são amados e presentes em nossas memórias! <3 Ahhh eu também amo esse pisca-pisca, em alguns lugares chamam de string lights ou fairy lights! <3 Obrigada pela visita e pelo carinho! <3
    xoxo

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